Contexto geológico e evolução sedimentar quaternária das barreiras costeiras e sistema estuarino-lagunar associado de Cananeia - Iguape - Ilha Comprida (2018)
- Authors:
- Autor USP: GIANNINI, PAULO CESAR FONSECA - IGC
- Unidade: IGC
- Subjects: QUATERNÁRIO; SEDIMENTOLOGIA
- Language: Português
- Abstract: O sistema estuarino-lagunar e as barreiras costeiras da região de Cananeia-Iguape compõem o mais extenso domínio de sedimentação terrígena quaternária do Estado de São Paulo. Compreendem a laguna do Mar Pequeno, as desembocaduras de Cananeia, a sul, e de Icapara e Ribeira, a norte, e três barreiras na forma de ilhas: Cananeia, Comprida e Iguape, esta última isolada artificialmente pela abertura do Valo Grande no século XIX. A contribuição dos trabalhos do Prof. Setembrino no estudo do Cenozoico nesta região pode ser desmembrada em quatro tópicos: o contexto tectono-estrutural da sedimentação, com apoio em dados geofísicos; a análise da sucessão sedimentar e das unidades litoestratigráficas, com base em testemunhos de dezenas de metros de profundidade; a evolução sedimentar; e a intensa dinâmica sedimentar e sua fragilidade a intervenções antrópicas. Estes tópicos são adotados como roteiro para este capítulo. No aspecto da herança tectono-estrutural do embasamento, o sistema divide-se em dois domínios, separados pela serra do Momuna: o domínio sudoeste, com controle NE e NW e abrangendo toda a faixa costeira (Ilha Comprida), coincide com o chamado Gráben de Cananeia, desenvolvido no Paleógeno; o domínio nordeste corresponde ao anfiteatro de erosão remontante da escarpa da Serra do Mar esculpido pelo baixo curso do rio Ribeira de Iguape e afluentes, sob o que pode existir outro gráben paleógeno, mais interior. A sucessão sedimentar cenozoica encontrada nas áreas com barreiras costeiras arenosas divide-se em quatro unidades principais: (I) conglomerados e arenitos conglomeráticos continentais miocenos ou paleógenos (até 118 m de espessura); (II) lamas transicionais pleistocenas (até 14 m de espessura); (III) lamas marinhas pleistocenas (até 12 m de espessura); e (IV) areias finas muito bem selecionadas, marinhas regressivas, pleistocenas a holocenas (até 30 m de espessura). A história sedimentar da região noQuaternário tardio pode ser resumida em oito estágios principais: 1. formação de um sistema de pequenos estuários (menos de 20 km² cada um) e baías no pé da Serra do Mar durante a trangressão associada ao Último Interglacial (estágio 5e, ~120 ka AP), com deposição dos sedimentos da Unidade II; 2. individualização de duas grandes baías contíguas na máxima inundação, separadas pela serra do Momuna, com deposição das lamas marinhas da Unidade III; 2. transformação das baías em costas arenosas lineares dominadas por ondas e preenchimento por clinoformas progradantes, com deposição dos sedimentos da seção inferior da unidade IV; 4. esculpimento de vales incisos com até mais de uma dezena de metros de profundidade, até o Último Máximo Glacial (UMG), cerca de 21 ka atrás; 5. afogamento dos vales incisos durante a transgressão pós-glacial, com deposição de sedimentos estuarinos por sobre os depósitos fluviais e configuração da desembocadura de Cananeia e de grande parte do sistema estuarino-lagunar do baixo Ribeira; erosão, em simultâneo, nas porções de mar aberto da planície, dos terraços de cordões pleistocenos com altitude inferior a cerca de 4 m; 6. formação das planícies de cordões holocenos, correspondentes à parte superior da Unidade IV, incluindo o crescimento da Ilha Comprida por deriva litorânea longitudinal rumo NE, o desenvolvimento progressivo da laguna do Mar Pequeno à sua retaguarda e a progradação da planície costeira de Una-Jureia, com formação de pontais arenosos curvos associados a desembocaduras estuarino-lagunares; 7. intensificação da deposição eólica nos últimos 1000 a 2000 anos; 8. mudanças da dinâmica sedimentar da parte nordeste do mar Pequeno e do baixo rio Ribeira de Iguape induzidas pela abertura do Valo Grande, incluindo a migração acelerada, em rumos opostos, das desembocaduras de Icapara e Ribeira, até sua junção em 2009.
- Imprenta:
- Publisher: Sociedade Brasileira de Geologia
- Publisher place: São Paulo
- Date published: 2018
- Source:
- Título: Setembrino Petri: do Proterozoico ao Holoceno
- Volume/Número/Paginação/Ano: cap. 17, p. 405-451
-
ABNT
GIANNINI, Paulo César Fonseca et al. Contexto geológico e evolução sedimentar quaternária das barreiras costeiras e sistema estuarino-lagunar associado de Cananeia - Iguape - Ilha Comprida. Setembrino Petri: do Proterozoico ao Holoceno. Tradução . São Paulo: Sociedade Brasileira de Geologia, 2018. p. 405-451. Disponível em: https://repositorio.usp.br/directbitstream/624ba565-9a22-4484-b2c5-ee5606828ed6/2906176.pdf. Acesso em: 11 maio 2026. -
APA
Giannini, P. C. F., Guedes, C. C. F., Angulo, R. J., Nascimento Junior, D. R. do, Tanaka, A. P. B., Fornari, M., et al. (2018). Contexto geológico e evolução sedimentar quaternária das barreiras costeiras e sistema estuarino-lagunar associado de Cananeia - Iguape - Ilha Comprida. In Setembrino Petri: do Proterozoico ao Holoceno (p. 405-451). São Paulo: Sociedade Brasileira de Geologia. Recuperado de https://repositorio.usp.br/directbitstream/624ba565-9a22-4484-b2c5-ee5606828ed6/2906176.pdf -
NLM
Giannini PCF, Guedes CCF, Angulo RJ, Nascimento Junior DR do, Tanaka APB, Fornari M, Souza MC de, Bentz D. Contexto geológico e evolução sedimentar quaternária das barreiras costeiras e sistema estuarino-lagunar associado de Cananeia - Iguape - Ilha Comprida [Internet]. In: Setembrino Petri: do Proterozoico ao Holoceno. São Paulo: Sociedade Brasileira de Geologia; 2018. p. 405-451.[citado 2026 maio 11 ] Available from: https://repositorio.usp.br/directbitstream/624ba565-9a22-4484-b2c5-ee5606828ed6/2906176.pdf -
Vancouver
Giannini PCF, Guedes CCF, Angulo RJ, Nascimento Junior DR do, Tanaka APB, Fornari M, Souza MC de, Bentz D. Contexto geológico e evolução sedimentar quaternária das barreiras costeiras e sistema estuarino-lagunar associado de Cananeia - Iguape - Ilha Comprida [Internet]. In: Setembrino Petri: do Proterozoico ao Holoceno. São Paulo: Sociedade Brasileira de Geologia; 2018. p. 405-451.[citado 2026 maio 11 ] Available from: https://repositorio.usp.br/directbitstream/624ba565-9a22-4484-b2c5-ee5606828ed6/2906176.pdf - Sistemas deposicionais eólicos no Quaternário costeiro do Brasil
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