Trajetória e impacto dos sintomas persistentes da COVID-19 na perda funcional, quedas e uso do sistema de saúde após a alta hospitalar em adultos com 50 anos ou mais: um estudo de coorte prospectivo (2025)
- Authors:
- Autor USP: DIAS, MURILO BACCHINI - FM
- Unidade: FM
- DOI: 10.11606/T.5.2025.tde-04022026-130938
- Subjects: CAPACIDADE FUNCIONAL; COVID-19; HOSPITALIZAÇÃO
- Keywords: COVID longa; Emergency department visits; Falls; Functional status; Hospitalization; Long COVID; Persistent symptoms; Quedas; Sintomas persistentes; Visitas ao pronto-socorro
- Language: Português
- Abstract: Introdução: A hospitalização por doenças agudas pode representar um ponto de inflexão na trajetória de saúde de pessoas idosas, frequentemente associando-se ao surgimento de sintomas persistentes e à perda funcional. A COVID-19 afetou de forma desproporcional essa população, mas os efeitos de longo prazo desses sintomas seguem pouco explorados, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. A maioria dos estudos concentra-se em mortalidade ou desfechos biomédicos específicos, negligenciando indicadores centrados no paciente, como novas incapacidades, quedas e uso não planejado de serviços de saúde. Objetivos: Descrever a trajetória dos sintomas persistentes em pacientes hospitalizados por COVID-19, identificar seus preditores e examinar sua associação com desfechos centrados no paciente, incluindo declínio funcional, quedas, idas ao pronto-socorro (PS) e reinternações hospitalares durante o ano subsequente à alta hospitalar. Métodos: Foram incluídos pacientes com 50 anos ou mais que sobreviveram à hospitalização por COVID-19 entre março e dezembro de 2020, no âmbito da coorte prospectiva CO-FRAIL. Sintomas persistentes foram definidos como aqueles relatados na admissão e presentes de forma contínua nos acompanhamentos telefônicos realizados aos 1, 3, 6, 9 e 12 meses após a alta, abrangendo 16 sintomas. Os desfechos incluíram declínio funcional em atividades básicas da vida diária (ABVD), mobilidade, atividades instrumentais da vida diária (AIVD), número de quedas, idasao PS e reinternações. Regressão logística foi utilizada para identificar preditores da persistência sintomática. Modelos de regressão binomial negativa com efeitos mistos foram aplicados para avaliar as associações com os desfechos, ajustados por fatores sociodemográficos, clínicos, relacionados à hospitalização e à reabilitação pós-alta. Resultados: Entre os 1.019 pacientes incluídos (idade média = 65±10 anos; 45% mulheres; 62% brancos), 324 (32%) apresentaram sintomas persistentes ao longo do ano. Os mais frequentes foram fadiga (28%), mialgia (19%) e dispneia (13%). Sexo feminino, maior índice de massa corporal, admissão em unidade de terapia intensiva e internação prolongada foram preditores independentes. A presença de dois ou mais sintomas associou-se a maior risco de declínio funcional em mobilidade (razão de taxas de incidência [IRR] = 2,11; intervalo de confiança de 95% [IC95%]: 1,502,96), nas AIVD (RR = 2,00; IC95%: 1,442,79), no número de quedas (RR = 2,56; IC95%: 1,145,75) e nas idas ao PS (RR = 2,69; IC95%: 1,275,70), mas não com reinternações, quando comparados aos assintomáticos. Entre mulheres, 1 sintoma persistente associou-se a risco duas vezes maior de declínio em ABVD. Um ano após a alta, pacientes com 2 sintomas desenvolveram 1,27 novas incapacidades (3,26 vs. 1,99 em uma escala funcional de 15 pontos) e apresentaram 31 eventos não planejados a mais por 100 pessoas-ano (54 vs. 23), em comparação aos assintomáticos. Conclusão: Sintomas persistentes apóshospitalização por COVID-19 são comuns e estão associados ao declínio funcional, quedas e uso não planejado de serviços de saúde. Avaliar a carga sintomática pode apoiar a estratificação de risco e o planejamento do cuidado pós-alta, uma abordagem que merece ser explorada também em outras condições clínicas agudas em pessoas idosas
- Imprenta:
- Data da defesa: 03.09.2025
- Este periódico é de acesso aberto
- Este artigo NÃO é de acesso aberto
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ABNT
DIAS, Murilo Bacchini. Trajetória e impacto dos sintomas persistentes da COVID-19 na perda funcional, quedas e uso do sistema de saúde após a alta hospitalar em adultos com 50 anos ou mais: um estudo de coorte prospectivo. 2025. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-04022026-130938/. Acesso em: 09 fev. 2026. -
APA
Dias, M. B. (2025). Trajetória e impacto dos sintomas persistentes da COVID-19 na perda funcional, quedas e uso do sistema de saúde após a alta hospitalar em adultos com 50 anos ou mais: um estudo de coorte prospectivo (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-04022026-130938/ -
NLM
Dias MB. Trajetória e impacto dos sintomas persistentes da COVID-19 na perda funcional, quedas e uso do sistema de saúde após a alta hospitalar em adultos com 50 anos ou mais: um estudo de coorte prospectivo [Internet]. 2025 ;[citado 2026 fev. 09 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-04022026-130938/ -
Vancouver
Dias MB. Trajetória e impacto dos sintomas persistentes da COVID-19 na perda funcional, quedas e uso do sistema de saúde após a alta hospitalar em adultos com 50 anos ou mais: um estudo de coorte prospectivo [Internet]. 2025 ;[citado 2026 fev. 09 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-04022026-130938/
Informações sobre o DOI: 10.11606/T.5.2025.tde-04022026-130938 (Fonte: oaDOI API)
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