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Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública (2002)

  • Autores:
  • Autor USP: COSTA, FERNANDO BRAGA DA - IP
  • Unidade: IP
  • Sigla do Departamento: PST
  • Assuntos: TRABALHADOR; PSICOLOGIA SOCIAL
  • Idioma: Português
  • Resumo: Através de dados materiais, subjetivos e intersubjetivos, caracterizamos e discutimos um problema de Psicologia Social: a invisibilidade pública. O pesquisador conduziu-se pelo caminho da observação participante segundo o regime de uma pesquisa etnográfica, um dos procedimentos metódicos dos mais encarecidos em Psicologia Social. Tal método supôs o desempenho do oficio de gari pelo próprio pesquisador, durante seis anos e semanalmente. A invisibilidade pública é fenômeno que não pode ser suficiente e certeiramente investigado à distância do oprimido, à distância de quem vive por dentro sua ação corrosiva. Esta pesquisa inscreveu-se em dois níveis de investigação psicossocial: 1) Investigação participante de uma modalidade de trabalho não qualificado e subalterno (o trabalho de garis). Descrevemos, narramos e analisamos a operação de mecanismos sociais de reificação e subalternização no trabalho dos garis: o modo como são reprodutores e geradores de invisibilidade pública. Será reconhecível, em conteúdo e extensão, o quanto foi este o nível privilegiado de investigação nesta dissertação de mestrado. 2) Investigação participante da aproximação entre pesquisador e trabalhadores pobres. Buscamos descrever, narrar e analisar a existência de barreiras e aberturas psicossociais operantes no encontro e na comunicação entre o pesquisador e os garis. Será reconhecível, neste nível de investigação, o caráter de um exame apenas preliminar: seu desenvolvimento mais satisfatório,acompanhado de informações de campo ainda inéditas, corresponderá ao que pretendemos melhor desenvolver em regime de doutorado. Os dois níveis de investigação que discriminamos, todavia, comunicam-se: o exame do trabalho dos garis e o exame de nosso encontro com eles, como verificamos, são exames que várias vezes exigem-se e iluminam-se mutuamente; a despeito da ênfase posta sobre o primeiro exame, impossível que não antecipássemos já algo a ) respeito do segundo. Filiamo-nos à pesquisa de José Moura Gonçalves Filho, quem nos propõe o fato e o sentimento da invisibilidade pública como componentes decisivos do que o autor tem caracterizado como humilhação social, este sofrimento de rebaixamento político, moral e psicológico longamente experimentado por cidadãos das classes pobres. Neste trabalho, procuramos sustentar que: A invisibilidade pública é sustentada por motivações psicossociais, por antagonismos de classe mais ou menos conscientes. O olhar personalizante, olhar de reconhecimento interpessoal, perde espaço para o olhar humilhante, olhar objetivante, olhar reificado e reificante. A invisibilidade pública é cegueira psicossocial, parece ser tanto mais automatizada quanto menor for o sentimento de comunidade que o cego tenha com o indivíduo que não foi visto. Parece haver mais consciência do cego sobre sua cegueira quanto maior for o grau de comunidade em que ele possa ingressar com quem ficou apagado. O viveiro - onde se localiza o vestiário dos garis, lugarfisica e psicossocialmente escondido dentro da USP - representa um sinal paradoxal - de estrangeiridade e de comunidade, de segregação e reunião. O meio de transporte, a irremediável exposição do corpo às variações de temperatura e condições climáticas gerais, as ferramentas disponíveis, o contato direto do corpo com o lixo, o comando hierárquico, tudo isso determina condições materiais e subjetivas de trabalho nas quais reconhecemos signos de opressão e rebaixamento. A força da hierarquia dentro da Prefeitura Universitária se alimenta da necessidade de subsistência de cada trabalhador. As retaliações, a ameaça, intimidam e fazem silenciar. A experiência de sujeição faz falar no corpo e no olhar suas respostas mais violentas: O corpo e o olhar dos garis podem parecer sem vida, quase petrificados: sintomas dos freqüentes impactos traumáticos: experiências pontiagudas de ) rebaixamento político. Neste trabalho, vimo-nos especialmente orientados por Ecléa Bosi, Georg Luckács, Gilberto Safra, Jean Laplanche, José Moura Gonçalves Filho, Lucien Goldmann, Simone Weil e Sylvia Leser de Mello
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 08.11.2002

  • Como citar
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    • ABNT

      COSTA, Fernando Braga da; GONÇALVES FILHO, José Moura. Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública. 2002.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
    • APA

      Costa, F. B. da, & Gonçalves Filho, J. M. (2002). Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Costa FB da, Gonçalves Filho JM. Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública. 2002 ;
    • Vancouver

      Costa FB da, Gonçalves Filho JM. Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública. 2002 ;


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