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Enigmas e inquietações em "A cidade sitiada" de Clarice Lispector (2025)

  • Authors:
  • Autor USP: RIBEIRO, RAQUEL MONTEIRO OGURI - FFLCH
  • Unidade: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FLC
  • DOI: 10.11606/D.8.2025.tde-21102025-154532
  • Subjects: LITERATURA BRASILEIRA; ROMANCE; GEOGRAFIA HUMANA; ESPAÇO (GEOGRAFIA); SUBJETIVIDADE
  • Keywords: A cidade sitiada; Cidade; City; Enigma; Interioridade; Interiority; Lucrécia
  • Language: Português
  • Abstract: Este estudo é direcionado ao exame das inquietações que afligem a protagonista Lucrécia Neves, do romance A Cidade Sitiada, de Clarice Lispector, considerando a premissa de que se trata de uma obra de configuração enigmática, estruturada de forma similar a um jogo que desafia o leitor. A análise tem como foco principal os desdobramentos da dinâmica entre os aspectos externos (espaço, paisagem, cidade) e o interior da personagem, valendo-se, sobretudo, dos aportes teóricos da psicanálise (Freud, Lacan e Melanie Klein) e da geografia humanista (Jean Marc Besse e Eric Dardel). Essas abordagens, que entrelaçam as dinâmicas internas da personagem com os aspectos externos - relacionados ao espaço, ao ambiente e à paisagem - ajudam a compreender a singularidade de A cidade sitiada, onde Lispector traz, de forma inédita, a cidade para o primeiro plano. Diferentemente do primeiro romance, Perto do coração selvagem - cuja característica Alfredo Bosi destaca como "exacerbação do momento interior" (1992, p. 142) e ressalta como sendo justamente o traço que faz de Clarice Lispector um marco da terceira fase modernista - a forma do romance estudado apresenta uma concepção única, marcada pela fusão entre personagem e cidade, fazendo São Geraldo tão protagonista como Lucrécia. Tal concepção consiste em uma forma de delinear tanto uma personagem como a sua respectiva jornada nos espaços pelos quais transita. Esse modo de construção caracteriza-se por uma peculiar fusão, detectada edenominada por Regina Pontieri como um efeito de "promiscuidade" entre Lucrécia e o mundo ao seu redor. O fenômeno observado pela crítica evidencia a contribuição singular de A cidade sitiada ao legado clariciano e incita o nosso estudo a investigar a intrigante personagem a partir do exame como o narrador amalgama cidade e mulher. O estudo, portanto, examina as camadas e desdobramentos do romance a partir da importante contribuição de Regina Pontieri sobre um dos romances claricianos menos explorados pela crítica literária, uma escassez que advém, possivelmente, pela ausência de algumas características que estabeleceram a autora como marco importante da terceira fase do modernismo brasileiro. É pertinente pontuar que o lançamento do primeiro romance de Lispector, Perto do coração selvagem, em 1942 - escrito aos 19 e lançado com incompletos 22 anos de idade - significou um capítulo fundamental na história da literatura nacional. O livro de estreia prima pelos procedimentos vanguardistas do monólogo interior, associação livre e fluxo de consciência, enfatizando a percepção mais interiorizada do mundo. Mas, em seu terceiro romance, A cidade sitiada, de 1949, fica evidente a falta do marcante traço que elevou a autora ao cânone da literatura nacional, traço que Alfredo Bosi realça como a "exacerbação do momento interior" e que ele define como sendo constituinte da gênese da obra de Lispector. (Bosi, p.142). Diante desse contexto, a dissertação explora novas frestas para"o dentro" de uma complexa protagonista, sitiada em uma cidade construída pelas tintas do imaginário, dos mitos e fragmentos de memória. Uma personagem que traz polaridades intrigantes e características que nos remetem a outras personagens claricianas. Se por um lado Lucrécia mostra uma aparente inocência e algo de "tosco" em seu modo de pensar que nos remete a Macabeia, há frestas com diálogos surpreendentes e afiados, tal qual um jogo em que os interlocutores se movem por meio das falas como em um tabuleiro de xadrez. Uma dinâmica que se configura por meio de uma narrativa altamente visual com tintas oníricas, evocativas de um estado que se aproxima ao lisérgico - uma escrita pictórica sofisticada, similar ao expressionismo alemão. Trata-se, portanto, de um estudo que tem como fio condutor a exploração das camadas mais internas da protagonista, cujos incômodos e inquietações, figurados de forma única, tal qual uma pintura, configuram uma obra enigmática que desafia a leitura crítica
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 10.03.2025
  • Acesso à fonteAcesso à fonteDOI
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    • Versão do Documento: Versão publicada (Published version)
    • gold Status: Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)

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    • ABNT

      RIBEIRO, Raquel Monteiro Oguri e ROSENBAUM, Yudith. Enigmas e inquietações em "A cidade sitiada" de Clarice Lispector. 2025. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-21102025-154532/. Acesso em: 11 mar. 2026.
    • APA

      Ribeiro, R. M. O., & Rosenbaum, Y. (2025). Enigmas e inquietações em "A cidade sitiada" de Clarice Lispector (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-21102025-154532/
    • NLM

      Ribeiro RMO, Rosenbaum Y. Enigmas e inquietações em "A cidade sitiada" de Clarice Lispector [Internet]. 2025 ;[citado 2026 mar. 11 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-21102025-154532/
    • Vancouver

      Ribeiro RMO, Rosenbaum Y. Enigmas e inquietações em "A cidade sitiada" de Clarice Lispector [Internet]. 2025 ;[citado 2026 mar. 11 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-21102025-154532/

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