Variação estrutural do genoma e doenças (2026)
- Autor:
- Autor USP: KREPISCHI, ANA CRISTINA VICTORINO - IB
- Unidade: IB
- Sigla do Departamento: BIB
- DOI: 10.11606/D.41.2026.tde-08042026-180052
- Subjects: NEOPLASIAS; GENÉTICA MÉDICA
- Language: Português
- Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):
03. Saúde e bem-estar
- Abstract: Minha produção científica tem como fio condutor, em grande parte, o estudo da relação entre variantes genômicas (alterações cromossômicas e variantes de pequena escala) e fenótipos. Esse eixo estruturante acompanha toda a minha trajetória, desde os primeiros trabalhos em citogenética clássica e molecular, até abordagens recentes com novas metodologias e integração com estudos multiômicos, incluindo transcriptoma e epigenética. Um dos núcleos de minha contribuição à pesquisa está na articulação entre mecanismos de formação de rearranjos cromossômicos, suas consequências clínicas (em doenças raras, na maioria das vezes), especialmente transtornos do neurodesenvolvimento e câncer pediátrico, e o avanço metodológico, que permitiu ampliar progressivamente a resolução com a qual o genoma humano é estudado. A escolha desse foco em variantes estruturais (structural variants - SVs: deleção, duplicação, translocação, inversão, inserção, rearranjos complexos) para o texto sistematizado, com a exclusão deliberada de aprofundamento em outras linhas de pesquisa, não foi casual. No início dos anos 1990, quando iniciei minha formação, a citogenética clássica ainda era, após décadas, a principal ferramenta para análise ampla do genoma em clínica e pesquisa.Embora tenha desempenhado papel fundamental na identificação de aneuploidias e rearranjos estruturais visíveis ao microscópio óptico, a técnica de cariótipo com bandeamento é limitada em resolução a alterações genômicas de grande porte (≥ 510 Mb). Ampliar o painel de variantes estruturais presentes no genoma humano, incluindo em doenças, bem como compreender os mecanismos de formação de rearranjos cromossômicos e suas implicações, exigia uma combinação de novas abordagens científicas - para superar barreiras de detecção e dissecção molecular - e de entendimento funcional. Pude participar da evolução técnica na área e isso foi extremamente motivador. A citogenética é um campo de investigação que está sempre morrendo, mas agonizante sempre se reinventa, em ciclos. No cenário atual, é novamente uma área que traz as variantes estruturais para o centro da cena científica. O fascínio desse campo não reside apenas no desafio técnico de identificar alterações submicroscópicas para diagnóstico ou pesquisa, mas sobretudo na possibilidade de enxergar o genoma em sua arquitetura tridimensional dinâmica. A percepção de que genes não são apenas sequências alinhadas linearmente, mas sim redes complexas que se comunicam no espaço nuclear, abre perspectivas para compreender como deleções, duplicações, translocações e inversões podem desestabilizar circuitos regulatórios com efeitos impactantes no fenótipo.Nos últimos anos, aprendemos que variantes estruturais podem remodelar a estrutura da cromatina, como os chamados domínios topologicamente associados (TADs); alterar interações entre promotores e enhancers (acentuadores) gênicos; ou mesmo modificar localmente a acessibilidade da cromatina. Considero essa dimensão uma das mais instigantes da genética contemporânea. Também por este motivo, o estudo de genes diretamente vinculados à regulação da estrutura de cromatina e aproximação de sequências regulatórias é um outro foco de meu interesse, interligado às variantes estruturais. O estudo tridimensional do genoma revela, assim, não apenas as peças individuais genes e variantes mas a lógica maior de sua organização espacial. É nesse entrelaçamento de estrutura e função que encontro a motivação contínua para investigar variantes estruturais e mutações em genes de cromatina: mais do que alterações estáticas, são pontos de entrada privilegiados para explorar o genoma em sua complexidade tridimensional. Foi nesse contexto, reduzido então, que desenvolvi meu doutorado e pós-doutoramentos. Desde então, meus trabalhos contribuíram para a transição entre a citogenética clássica e a citogenética molecular de alta resolução, integrando posteriormente tecnologias de genômica e epigenômica em larga escala. Hoje, essa trajetória está consolidada em mais de 150 artigos publicados em periódicos internacionais de referência. Como resultados, muitos deles tiveram impacto direto na caracterização de síndromes de microdeleção/duplicação, no reconhecimento de CNVs germinativas como mecanismo de predisposição ao câncer e na investigação de alterações somáticas em tumores pediátricos e adultos.Nos últimos anos, minha linha de pesquisa expandiu-se para acomodar a interface entre alterações cromossômicas, epigenética e organização da cromatina
- Imprenta:
- Data da defesa: 10.03.2026
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ABNT
KREPISCHI, Ana Cristina Victorino. Variação estrutural do genoma e doenças. 2026. Tese (Livre Docência) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2026. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia/41/tde-08042026-180052/. Acesso em: 13 abr. 2026. -
APA
Krepischi, A. C. V. (2026). Variação estrutural do genoma e doenças (Tese (Livre Docência). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia/41/tde-08042026-180052/ -
NLM
Krepischi ACV. Variação estrutural do genoma e doenças [Internet]. 2026 ;[citado 2026 abr. 13 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia/41/tde-08042026-180052/ -
Vancouver
Krepischi ACV. Variação estrutural do genoma e doenças [Internet]. 2026 ;[citado 2026 abr. 13 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia/41/tde-08042026-180052/ - Squamous cell carcinoma ex-pleomorphic adenoma show multiple somatic copy number alterations
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