Desafios e perspectivas na construção de um atendimento antirracista na saúde materna de mulheres negras no Brasil: tecendo transformações (2025)
- Authors:
- Autor USP: CAMARGO, NATHALYA FONSECA - FSP
- Unidade: FSP
- Sigla do Departamento: HSO
- DOI: 10.11606/D.6.2025.tde-10122025-200009
- Subjects: NEGROS; SAÚDE DA MULHER; RACISMO; HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA; PARTO; VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA; EQUIDADE
- Keywords: Cuidados Culturalmente Sensíveis; Equidade em Saúde; Parto Humanizado; Racismo Obstétrico; Saúde da População Negra; Violência Institucional
- Agências de fomento:
- Language: Português
- Abstract: Introdução. Esta dissertação analisa as práticas obstétricas discriminatórias sob a perspectiva de mulheres negras, inserindo-se no campo da saúde coletiva e dos estudos interseccionais sobre gênero, raça e saúde. A investigação parte da urgência em evidenciar como o racismo estrutura práticas de cuidado e impacta os corpos e subjetividades de mulheres negras durante o ciclo gravídico-puerperal. Justificativa. A invisibilidade dessas experiências nos espaços de formulação de políticas públicas e na produção científica reforça a necessidade de estudos comprometidos com a escuta qualificada, o protagonismo e os saberes dessas mulheres. Trazer essas narrativas à tona é fundamental para tensionar os modelos vigentes de atenção obstétrica e propor práticas antirracistas no cuidado à saúde materna. Objetivos. O principal desta pesquisa foi compreender como o racismo obstétrico se manifesta nas experiências de mulheres negras e quais estratégias elas utilizam para resistir, proteger-se e produzir cuidado. Como objetivos específicos, buscou-se identificar práticas obstétricas marcadas por discriminação racial; analisar as formas de resistência e autocuidado acionadas pelas mulheres; e refletir sobre os atravessamentos de classe, gênero, espiritualidade e território nas experiências relatadas.Metodologia. Trata-se de um estudo qualitativo, baseado em entrevistas semiestruturadas com 16 mulheres negras, residentes em São Paulo e região metropolitana, que vivenciaram o ciclo gravídico-puerperal nos últimos cinco anos. O referencial teórico adotado articula epistemologias africanas, teoria crítica racial, análise temática interseccional e estudos sobre gênero e saúde. A análise foi realizada por meio da técnica de análise temática, com codificação interseccional das narrativas. Resultados. Os resultados revelaram que, embora muitas participantes não nomeiem diretamente suas vivências como racismo, as marcas da violência obstétrica racializada se manifestou de diversas maneiras. Observou-se que o racismo clínico está presente tanto no setor público quanto no privado, com expressões distintas -- a medicalização silenciosa no setor privado e a negligência e rotatividade profissional no setor público. Discussão. Mesmo diante das violências sofridas, as mulheres negras constroem formas coletivas de proteção e resistência. Essas estratégias incluem a oralidade, a espiritualidade, o uso de planos de parto, a mobilização em redes sociais e a escolha ativa de profissionais e instituições. Tais práticas revelam o protagonismo das mulheres negras diante de sistemas de saúde historicamente excludentes. As experiências relatadas reforçam a importância do acolhimento, da escuta ativa, do cuidado culturalmente sensível e da valorização dos saberes ancestrais como fundamentos para a transformação da assistência obstétrica.Conclusões. A dissertação propõe contribuições práticas e políticas, como a inclusão obrigatória da formação antirracista nos cursos da área da saúde; a criação de protocolos clínicos com indicadores raciais e de gênero; a valorização de doulas e obstetrizes negras; o fortalecimento da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra; e a criação de ouvidorias especializadas em racismo obstétrico. Conduzida por uma mulher negra, mãe, obstetriz e ativista, esta pesquisa é também um ato de denúncia e de afirmação do direito das mulheres negras a uma maternidade segura, desejada e respeitada
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- Data da defesa: 06.10.2025
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Status: Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access) -
ABNT
CAMARGO, Nathalya Fonseca. Desafios e perspectivas na construção de um atendimento antirracista na saúde materna de mulheres negras no Brasil: tecendo transformações. 2025. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-10122025-200009/. Acesso em: 14 mar. 2026. -
APA
Camargo, N. F. (2025). Desafios e perspectivas na construção de um atendimento antirracista na saúde materna de mulheres negras no Brasil: tecendo transformações (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-10122025-200009/ -
NLM
Camargo NF. Desafios e perspectivas na construção de um atendimento antirracista na saúde materna de mulheres negras no Brasil: tecendo transformações [Internet]. 2025 ;[citado 2026 mar. 14 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-10122025-200009/ -
Vancouver
Camargo NF. Desafios e perspectivas na construção de um atendimento antirracista na saúde materna de mulheres negras no Brasil: tecendo transformações [Internet]. 2025 ;[citado 2026 mar. 14 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-10122025-200009/
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