USP e Instituto Socioambiental se unem para repensar o licenciamento ambiental na bacia do Xingu: Juliana Siqueira Gay comenta sobre o projeto que busca avaliar os efeitos acumulados de obras de infraestrutura sobre a floresta e os povos da região. [Entrevista a Roxane Ré] (2025)
- Autor:
- Autor USP: GAY, JULIANA SIQUEIRA - EP
- Unidade: EP
- Subjects: LICENCIAMENTO AMBIENTAL; POLÍTICAS PÚBLICAS; FLORESTAS; DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
- Language: Português
- Abstract: Um novo projeto de pesquisa liderado pela Escola Politécnica da USP, em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), vai estudar os impactos cumulativos de grandes obras de infraestrutura na bacia do Xingu. O acordo de cooperação foi firmado com o objetivo de subsidiar cientificamente o planejamento e o licenciamento ambiental de projetos na região. Quem explica é Juliana Siqueira Gay, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da USP. “A gente tem diversas modelagens ambientais, modelagens usando o sensoriamento remoto, imagens de satélite, dados de uso e cobertura da terra, hoje sendo desenvolvidas em inúmeras pesquisas. Mas a gente tem uma carência dessa falta de subsídios técnicos mesmo, científicos, na hora de se planejar e pensar na viabilidade, tanto ambiental quanto social, desses novos projetos”, comenta. Com duração prevista de quatro anos, a iniciativa foca na avaliação dos efeitos combinados que diferentes empreendimentos geram sobre o meio ambiente e as populações locais. Juliana Siqueira Gay – Foto: Arquivo pessoal A professora comenta que o projeto é financiado pela Fapesp e integra o programa de pesquisa para políticas públicas. Conta, também, com o envolvimento direto de órgãos governamentais como o Ministério dos Transportes, o Ibama, a Funai, além da rede de lideranças locais: “Todos juntos, pensando em demandas de políticas públicas que precisam de aportes científicos”. A bacia do Xingu, situada entre os Estados do Pará e Mato Grosso, é uma das regiões mais biodiversas e sensíveis do País. Nela estão localizadas 22 terras indígenas e nove unidades de conservação, além de corredores logísticos estratégicos para o agronegócio, como a BR-163 e o projeto da Ferrogrão. Para Juliana, trata-se de uma área onde os impactos se sobrepõem.“Temos várias rodovias, temos portos e também ferrovia associados e impactando tanto as comunidades que vivem ali quanto a floresta e toda a região.” Ela explica que o chamado impacto cumulativo afeta a região. O conceito refere-se à soma dos efeitos provocados por diferentes empreendimentos sobre um mesmo componente ambiental. “Por exemplo, a gente tem uma dragagem que acontece no rio, uma hidrelétrica que é instalada nesse mesmo rio, toda a atividade pesqueira que acontece ali. Todas essas atividades acabam alterando a qualidade ambiental desse rio, alterando a biota aquática e esse impacto conjunto é considerado cumulativo”, comenta a pesquisadora. No projeto, o foco será principalmente o impacto sobre a floresta. Comunidades locais Um dos principais desafios apontados pela professora é a ausência de consulta efetiva às comunidades locais durante o planejamento de obras como a Ferrogrão. “Tivemos muitos questionamentos das comunidades locais porque elas não foram escutadas pelos planejadores, pelos propositores, pelos empreendedores do projeto.” Segundo ela, essa falta de escuta não apenas compromete os direitos dessas populações como também atrasa o próprio processo de licenciamento: “A gente tem conflitos que acabam sendo levados desde a etapa de planejamento até o estudo de viabilidade da obra”. Ela explica que a proposta pretende atuar juntamente com os Ministérios, na fase de planejamento dos projetos, e com o Ibama, na fase de licenciamento: “A gente pensa muito nesse encadeamento de decisões: “Melhorar a escuta, o engajamento com as comunidades, pensar em como proteger melhor essa floresta, pensar em alternativas para esses projetos, pensar em como monitorar esses impactos cumulativos”Em um cenário de mudanças legislativas que fragilizam o licenciamento ambiental — como o Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido como “PL da Devastação” —, a iniciativa ganha relevância. “Hoje a gente está discutindo mudanças no licenciamento ambiental justamente. A nossa contribuição é ainda mais importante”, diz a professora. A expectativa é que o projeto contribua para consolidar metodologias de avaliação de impactos cumulativos com base em dados científicos, sensoriamento remoto e modelagens ambientais. “É um projeto muito desafiador. A gente tem quatro anos de muito trabalho pela frente.”
- Imprenta:
- Publisher place: Rádio USP (93,7 MHz)
- Date published: 2025
- Source:
- Título: Jornal da USP no Ar
- ISSN: 2525-6009
- Volume/Número/Paginação/Ano: 1ª edição das 7h30 às 9h, áudio on-line (11min33s), 28 jul. 2025
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ABNT
SIQUEIRA-GAY, Juliana. USP e Instituto Socioambiental se unem para repensar o licenciamento ambiental na bacia do Xingu: Juliana Siqueira Gay comenta sobre o projeto que busca avaliar os efeitos acumulados de obras de infraestrutura sobre a floresta e os povos da região. [Entrevista a Roxane Ré]. Jornal da USP no Ar. Rádio USP (93,7 MHz): Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=915611. Acesso em: 11 mar. 2026. , 2025 -
APA
Siqueira-Gay, J. (2025). USP e Instituto Socioambiental se unem para repensar o licenciamento ambiental na bacia do Xingu: Juliana Siqueira Gay comenta sobre o projeto que busca avaliar os efeitos acumulados de obras de infraestrutura sobre a floresta e os povos da região. [Entrevista a Roxane Ré]. Jornal da USP no Ar. Rádio USP (93,7 MHz): Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. Recuperado de https://jornal.usp.br/?p=915611 -
NLM
Siqueira-Gay J. USP e Instituto Socioambiental se unem para repensar o licenciamento ambiental na bacia do Xingu: Juliana Siqueira Gay comenta sobre o projeto que busca avaliar os efeitos acumulados de obras de infraestrutura sobre a floresta e os povos da região. [Entrevista a Roxane Ré] [Internet]. Jornal da USP no Ar. 2025 ;[citado 2026 mar. 11 ] Available from: https://jornal.usp.br/?p=915611 -
Vancouver
Siqueira-Gay J. USP e Instituto Socioambiental se unem para repensar o licenciamento ambiental na bacia do Xingu: Juliana Siqueira Gay comenta sobre o projeto que busca avaliar os efeitos acumulados de obras de infraestrutura sobre a floresta e os povos da região. [Entrevista a Roxane Ré] [Internet]. Jornal da USP no Ar. 2025 ;[citado 2026 mar. 11 ] Available from: https://jornal.usp.br/?p=915611 - From intensive land use to fragmented landscapes:: perspectives on cumulative impacts of mining on forests in the Brazilian Amazon.
- USP e Instituto Socioambiental se unem para repensar o licenciamento ambiental na bacia do Xingu: Juliana Siqueira Gay comenta sobre o projeto que busca avaliar os efeitos acumulados de obras de infraestrutura sobre a floresta e os povos da região. [Entrevista a Roxane Ré]
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