Exportar registro bibliográfico

Profissionais, rivais e sobreviventes: intersecções entre gênero e violência nas narrativas de meninas autoras de atos infracionais violentos (2017)

  • Autores:
  • Autor USP: OTTO, NATALIA BITTENCOURT - FFLCH
  • Unidade: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FSL
  • Assuntos: VIOLÊNCIA; MULHERES; MENOR INFRATOR
  • Palavras-chave do autor: Adolescentes em conflito com a lei; Juvenile offenders
  • Idioma: Português
  • Resumo: Esta pesquisa tem como objeto narrativas biográficas de meninas autoras de violência física. Analiso 22 narrativas biográficas de adolescentes mulheres cumprindo medida socioeducativa pelo cometimento de atos de violência física (homicídio, tentativa de homicídio, latrocínio e sequestro) no Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino do Rio Grande do Sul (Casef-RS). Busco entender de que forma as experiências de violência (tanto sofridas quanto praticadas), as representações e as práticas de gênero figuram e se interseccionam nas narrativas biográficas das adolescentes entrevistadas. Analiso os tipos de relação que as adolescentes estabelecem entre violência física e sua posição como mulher nos espaços sociais por que transitam. Interessa-me entender como práticas e representações de gênero aparentemente contrárias à feminilidade enfatizada (como é o caso da violência física) são reguladas e significadas dentro de seus contextos específicos. Procuro apreender as condições em que o cometimento de violência é significado, pelas adolescentes, como coerente com sua posição como mulher, e em que condições isso não ocorre. Nesse sentido, esta pesquisa se insere nos debates sobre a prevalência da agência (a resistência) ou da estrutura social (a vitimização) nas práticas e representações de mulheres autoras de violência. Como referencial teórico-metodológico, utilizo a teoria das práticas de Pierre Bourdieu. Diante da importância da análise de narrativas de mulherescriminalizadas para apreender tanto as estruturas sociais quanto os sentidos subjetivos que elas atribuem à violência, utilizo o conceito de habitus narrativo desenvolvido por Fleetwood, a partir do qual procuro conciliar as proposições de Bourdieu com a análise narrativa. Neste trabalho, analiso em profundidade oito narrativas, divididas em quatro grupos. Para cada grupo, foram selecionados relatos que estabelecem relações específicas entre feminilidade e cometimento de violência. São esses grupos: (i) narrativas de meninas envolvidas diretamente com o tráfico de drogas; (ii) de meninas que cometeram atos violentos contra outras mulheres; (iii) de meninas que foram obrigadas a cometer os atos pelos quais cumprem medida socioeducativa; e (iv) de meninas que cometeram violência em defesa própria ou de outras pessoas. Concluo que o cometimento de violência por parte das meninas é compreendido por elas como coerente com a manutenção de sua feminilidade em determinados contextos. Assim, certas práticas violentas não fazem delas menos mulheres, tampouco são praticadas em resistência ou desacordo com suas percepções sobre o que cabe a uma menina fazer. As posições tomadas pelas meninas, em situações nas quais a violência é percebida como legítima e coerente com a feminilidade, são: (i) como profissionais, na tomada de responsabilidade em uma situação de trabalho no narcotráfico; (ii) como rivais ou esposas, agindo em prol da manutenção das relações monogâmicas heterossexuais e(iii) como sobreviventes, por necessidade imediata, autodefesa ou proteção de outros. Logo, argumento que não há por parte das meninas uma negação da feminilidade enfatizada. Proponho que o que ocorre é uma transformação e uma negociação das condições de reprodução desta feminilidade, em um processo que torna práticas violentas condizentes com a ordem de gênero de tais contextos
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 16.08.2017
  • Acesso à fonte
    Como citar
    A citação é gerada automaticamente e pode não estar totalmente de acordo com as normas

    • ABNT

      OTTO, Natalia Bittencourt; BLAY, Eva Alterman. Profissionais, rivais e sobreviventes: intersecções entre gênero e violência nas narrativas de meninas autoras de atos infracionais violentos. 2017.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-16022018-112536/ >.
    • APA

      Otto, N. B., & Blay, E. A. (2017). Profissionais, rivais e sobreviventes: intersecções entre gênero e violência nas narrativas de meninas autoras de atos infracionais violentos. Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-16022018-112536/
    • NLM

      Otto NB, Blay EA. Profissionais, rivais e sobreviventes: intersecções entre gênero e violência nas narrativas de meninas autoras de atos infracionais violentos [Internet]. 2017 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-16022018-112536/
    • Vancouver

      Otto NB, Blay EA. Profissionais, rivais e sobreviventes: intersecções entre gênero e violência nas narrativas de meninas autoras de atos infracionais violentos [Internet]. 2017 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-16022018-112536/

    Últimas obras dos mesmos autores vinculados com a USP cadastradas na BDPI:

    Biblioteca Digital de Produção Intelectual da Universidade de São Paulo     2012 - 2021