Convergências da organização auto&mitopoiética na educação de sensibilidade: multiversos da criação simbólica em Remédios Varo (2008)
- Authors:
- Autor USP: OLIVEIRA, JULIANA MICHELLI DA SILVA - FE
- Unidade: FE
- Sigla do Departamento: EDA
- Subjects: EDUCAÇÃO; MITOS; ARTES (EDUCAÇÃO); BIOLOGIA; IMAGINÁRIO
- Language: Português
- Abstract: Nesta pesquisa buscou-se ensaiar as convergências conceituais e imagéticas da organização biológica (autopoiese, Maturana; Varela) e da organização simbólica (mitopoiese) na educação de sensibilidade, visando inter-relacionar as dinâmicas corpóreas com as psíquicas. Em termos gerais, a autopoiese é um neologismo desenvolvido por Maturana e Varela que define o ser vivo como um circuito auto-organizativo fechado sobre si mesmo, que fabrica os elementos responsáveis por sua autoprodução; e a mitopoiese trata da criação e articulação de signos emocionais enraizados na motricidade corpórea, sendo o mito um registro da matriz da conformação da consciência humana (Cassirer). O estudo da autopoiese foi conduzido a partir de sua inserção epistemológica no paradigma da complexidade (Morin), do corpus da Biologia do Conhecer, dos elementos que a constituem e de sua imagem estruturante, citada pelos autores (Maturana; Varela). Os estudos iniciais da mitopoiese foram conduzidos pela mitohermenêutica da obra da pintora hispano-mexicana Remédios Varo (1908-1963), cujo complexo de imagens filia-se àqueles das noções de autopoiese e mitopoiese. A sutura dessas noções foi efetuada através dos conceitos de movimento inato, ritualização filogenética e cultural (Lorenz), schèmes corporais (Durand) e do estudo da origem da enformação consciencial na produção de realidades (ou "multiversos") igualmente válidas, a partir da Filosofia das Formas Simbólicas de Cassirer.A mitopoiese pode ser considerada uma unidade funcional equivalente à autopoiese. A relação que o intérprete estabelece com o mito, a poesia e a obra de arte equivale a uma relação entre seres autopoiéticos devido a re-significação simbólica da pessoa em um circuito recursivo (autopoiese simbólica). A imagem estruturante da organização biológica (autoprodução) e simbólica (vir a ser) é a do circuito fechado sobre si mesmo, expresso no oroboro (que deu origem à autopoiese) e Homo rodans (escultura de Varo que sintetiza as discussões sobre nomadismo existencial, em mitopoiese). Sabendo-se que os movimentos inatos endógenos são responsáveis pelas dinâmicas motrizes dos esquemas corporais, e estes, por sua vez, estimulam a constelação de imagens estruturantes das diferentes formas simbólicas (mito, linguagem, arte, ciência), desconsiderar o corpo na atividades educativas limita o potencial de interpretação e criação humanas. As formas simbólicas que estimulam a emoção em suas atividades (mito, arte e poesia) atuam intensamente nas transformações de conduta (espaço de ação), o que ocorre de maneira inversa naquelas formas simbólicas que, sob o argumento de objetividade, negam a emoção.
- Imprenta:
- Data da defesa: 01.04.2008
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ABNT
OLIVEIRA, Juliana Michelli Silva. Convergências da organização auto&mitopoiética na educação de sensibilidade: multiversos da criação simbólica em Remédios Varo. 2008. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. . Acesso em: 26 jan. 2026. -
APA
Oliveira, J. M. S. (2008). Convergências da organização auto&mitopoiética na educação de sensibilidade: multiversos da criação simbólica em Remédios Varo (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. -
NLM
Oliveira JMS. Convergências da organização auto&mitopoiética na educação de sensibilidade: multiversos da criação simbólica em Remédios Varo. 2008 ;[citado 2026 jan. 26 ] -
Vancouver
Oliveira JMS. Convergências da organização auto&mitopoiética na educação de sensibilidade: multiversos da criação simbólica em Remédios Varo. 2008 ;[citado 2026 jan. 26 ]
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