A anta e o valentão: recepção da Ilíada em "Fatalidade" de J. Guimarães Rosa (2022)
- Autor:
- Autor USP: WERNER, CHRISTIAN - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- DOI: 10.34024/herodoto.2022.v7.14810
- Subjects: LITERATURA BRASILEIRA; LITERATURA GREGA CLÁSSICA
- Language: Português
- Abstract: Primeiras estórias é um volume de contos de J. Guimarães Rosa (1962),alguns deles usando de maneira empenhada a tradição clássica. “Famigerado”, por exemplo, evoca o episódio de Polifemo no canto 9 da Odisseia. O conto que eu discuto é “Fatalidade”, que envolve a Ilíada, especialmente o duelo entre Heitor e Aquiles. Ele conta a história de um estranho, o frágil José de Tal, de apelido Zé Centeralfe (trocadilho com center-half), que chega à casa do delegado local, nomeado Meu Amigo pelo narrador. Zé pede ajuda à autoridade para resolver seus problemas com o valentão Herculinão, o qual não para de importunar a esposa de Zé. O casal mudou duas vezes de povoado e acaba na cidade do delegado, o qual, durante boa parte desse curto conto, sugere por alguns modos não-verbais que José deveria matar o valentão. Mas, diferente de The man who shot Liberty Valance, duas são as armas que, quase ao fim, matam o valentão, a de Zé e a do Delegado, ambas disparadas virtualmente ao mesmo tempo. Imediatamente antes de Zé deixar a casa do delegado, este refere-se àquele como “nosso necessitado Aquiles”, explicitando a referência potencial à Ilíada, confirmada pelo papel que o delegado tem no tiroteio final como Atena. Mas ele também evoca Zeus na forma como fala sobre o destino. Os críticos divergem sobre o ponto de vista do narrador (cinismo? condenação crítica), todavia, para leitores que estabelecem o paralelo com a Ilíada(Aquiles perde Pátroclo por meio de seu próprio erro), a perda de José – ele perde sua tênue esperança na eficácia de uma lei impessoal é evidenciada. Não há lugar para a tática da anta esconder-se, mesmo que você seja grande – nem para um valentão.Ao mesmo tempo, Rosa talvez convide seus leitores a comparar o conto a seu grande épico Grande sertão: veredas ou reavaliá-lo à luz da sua obra posterior, contos gradualmente menores e mais elusivos
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ABNT
WERNER, Christian. A anta e o valentão: recepção da Ilíada em "Fatalidade" de J. Guimarães Rosa. Heródoto. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. Disponível em: https://biblio.fflch.usp.br/Werner_C_3144476_AAntaEOValentaoRecepcaoDaIliadaEmFatalidadedeJGuimaraesRosa.pdf. Acesso em: 30 jan. 2026. , 2022 -
APA
Werner, C. (2022). A anta e o valentão: recepção da Ilíada em "Fatalidade" de J. Guimarães Rosa. Heródoto. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. doi:10.34024/herodoto.2022.v7.14810 -
NLM
Werner C. A anta e o valentão: recepção da Ilíada em "Fatalidade" de J. Guimarães Rosa [Internet]. Heródoto. 2022 ; 7( 1): 21-41.[citado 2026 jan. 30 ] Available from: https://biblio.fflch.usp.br/Werner_C_3144476_AAntaEOValentaoRecepcaoDaIliadaEmFatalidadedeJGuimaraesRosa.pdf -
Vancouver
Werner C. A anta e o valentão: recepção da Ilíada em "Fatalidade" de J. Guimarães Rosa [Internet]. Heródoto. 2022 ; 7( 1): 21-41.[citado 2026 jan. 30 ] Available from: https://biblio.fflch.usp.br/Werner_C_3144476_AAntaEOValentaoRecepcaoDaIliadaEmFatalidadedeJGuimaraesRosa.pdf - As performances de Cassandra em Troianas de Eurípedes
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Informações sobre o DOI: 10.34024/herodoto.2022.v7.14810 (Fonte: oaDOI API)
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