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Fermentação alcoólica contínua de mosto de melaço (1952)

  • Autor:
  • Autor USP: BORZANI, WALTER - EP
  • Unidade: EP
  • Sigla do Departamento: PQI
  • Subjects: FERMENTAÇÃO ALCOÓLICA; FERMENTAÇÃO CONTÍNUA; MELAÇO
  • Language: Português
  • Abstract: O problema da fermentação alcoólica contínua vem sendo objeto de estudos há diversos anos. Parece-nos interessante, para se fazer uma ideia da situação atual no que diz respeito a esse problema, a apresentação de um ligeiro relato dos trabalhos apresentados, em ordem cronológica. Seria bastante difícil a organização de uma lista completa, e por este motivo fizemos referência apenas aos que nos pareceram mais interessantes e diretamente ligados ao assunto. A primeira referência por nós encontrada data de 1933; é uma patente concedida na Áustria em 10 de julho de 1933, sob o número 134 100, a Kuffner & Kuffner, com o título “Continuous multi-stage fermentation system for liquids containing sugar” [9]. Em 1938 (3 de junho) é concedida a Heinrich Scholler uma patente britânica, com número 486 481, relativa a “Fermentation processes; cultivating bacteria” [10]; o processo de Scholler, pelo que compreendemos, é um processo contínuoassociado ao chamado processo Melle-Boinot de fermentação. Em 1939 é publicada, por J. Pérard [11], uma descrição resumida do processo utilizado na destilaria de D’Artenay. Em 1940 e 1941 são publicados os trabalhos de Francisco Alzola [12], [13]; o seu “novo processo de fermentação contínua” consiste essencialmente no seguinte: a primeira de uma série de dornas é inoculada e alimentada, contínua ou intermitentemente, com mosto estéril; o mosto é sempre introduzido nessa primeira dorna, passando para as dornas seguintes até que se tenha completado sua fermentação; em todas as dornas o mosto é agitado por borbulhamento do CO2 produzido na própria fermentação, recuperando-se, por lavagem, o álcool arrastado pelo gás; torna-se necessário novo fermento só quando as contaminações obrigam a uma limpeza de toda instalação. Em 1942 é publicado otrabalho de Bilford, Scalf, Stark e Kolachov [14], trabalho este citado por Hildebrandt [15] em 1947. Kirk and Othmer [16] também em 1947, e Prescott and Dunn [17] em 1949. Nessa publicação, Bilford e colaboradores salientam o fato dos processos russos e do processo de Francisco Alzola lançarem mão de diversas dornas para que se complete a fermentação do mosto. Constatam, em seguida, a possibilidade de se completar a fermentação em um único recipiente, em escala de laboratório, trabalhando com diversos meios (“glucose-yeast water”, “Cuban blackstrap molasses”, “Cuban refined molasses” e “beet molasses”) previamente esterilizados e com duas variedades de Saccharomyees cerevisiae ( a variedade Seagram Nº 1 e a A.T.C.C. 4 125), variando a vasão de alimentação entre 15% e 25% da capacidade do recipiente por hora. Os ensaios desses autores foram realizados em intervalos de tempo relativamente pequenos: 5 a 9 horas de alimentação contínua. O meio em fermentação era agitado com auxílio de uma corrente de CO2 ou por meios mecânicos, e a temperatura foi mantida em 32,2°C. Afirmam ainda Bilford e colaboradores que o rendimento em álcool etílico do processo contínuo por eles ensaiado é comparável ao obtido em fermentações clássicas. Em 1943, de Becze e Rosenblatt [18] publicam um estudo geral dos diversos processos de fermentação classificando-os em grupos de acordo com suas características fundamentais. Afirmam esses autores que os doze tipos de processos contínuos de fermentação por eles estudados são aparentemente diferentes e apenas se aproximam da “ideia” de um processo contínuo. Ainda em 1943 (25 de Nopvembro), é concedida, na Alemanha, uma patente a Otto Keussler, sob número 744 682, a respeito de “Continuous fermentation of sugar-poor liquids”[19]. Em 1945 (13 sw3 Março) é concedida, nos Estados Unidos, patente número 2 371 20, a Francisco Alzola, a respeito de “Equipment and procedure carrying out continuous fermentations” [20]. Esta patente pelo que se depreende, refere-se ao processo já citado de Alzola em [12] e [13]. Em 1945, ainda, Eduardo Paz, da Escuela Nacional de Ciências Biológicas (México) [21] discute os processos contínuos de fermentação do ponto de vista da Engenharia; Dinaburg, em 31 de julho e 31 de agosto consegue duas patentes russas, a primeira de número 64 934 sobre “Continuous fermentation” [22] e a segunda de número 65 004 a respeito de “Automatic control of continuous fermentation” [23]. Francisco Alzola [24], ainda em 1945, apresenta um processo contínuo de fermentação alcoólica com uma só dorna em forma de torre dividida em seis compartimentos superpostos e separados por diafragmas; o mosto a ser fermentado é introduzido pela base; o “vinho”é retirado no topo; usa-se CO, para agitação. Em 1947 (31 de Dezembro) é concedida uma patente russas (nº 69 876) a A.L. Malchenko [25] sobre “Continuous mashing and fermentation of starchy materials”; a fermentação se processa sob pressão de CO2, produzido, CO2, esse também utilizado para agitar o líquido. Em 1948 Owen [26] publica o resultado de seus trabalhos de laboratório levados a efeito com uma coluna de vidro fechada, dividida em seis compartimentos superpostos, alimentada pelo compartimento superior.Em 1949 é concecida patente nos Estados Unidos, a Anibal Ramos de Mattos [27], sob número 2 451 156, a respeito de “Process and apparatus for producing alcohol by fermentation”. Neste processo mantem-se, na região média do aparelho , um elevado número de células de levedura por unidade de volume de mosto provocando a precipitação da levedura no material fermentado que se aproxima do topo do aparelho, por onde é retirado. Em 1950 Kolachov, Smith e Willkie [28] publicam um artigo intitulado “Le procedé continu dans les fermentatiosn industrielles”, no qual tratam de diversas fermentações. No caso particular da fermentação alcoólica a partir de melaços, apenas citam o trabalho já referido de Bilford, Scalf, Stark e Kolachov [14] . Dos diversos trabalhos citados, o de Bilford e colaboradores [14] nos pareceu interessante dados a simplicidade do processo em si (uma só dorna) e os resultados obtidos em escala de laboratório. A finalidade de nosso trabalho é estudar a possibilidade de transportar esse processo para a escala industrial, nas condições que vigoram frequentemente em nosso meio.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 00.00.1952

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    • ABNT

      BORZANI, Walter. Fermentação alcoólica contínua de mosto de melaço. 1952.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1952.
    • APA

      Borzani, W. (1952). Fermentação alcoólica contínua de mosto de melaço. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Borzani W. Fermentação alcoólica contínua de mosto de melaço. 1952 ;
    • Vancouver

      Borzani W. Fermentação alcoólica contínua de mosto de melaço. 1952 ;


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