A experiência da internação entre adolescentes: práticas punitivas e rotinas institucionais (2010)
- Authors:
- Autor USP: ALMEIDA, BRUNA GISI MARTINS DE - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FSL
- DOI: 10.11606/D.8.2010.tde-08022011-144629
- Subjects: PUNIÇÃO; ADOLESCENTES
- Language: Português
- Abstract: O objetivo deste trabalho é investigar o que estrutura a experiência da internação como forma de punição de adolescentes. A partir da pesquisa de campo realizada em unidades da Fundação CASA, trata-se de buscar compreender como as práticas e rotinas dessa instituição se relacionam com as concepções sobre punição de adolescentes definindo essa experiência para os adolescentes nela internados. A pesquisa consistiu na entrevista com adolescentes de uma unidade de semiliberdade que estavam em progressão de medida; e em visitas a uma unidade de internação. A unidade de internação foi analisada neste trabalho a partir do conceito de instituição total que, a partir da suspensão da obviedade da situação, possibilita pensar de que forma os elementos que constituem essa situação comunicam sentidos e informações que atuam sobre o indivíduo e servem de guias para a ação. Com isso, o comportamento e as interações dos adolescentes internados foram interpretados não como consequências de sua trajetória ou efeitos de sua personalidade, mas como resultado dessa experiência de punição e como efeitos da socialização operada nesse espaço. Tendo em vista as especificidades das práticas punitivas para adolescentes, a tensão existente entre a concepção repressiva e a concepção recuperadora (ou pedagógica) na condução do controle da criminalidade juvenil mostrou-se central tanto nos discursos sobre e legislações para a punição de adolescentes, quanto nas práticas das instituições de internação. Porum lado, a concepção pedagógica possui grande legitimidade e, partindo do status de pessoa em desenvolvimento dos adolescentes, integra os objetivos oficiais e efeitos intencionados das unidades de internação. Esta concepção se manifesta nos esforços para transformação do adolescente mediante o Plano Individual de Atendimento. Por outro lado, baseados no perigo iminente por lidarem com criminosos, as práticas e os procedimentos de segurança da rotina institucional informam um perigo iminente também para os internos. O processo conflituoso que todos os internos vivem de tentar proteger seu self desta definição prescrita é acompanhado pela tensão de se relacionar com aqueles cuja definição também decorre desta informação básica de pertencer a uma instituição destinada a indivíduos perigosos. A fim de evitar que esse perigo se realize, um caos violento e sem regulação, vê-se multiplicar as normas de conduta que
- Imprenta:
- Data da defesa: 10.12.2010
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
- Versão do Documento:
- Versão publicada (Published version)
- Acessar versão aberta:
-
ABNT
ALMEIDA, Bruna Gisi Martins de. A experiência da internação entre adolescentes: práticas punitivas e rotinas institucionais. 2010. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-08022011-144629/. Acesso em: 09 abr. 2026. -
APA
Almeida, B. G. M. de. (2010). A experiência da internação entre adolescentes: práticas punitivas e rotinas institucionais (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-08022011-144629/ -
NLM
Almeida BGM de. A experiência da internação entre adolescentes: práticas punitivas e rotinas institucionais [Internet]. 2010 ;[citado 2026 abr. 09 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-08022011-144629/ -
Vancouver
Almeida BGM de. A experiência da internação entre adolescentes: práticas punitivas e rotinas institucionais [Internet]. 2010 ;[citado 2026 abr. 09 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-08022011-144629/ - A racionalidade prática do isolamento institucional: um estudo da execução da medida socioeducativa de internação em São Paulo
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