Caracterização dos pontos de quebra em pacientes com deleção do segmento 15q11-q13 e em pacientes com inv dup(15) e suas conseqüências fenotípicas (2004)
- Authors:
- Autor USP: VARELA, MONICA CASTRO - IB
- Unidade: IB
- Sigla do Departamento: BIO
- Subjects: SÍNDROME DE ANGELMAN; FENÓTIPOS (VARIAÇÃO); RETARDO MENTAL SEVERO; DISTÚRBIOS DO COMPORTAMENTO
- Language: Português
- Abstract: As síndromes de Prader-Willi (PWS) e Angelman (AS) são distúrbios neurocomportamentais distintos resultantes de defeitos moleculares no segmento 15q11-q13, que está sob o efeito do imprinting. A PWS resulta da perda de função de genes expressos no cromossomo paterno, enquanto a AS é causada pela perda de pelo menos um gene expresso no cromossomo materno (UBE3A). O segmento 15q11q13 é meioticamente instável e está relacionado a uma série de rearranjos citogenéticos, sendo o mais freqüente uma deleção de 4Mb, encontrada em 75% dos pacientes PWS/AS. trabalhos relativamente recentes mostraram que 95% dos pacientes apresentavam quebras em BP3, e os 5% restantes, quebras em BP4. Quebras em BP5 foram detectadas em casos com inv dup(15), duplicações e triplicações intersticiais do segmento 15q11q13. Apresentamos aqui a investigação molecular dos pontos de quebra em 97 pacientes com deleção (51 PWS e 46 AS). A investigação da extensão da seleção foi realizada pela análise de marcadores de microssatélites mapeados no segmento 15q11-q14. Não foram observadas diferenças significativas nas localizações das quebras das deleções herdadas paternalmente ou maternalmente na PWS ou AS, respectivamente. Dos 97 pacientes analisados para a detecção do ponto de quebra proximal, 89 foram informativos: 31,46% (28/89) dos pacientes da nossa amostra apresentaram quebra em BP1 (deleção proximal aos marcadores D15S541/542), 68,54% (61/89) em BP2 (entre os marcadores D15S541/542 eD15S543/D15S11). Em relação à quebra distal, verificou-se que 94,45% (85/90) dos pacientes com resultados informativos apresentaram quebra em BP3 (proximal aos marcadores D15S1048/1019); 3,33% (3/90) apresentaram quebra em BP4 e 2,22% (2/90) em BP5. Em resumo, nós encontramos 5 pontos de quebra nos pacientes PWS/AS com deleção (BP1 a BP5). A síndrome de Prader-Willi (PWS - hipotonia com dificuldade de sucção no período neonatal, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM), hiperfagia, obsidade, baixa estatura em adolescentes, mãos e pés pequenos, hipogonadismo, dificuldades no aprendizado e comportamento obssessivo-compulsivo) pode resultar de três mecanismoc diferentes: deleção (del) paterna do segmento 15q11-q13, dissomia uniparental (UPD) materna ou mutações no centro de imprinting. Neste trabalho descrevemos a variabilidade fenotípica e comportamental observada em 51 pacientes com diferentes classes de delção (11 BP1-BP3, 32 BP2-BP3, 1 BP1-BP4, 1 BP1-BP5, 6 inconclusivos) e 24 pacientes com UPD. O diagnóstico foi obtido por meio da análise do padrão de metilação do exon 1 do gene SNRPN-SNURF e pela análise de microssatélites internos e externos ao segmento 15q11-q13. Não foram observadas diferenças significativas nas freqüências das características fenotípicas entre as diferentes classes de deleção. No entanto, os problemas de comportamento foram discretamente mais freqüentes nos pacientes da Classe I em relação aospacientes da Classe II. Além disso a fala teve início mais tardio nos pacientes da classe I ('4 POT.4/12' anos) em relação à Calsse II ('3 POT.3/12' anos). A comparação entre o grupo de pacientes com deleção e o grupo com UPD mostrou que as crianças com UPD apresentaram menor peso ao nascimento e começaram a andar mais cedo (em média aos 2 anos), enquanto que a média da idade do início da deabulação nos pacientes com deleção foi de '2 POT.5/12' anos. Pacientes com deleção apresentam maior incidência de convulsões (45%), esta característica estava presente em apenas 7,14% dos pacientes com UPD. O limiar alto para a dor mostrou uma tendência a ser significativamente mais freqüente nos pacientes com UPD (75% dos pacientes com UPD X 50% dos casos com deleção). Como esperado, a média de idade materna da classe com UPD foi mais elevada em relação à classe com deleção. Esse aumento da idade materna está associado a eventos de não-disjunção na meiose, que podem resultar em fetos com UPD. Não observamos diferenças estatisticamente significativas entre as duas classes de pacientes com relação às características consideradas básicas para suspeita clínica de PWS, dentre elas hipotonia, dificuldade de sucção, atraso do DNPM e facies peculiar. A síndorme de Angleman (AS) pode resultar de deleção (del) materna do segmento 15q11-q13, dissonia uniparental (UPD) paterna, mutações no centro de imprinting ou mutações no gene UBE3A. Neste trabalhodescrevemos a variabilidade fenotípica e comportamental observada em 49 pacientes com diferentes classes de deleção (13 BP1-BP3, 22 BP2-BP3, 2 BP2-BP4, 1 BP2-BP5, 11 inconclusivos) e 9 pacientes com UPD. O diagnóstico obtido por meio da análise do padrão de metilação do exon 1 do gene SNRPN-SNURF e pela análise de microssatélites internos e externos aos segmento 15q11-q13. As principais características da síndrome (atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, retardamento mental grave, macrostomia, risadas facilmente motivadas e andar atáxico) estavam presentes em todos os pacientes com deleção. Refluxos recorrentes, braquicefalia, alguma capacidade de comunicação e hiperatividade foram mais freqüentes nos pacientes com deleção BP2-BP3, enquanto que ausência completa de fala e microcefalia foram mais freqüentes nos pacientes com deleção BP1-BP3. Recentemente foram mapeados 4 genes entre os pontos de quebra BP1 e BP2 (NIPA1, NIPA2, CYF1P1 d GCP5), mas, até o momento a função destes genes não é conhecida. Os nossos dados sugerem que possam estar relacionados aos distúrbios de fala e ao desenvolvimento nuripsicomotor, uma vez que 100% dos pacientes com deleção BP1-BP3 apresentam a perda desses quatro genes e completa ausência de fala, enquanto que 61,9% dos pacientes com deleção BP2-BP3 (que não engloba esses genes) são capazes de pronunciar poucas palavras. Estudos anteriores haviam mostrado que pacientes com UPD apresentavam quadromenos grave em relação aos pacientes com deleção, uma vez que crianças com UPD apresentavam melhor crescimento, crises de epilipsia tardias ou ausentes, menos ataxia e melhor desenvolvimento cognitivo. Além disso, no presente estudo, nós observamos que pacientes com deleção apresentaram maior incidência de refluxos (73,9% del; 22,2%UPD), hipotonia (73,3% del; 28,57%UPD), ausência de fala (91,5% del; 66,6%UPD), microcefalia (54,35% del; 11,1% UPD), dentes pequenos e espaços (87,2% del; 62,5% UPD), e risos facilmente motivados (95,8% del; 77,7% UPD). Além das diferenças descritas acima, os parâmetros de peso (55,5%UPD; 17,5% del), altura (44,5% UPD; 139% del), e PC (33,3% UPD; 2,17%del) acima do percentil 75 foram mais freqëntes entre os pacientes com UPD. A observação do fenótipo mais grave dos pacientes com deleção em relação aos pacientes com UPD corrobora a hipótese de que o fenótipo mais grave presente nos primeiros deve ser causado pela haploinsuficiência de outros genes no segmento perdido. Devido ao fato dos pacientes com UPD apresentarem características clínicas menos típicas, possivelmente muitos não estejam sendo diagnosticados. A síndrome de Prader-Willi (PWS) é um distúrbio neurocomportamental causado por deleções no segmento 15q11-q13, dissomia uniparental (UPD) materna do cromossomo 15 ou mutações no centro de imprinting. Rearranjos estruturais do cromossomo 15 ocorrem em aproximadamente 5% dos pacientes com quadro típico ou atípico de PWS.Apresentamos aqui um menino de 8 anos com diagnóstico cåínico de PWS, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM), ausência de fala e retardamento mental grave estudado por técnicas citogenéticas e moleculares, portador de um caiótipo de novo não-equilibrado 45,XY,der(4)t(4;15)(q35;q13),-15 detectado por bandamento GTG. O paciente foi diagnosticado pelo teste do padrão de metilação do exon 1 do gene SNURF-SNRPN. A extensão das deleções nos cromossomos 4 e 15 foi investigada pela análise de marcadores de microssatélites localizados nas regiões 4qter e 15q11-q14. A deleção no cromossomo 4 foi distal ao marcador D4S1652, e no cromossomo 15 entre os marcadores D15S1043 e D15S1010. A gravidade do quadro clínico no nosso paciente é decorrente do tamanho da deleção detectada no cromossomo 15, maior do que a gerlamente observada nos pacientes com PWS, embora não possamos excluir totalmente a perda da região terminal do cromossomo 4 como causa adicional. O ponto de quebra no cromossomo 4 foi localizado na região subtelomérica, muito próximo ao telômero, uma região que tem sido descrita como uma das que apresentam a menor concentração de genes no genoma humano. Cromossomos marcadores supernumerários são relativamente freqüentes na espécie humana, aprocimadamente 81% são derivados de cromossomos acrocêntricos, sendo que os inv dup(15) são os mais comuns (ocorrem em 'DA ORDEM DE'0,02% dos nascidos vivos). Pacientes com inv dup(15) que apresentam aregião crítica das síndromes de Prder-Willi (PWS) e Angelman (AS) gerlamente apresentam hipotonia, retardamento mental, convulsões, atraso no crescimento, autismo e outras características dismórficas. Aqui nós apresentamos 3 meninas (pacientes 1, 2 e 4, com 9, '8 POT.5/12' e 7 anos, respectivamente e 1 menino (paciente 3, 2 anos) com inv dup(15). Análises de bandamento GTG mostraram a presença de um cromossomo marcador supernumerário que tinha o tamanho aproximado ao de um cromossomo do grupo G. Os pais apresentaram cariótipos normais. FISH com a sonda D15Z1 (alfóde) e com sondas de cópia única (GABRB3 e SNRPN), situadas no segmento 15q11-q13, apresentaram duas marcações no cromossomo marcador e nos dois cromossomos 15 normais. A análise do padrão de metilação do exon 1 do gene SNURF-SNRPN encluiu o diagnóstico de PWS ou AS nos 4 pacientes. As pacientes 1, 2 e 4 apresentaram um aumento na intensidade da banda materna, indicando a origem materna do cromossomo marcador. As análises de microssatélites (D15S542, D15S113, D15S1019, D15S165, D15S1031 e D15S1010) mostraram 3 alelos em pelo menos um dos locos, confirmando a origem materna do cromossomo marcador nas pacientes 1,2 e 4; o estudo dos microssatélites do paciente 3 não foi informativo. Os pacientes 1,2 e 3 apresentaram hipotonia, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM), retardamento mental grave, convulsões, ausência de fala e andar atáxico. A paciente 4 apresentou hipotonia, atraso doDNPM, ausência de convulsões e fala normal. Todos os pacientes apresentavam 4 cópias da região PWS/AS. Os inv dup(15) dos pacientes 2 e 3 apresentaram o ponto de quebra em BP5, enquanto que o da paciente 4 apresentou quebra em BP4. Em resumo, apresentamos aqui um estudo molecular, citogenético e fenotípico de 4 pacientes portadores de inv dup(15) grandes. Estudos de correlação entre a extensão dos cromossomos marcadores e o fenótipo de um maior número de pacientes, além da identificação dos genes presentes na região, são necessários para que se possa compreender as causas da variabilidade fenotípica
- Imprenta:
- Data da defesa: 16.04.2004
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ABNT
VARELLA, Monica Castro. Caracterização dos pontos de quebra em pacientes com deleção do segmento 15q11-q13 e em pacientes com inv dup(15) e suas conseqüências fenotípicas. 2004. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004. . Acesso em: 16 fev. 2026. -
APA
Varella, M. C. (2004). Caracterização dos pontos de quebra em pacientes com deleção do segmento 15q11-q13 e em pacientes com inv dup(15) e suas conseqüências fenotípicas (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. -
NLM
Varella MC. Caracterização dos pontos de quebra em pacientes com deleção do segmento 15q11-q13 e em pacientes com inv dup(15) e suas conseqüências fenotípicas. 2004 ;[citado 2026 fev. 16 ] -
Vancouver
Varella MC. Caracterização dos pontos de quebra em pacientes com deleção do segmento 15q11-q13 e em pacientes com inv dup(15) e suas conseqüências fenotípicas. 2004 ;[citado 2026 fev. 16 ]
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