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Impacto da malformação fetal: enfrentamento e indicadores afetivos da gestante (2009)

  • Autores:
  • Autor USP: VASCONCELOS, LIVIA - FFCLRP
  • Unidade: FFCLRP
  • Sigla do Departamento: 594
  • Assuntos: GRAVIDEZ; COMPORTAMENTO DE APEGO (PSICOLOGIA); ENFRENTAMENTO; FETO; MALFORMAÇÕES
  • Idioma: Português
  • Resumo: A gestação é um fenômeno complexo que envolve fatores de diversas ordens. Este período é marcado por ansiedades específicas, sendo comuns fantasias, expectativas e projeções de anseios e desejos. A relação da mãe com o filho inicia-se no período pré-natal, basicamente por meio das interações possíveis de serem estabelecidas com o feto e das expectativas que ela tem sobre o bebê. Esta primeira experiência, para alguns teóricos serve de prelúdio para o apego materno fetal que se estabelecerá depois do nascimento e, portanto, deve ser bem compreendida. Com o avanço tecnológico, o diagnóstico pré-natal tomou-se cada vez mais preciso, possibilitando detectar determinadas anomalias congênitas antes do nascimento. A notícia de uma malformação fetal pode causar reações de depressão, rejeição e rompimento do apego, seja transitório ou permanente desencadeando grande estresse físico e emocional, em que uma turbulência de sentimentos faz-se presente. Conhecer o nível do apego materno- fetal e as formas de enfrentamento utilizadas por essas gestantes, é fundamental, para que se possam estabelecer programas que efetivamente as ajudem neste período. Assim o objetivo deste estudo foi avaliar o grau de apego materno-fetal, os níveis de ansiedade e depressão e os modos de enfrentamento utilizados por gestantes cujo feto apresenta diagnóstico de malformação fetal. Este estudo foi realizado com 27 gestantes as quais foram atendidas nos serviços de ginecologia e obstetrícia de duascidades do estado de São Paulo/Br. Para coleta dos dados, foram utilizadas a Escala de Apego Materno-Fetal; o Inventário de Ansiedade (BAI) e Depressão (BDI) Beck e a Escala de Modos de Enfrentamento de Problemas -EMEP e um roteiro de entrevistas elaborado para atender os objetivos desta pesquisa. Os resultados dos instrumentos foram analisados quantitativamente de acordo com as normas estabelecidas de cada um deles e os dados das entrevistas foram transcritos na íntegra e analisados quantitativamente, com base no sistema quantitativo-interpretativo. Para comparar as variáveis numéricas entre os grupos, utilizou-se o Método da Analise de Variância (ANOVA) com teste post hoc de Bonferroni. Visando verificar possíveis correlações entre o grau de apego materno-fetal, os modos de enfrentamento e os indicadores emocionais, utilizou-se o Coeficiente de correlação de Pearson. Os resultados mostram, que apesar do impacto da notícia de malformação fetal e independente da religião, as gestantes mantiveram o apego com seus fetos, sendo que, na maioria delas, o grau de apego foi superior à média preconizada pelo instrumento. Em relação aos modos de enfrentamento, a estratégia de enfrentamento focalizado na Busca de Praticas Religiosas e/ou Pensamentos Fantasiosos, isto é, a estratégias que englobam sentimentos de esperança e fé diante do diagnóstico de malformação fetal foi a mais utilizada pelas gestantes deste estudo. Em relação aos indicadoresafetivos, a maioria das gestantes apresentou escores elevados para ansiedade, sendo que, para depressão, a maioria delas não apresentou indicadores clínicos. Os resultados da entrevista mostram que a maioria das gestantes relatou não terem planejado a gravidez, demonstram conhecimento sobre o diagnóstico e prognóstico da malformação fetal, sustentado nas explicações médicas recebidas. A maioria delas relatou ter ficado em "choque" após a confirmação da malformação fetal e oferecere~ explicações para a causa desta, no geral culpabilizantes, buscando algo em suas atitudes que possa ter desencadeado a malformação fetal. Esses resultados divergem dos obtidos na avaliação das estratégias de enfrentamento, onde nenhuma gestante utilizou o modo de enfrentamento focalizado na emoção, ou seja a culpabilidade, seja dela ou de terceiros. Quanto à conduta materna antes e depois do diagnóstico de malformação fetal, a maioria relatou mudança na relação mãe/feto e no seu cotidiano. Esses resultados são contrários aos obtidos na avaliação de apego materno-fetal onde as gestantes apresentaram o apego materno-fetal alto, acima do esperado. Pode-se concluir que mesmo frente ao diagnóstico de malformação fetal, as gestantes tendem a manter o apego materno-fetal, utilizam como principal estratégia de enfrentamento a busca pelas práticas religiosas. Os resultados obtidos demonstram a importância na compreensão da relação mãe-feto malformado e as estratégias deenfrentamento que envolvem essa relação, visando estabelecer programas de acompanhamento psicológico, propiciando apoio a estas gestantes, minimizando seu sofrimento e assim, auxiliando-as a tomar as decisões que se fazem necessárias
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 27.11.2009

  • Como citar
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    • ABNT

      VASCONCELOS, Lívia; PETEAN, Eucia Beatriz Lopes. Impacto da malformação fetal: enfrentamento e indicadores afetivos da gestante. 2009.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2009.
    • APA

      Vasconcelos, L., & Petean, E. B. L. (2009). Impacto da malformação fetal: enfrentamento e indicadores afetivos da gestante. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Vasconcelos L, Petean EBL. Impacto da malformação fetal: enfrentamento e indicadores afetivos da gestante. 2009 ;
    • Vancouver

      Vasconcelos L, Petean EBL. Impacto da malformação fetal: enfrentamento e indicadores afetivos da gestante. 2009 ;

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