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Interação entre abelhas e plantas da família Myrtaceae numa floresta de planície litorânea em Ubatuba-SP, Brasil (2002)

  • Autores:
  • Autor USP: FIDALGO, ADRIANA DE OLIVEIRA - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIE
  • Assuntos: ABELHAS; INTERAÇÃO PLANTA-INSETO
  • Idioma: Português
  • Resumo: A fenologia floral de seis espécies arbóreas simpátricas pertencentes à família Myrtaceae foi estudada na floresta de planície litorânea localizada no Núcleo Picinguaba, do Parque Estadual da Serra do Mar, em Ubatuba, SP ('44 GRAUS'48'W e '23 GRAUS'22'S). As espécies estudadas foram Eugenia speciosa (Eugeniiae), Gomidesia schaueriana, Myrcia fallax, Myrcia multiflora e Myrcia racemosa (Myrciinae) e Psidium cattleianum (Myrtinae). Durante um ano e meio, de setembro de 1999 a abril de 2001, o número total de flores de cada indivíduo foi estimado através da contagem de todas as flores presentes em um quadrante do mesmo. Os resultados foram relacionados aos padrões climáticos da região. O clima nos anos de estudo foi relativamente mais seco que o esperado para a região, sendo 1999 o ano que apresentou meses com maior déficit hídrico. Três estações distintas foram observadas pela análise de cluster, realizada com os dados de temperatura e precipitação médias mensais para os últimos 10 anos na região. O início da floração em Myrtaceae ocorreu sempre na transição da estação menos úmida para a mais úmida (set/out). Assim, em ambos períodos de estudo, a florada das espécies ocorreu durante o período mais quente, úmido, e com maior número de horas de luz do ano (setembro a março). A seqüência em que as espécies floriram em cada ano também foi a mesma. No entanto, o momento de início, término, período mais intenso e sobreposição da floração das espécies diferiram de um ano paraoutro. O padrão de floração das espécies estudadas foi sazonal a parece ser influenciado tanto por faotres bióticos, como competição por polinizadores e filogenia, quanto por fatores abióticos, como comprimento do dia e precipitação. De setembro de 1999 a abril de 2000, a biologia de floral de 6 espécies arbóreas de Myrtaceae foi estudada em Picinguaba, Ubatuba-SP ('44 Graus'48'W e '23 GRAUS'22'S) incluindo 4 dos 6 gêneros listados para a região ) e as três subtribos desta família. Observações complementares foram realizadas de setembro de 2000 a abril de 2001 e de setembro de 2001 a março de 2002. Todas as espécies apresentavam flores com antese ao nascer do dia, e que duravam apenas um dia, e foram polinizadas por abelhas que realizavam vibração. Bombus morio (Apinae: Bombini) foi o visitante mais comum de todas as espécies, seguindo por Melipona rufiventris (Apinae: Meliponini). O comportamento destas espécies junto às flores indicou que ambas as são, potencialmente, polinizadoras efetivas das plantas estudadas, de acordo com a freqüência de visitas a cada uma delas. Abelhas da subfamilia Apinae tiveram maior representatividade em todas as espécies estudadas, e indivíduos da tribo Meliponini foram os visitantes mais freqüêntes em cinco das seis espécies estudadas. O número de espécies visitantes foi positivamente correlacionado com o número de indivíduos ('r IND.s'=0,906; p<0,001). A temperatura mostrou correlação negativa tanto com o número de espéciesvisitantes ('r IND.s'=-0,435; p<0,001), quanto com o número de indivíduos ('r IDN.s'=-0,481, p<0,001), assim como a intensidade luminosa ('r IND.s'=-0,333; p<0,01 e 'rIND.s'=-0,473; p<0,001, respectivamente). A umidade relativa não apresentou correlação significativa com o número de espécies e com o número de indivíduos ('rIND.s'=0,242, p>0,05 e 'rINDs'=o,257, p>0,05, respectivamente). As espécies de Myrtaceae estudadas foram classiicadas, através da relação pólen/óvulo, como xenógamas, ams quatro delas demostraram certo grau de autocompatibilidade. Gomidesia schaueriana (Myrtaceae) é uma árvore que floresce anualmente, oferecendo apenas pólen como recurso para seus visitantes; é polinizada por vibração e necessita de insetos para formar sementes. Bombus morio e Melipona rufiventris são dois de seus visitantes mais comuns. O padrão de visitas destes insetos, sua capacidade de distinguir ) e rejeitar flores recém visitadas e de transferir pólen entre flores foram estudados. B. morio visitou G. schaueriana das 5:30 às 10:00 hs, com pico entre 6:30 e 8:30 hs. Esta abelha revisita as flores com maior freqüência às 6:30 e às 8:30hs e as rejeita entre 8:00 e 8:30hs. As visitas de M. rufiventris ocorreram entre 5:30 e 06:15hs, com pico entre 5:45 e 6:00js, onde um maior número de flores foi rejeitado e revisitado. Apenas 5% das flores observadas foram rejeitadas por ambas as espécies. O número de rejeições de M. rufiventris foi maior quando a flor havia sidopreviamente visitada por um coespecífico. Em B. morio, o número de rejeições não foi influenciado pelo tipo de visitantes que havia estado na flor anteriormente. Em média, 6 flores foram visitadas uma única vez por B. morio e 1,9 por M. rufiventris. Poucas flores foram visitadas mais de uma vez, em média 2 para B.morio e 0,6 para M. rufiventris. O teste de Kolmogorov-Smirnov mostrou que houve diferença significativa, tanto para B. morio quanto para M. rufiventris, entre 0 e + 1 visitas ('D IND.máx'=0,533, p=0,0001 e 'D IND.max'=2, p<0,001) e entre 1 e +1 visitas ('D IND.máx'=0,517, p=0,0001 e 'D IND.max=0,542, p<0,001). Em uma única visita, estas espécies sempre depositaram pólen sobre os estigmas e o removeram das anteras das flores. Raramente houve deposição de pólen heteroespecífico. As duas espécies diferiram com relação à quantidade de pólen depositado e removido por visita M. rufiventris depositava em média mais pólen que B.morio ('X BARRA'= 24,13 e 'X BARRA'= 20,02; respectivamente). Por outro lado, B. morio removia cerca de duas vezes mais pólen que M. rufiventris ('X BARRA'= 361267 e 'X BARRA'=175533; respectivamente). Considerando a freqüência de visitas, o padrão de forrageiro e a capacidade de dispersão do pólen, B. morio parece ser um polinizador relativamente mais eficiente que M. rufiventris. Essas diferenças, no (Cntinua). ) entanto, não parecem limitar a produção de sementes por G. schaueriana. Este estudo descreve como o ambiente podeinfluenciar a quantidade e a qualidade dos recursos coletados por Melipona rufiventris. Esta espécie de abelha foi estudada em Ubatuba-SP (PESM, N. Picinguaba; '44 GRAUS'48'W, '23 GRAUS'22'S) de julho/00 a junh/01. Foram utilizadas duas colônias. Colônia 1 de Ubatuba e Colônia 2 de São Simão-SP. Estas colônias foram classificadas como forte (Colônia 1) e intermediária (Colônia 2), de acordo com as condições gerais, tamanho da população e dos favos e número de potes de alimento. Abelhas carregando pólen e/ou néctar eram capturadas na porta da colônia. As cargas de pólen foram contadas e separadas para acetólise. O néctar foi coletado com tubos capilares colocados entre as mandíbulas das abelhas, enquanto seu abdômen era pressionado. Seu volume foi anotado e a concentração de açúcares totais determinada através de refratômetro de bolso. Mensalmente, campeiras de cada uma das colônias foram capturadas por 5 minutos, a cada hora, do amanhecer ao entardecer. A temperatura do ar, a umidade relativa e a intensidade luminosa foram também registradas. Estes três parâmetros apresentam variação ao longo do dia na área de estudo. A temperatura foi máxima ao meio dia quando a intensidade luminosa era maior ('r IND.s'=0,310; p<0,01) e a umidade relativa mínima ('r IND.s'=-0,344; p<0,01). O número de cargas foi maior entre 70 -90% de umidade e entre 18 - '23 GRAUS C' de temperatura do ar. O número de cargas de pólen aumentou com o aumento da umidade relativa ('r IND.s'=0,401;p<0,01) e altas temperaturas influenciaram negativamente seu número ('r IND.s'= -0,228; p<0,01). O número de cargas de néctar mostrou correlação positiva com a temperatura ('r IND.s'=0,244; p<0,01) e a intensidade luminosa ('r IND.s'=o,414; p<0,01). A concentração de açúcares totais do néctar coletado por Melipona rufiventris ) apresentou correlação positiva com a temperatura e intensidade luminosa ('rIND.s'=0,361; p<0,01 e 'r IND.s=0,245; p<0,01) e negativa com a umidade relativa ('r IND.s'=-0,629; p<0,01) e tendeu a aumentar ao longo do dia. A concentração da maioria das cargas variou entre 11 e 30% ou pouco mais do que isto, 24,7% em média. O volume não apresentou um padrão definido de variação. As fontes de pólen mais importatnes observadas foram Sapindaceae, Anacardiaceae, Rubiaceae, Arecaceae, Solanaceae e Myrtaceae e as de néctar, Sapindaceae, Fabaceae, Rubiaceae, Areaceae e Solanaceae
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 29.10.2002

  • Como citar
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    • ABNT

      FIDALGO, Adriana de Oliveira; KLEINERT, Astrid de Matos Peixoto. Interação entre abelhas e plantas da família Myrtaceae numa floresta de planície litorânea em Ubatuba-SP, Brasil. 2002.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
    • APA

      Fidalgo, A. de O., & Kleinert, A. de M. P. (2002). Interação entre abelhas e plantas da família Myrtaceae numa floresta de planície litorânea em Ubatuba-SP, Brasil. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Fidalgo A de O, Kleinert A de MP. Interação entre abelhas e plantas da família Myrtaceae numa floresta de planície litorânea em Ubatuba-SP, Brasil. 2002 ;
    • Vancouver

      Fidalgo A de O, Kleinert A de MP. Interação entre abelhas e plantas da família Myrtaceae numa floresta de planície litorânea em Ubatuba-SP, Brasil. 2002 ;

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