"Um pé dentro, o outro fora": tempos, espaços e ritmos do confinamento extraprisional (2024)
- Authors:
- Autor USP: KLINK, ANA CLARA - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLA
- DOI: 10.11606/D.8.2024.tde-05122024-151411
- Subjects: PUNIÇÃO; PRISÃO
- Keywords: Anthropology of the State; Antropologia do Estado; Confinamento; Confinement; Execução penal; Penal execution
- Agências de fomento:
- Language: Português
- Abstract: O presente trabalho tem como objetivo responder à seguinte questão: como vidas, tempos e espaços são produzidos em função de vínculos com o sistema de justiça criminal externos aos muros prisionais? Parte-se, para isso, do acompanhamento etnográfico do cotidiano de indivíduos que, submetidos a diferentes formas de controle situadas entre a rua e a prisão – como liberdade provisória, livramento condicional e regime aberto –, gravitam ao redor da Associação de Familiares e Amigos/as de Presos/as (Amparar), coletivo paulistano dedicado ao acolhimento de pessoas afetadas pelo sistema de justiça criminal. Uma abordagem da punição a partir de suas margens (Das; Poole, 2004) permitiu concluir que, nos interstícios entre a rua e o cárcere, tempo e espaço são modulados em função de três elementos, articulados entre si: (i) o que se imagina (ou não) sobre o vínculo jurídico estabelecido com o Estado, tendo em vista ele operar por tramas de opacidade em suas margens; (ii) o que se escolhe e pode fazer, considerando recursos disponíveis e relações de poder; (iii) os efeitos de poder que os arranjos institucionais colocam sobre circuitos cotidianos, tanto no presente quanto no futuro.Ao considerar como o Estado é constituído e disputado por linhas de força que governam mundos locais, sugere-se que a "conexão estabelecida com o Estado" é fruto de negociações e agenciamentos entre o poder judiciário, o crime e a polícia, à sua forma responsáveis por incidir sobre as formas da punição verter sobre a vida cotidiana. E, ao discutir a atuação da Amparar, argumenta-se que "o que se escolhe e pode fazer" diante do Estado punitivo ganha outras alternativas com o devido apoio, capaz de traçar rotas de escape e linhas de fuga para vidas que, navegando por presentes precários e futuros incertos, parecem sempre em vias de voltar à prisão. Sugere-se, enfim, que os interstícios constituem um espaço-tempo tão particular quanto as prisões, tornando-se responsáveis por orientar desde a miudeza da vida cotidiana, em seus fluxos e relações com o mundo urbano, até projeções de vida e planos futuros. Com isso, são feitas, desfeitas e constantemente atravessadas fronteiras entre rua e prisão, iluminando a própria natureza do confinamento (e da liberdade) extraprisional
- Imprenta:
- Data da defesa: 05.07.2024
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
- Versão do Documento:
- Versão publicada (Published version)
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-
ABNT
KLINK, Ana Clara. "Um pé dentro, o outro fora": tempos, espaços e ritmos do confinamento extraprisional. 2024. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2024. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-05122024-151411/. Acesso em: 06 maio 2026. -
APA
Klink, A. C. (2024). "Um pé dentro, o outro fora": tempos, espaços e ritmos do confinamento extraprisional (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-05122024-151411/ -
NLM
Klink AC. "Um pé dentro, o outro fora": tempos, espaços e ritmos do confinamento extraprisional [Internet]. 2024 ;[citado 2026 maio 06 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-05122024-151411/ -
Vancouver
Klink AC. "Um pé dentro, o outro fora": tempos, espaços e ritmos do confinamento extraprisional [Internet]. 2024 ;[citado 2026 maio 06 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-05122024-151411/
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