A obra-prima da exploração: normalização do trabalho precário, consentimento e resistência na gig economy (2024)
- Authors:
- Autor USP: TESSARINI JUNIOR, GERALDO - FEA
- Unidade: FEA
- Sigla do Departamento: EAD
- DOI: 10.11606/T.12.2024.tde-05022025-164855
- Subjects: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS; PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO; RESISTÊNCIA
- Keywords: Gig economy; Consent; Consentimento; Normalização do trabalho precário; Normalization of precarious work; Platform work; Resistance; Trabalho por plataformas
- Language: Português
- Abstract: O trabalho por plataformas no âmbito da chamada gig economy tem sido caracterizado como precário devido a diversos aspectos, como ausência de vínculo empregatício, insegurança financeira, pouca representatividade coletiva e más condições laborais. Nesta tese, avançamos em algumas lacunas teóricas a partir da discussão das diferentes reações dos trabalhadores à gig economy, conectando o campo das relações de trabalho ao das relações de poder. O objetivo geral da tese é compreender os fenômenos de normalização, consentimento e resistência na gig economy, considerando as relações com o contexto de trabalho precário e com as estratégias de gestão e controle dos trabalhadores adotadas pelas empresas-plataforma. Desdobramos o objetivo geral em três objetivos específicos que constituem os três estudos desta tese: um ensaio teórico e dois estudos empíricos desenvolvidos a partir de 27 entrevistas narrativas com motoristas e entregadores de aplicativos de todas as regiões do Brasil. No primeiro estudo, apresentamos um posicionamento crítico e reflexivo sobre a gig economy e construímos a metáfora da obra-prima da exploração para caracterizar um modelo de gestão desumanizado, sofisticado e flexível que oculta sua própria existência e permite às empresas-plataforma alcançar seu projeto de poder às custas do trabalho precário. No segundo estudo, a partir do método de análise de narrativas, discutimos as diferentes faces de precariedade na gig economy e apresentamos o conceito denormalização do trabalho precário, definido como um efeito decorrente das relações de poder que visa conformar o trabalho precário na gig economy como uma realidade aceitável, imutável e/ou inevitável. No último estudo, seguindo uma abordagem de grounded theory, discutimos os antecedentes e as manifestações das reações de consentimento e de resistência à gig economy, explorando aspectos presentes em nível organizacional, individual e coletivo. A partir desses estudos, apresentamos contribuições teóricas, metodológicas e sociais que avançam na compreensão das experiências de trabalho na gig economy, considerando seus atravessamentos nas subjetividades e comportamentos dos trabalhadores. Dessa forma, sustentamos a tese de que a gig economy é mais do que um novo modelo de relação de trabalho: é um fenômeno emergente de organização da vida social por meio de plataformas digitais. Esse fenômeno, denominado nesta tese de obra-prima da exploração, concebe um contexto de trabalho precário que é sustentado por um processo global de flexibilização laboral, e marcado pela ausência de vínculo empregatício, pela exploração e violência na rotina de trabalho e pela sofisticação das estratégias de gestão e controle (gestão algorítmica e cooptação) adotadas pelas empresas-plataforma. Esse contexto pode suscitar diferentes reações dos trabalhadores, como consentimento e resistência, que são atravessadas pelo fenômeno de normalização do trabalho precário
- Imprenta:
- Data da defesa: 06.12.2024
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
- Versão do Documento:
- Versão publicada (Published version)
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-
ABNT
TESSARINI JUNIOR, Geraldo. A obra-prima da exploração: normalização do trabalho precário, consentimento e resistência na gig economy. 2024. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2024. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-05022025-164855/. Acesso em: 16 abr. 2026. -
APA
Tessarini Junior, G. (2024). A obra-prima da exploração: normalização do trabalho precário, consentimento e resistência na gig economy (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-05022025-164855/ -
NLM
Tessarini Junior G. A obra-prima da exploração: normalização do trabalho precário, consentimento e resistência na gig economy [Internet]. 2024 ;[citado 2026 abr. 16 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-05022025-164855/ -
Vancouver
Tessarini Junior G. A obra-prima da exploração: normalização do trabalho precário, consentimento e resistência na gig economy [Internet]. 2024 ;[citado 2026 abr. 16 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-05022025-164855/ - GIG economy e gestão algorítmica de recursos humanos: forjando transparência, adequando comportamentos, ampliando o controle
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