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Em todo lugar, a todo momento: a morte no caso de pessoas em situação de rua na São Paulo da pandemia de Covid-19 (2020-2022) (2025)

  • Authors:
  • Autor USP: REIS, CAIO MORAES - FFLCH
  • Unidade: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FSL
  • DOI: 10.11606/T.8.2025.tde-25112025-170609
  • Subjects: PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA; MORTALIDADE; SAÚDE PÚBLICA; PANDEMIAS; COVID-19; REPRESENTAÇÕES SOCIAIS; ESPAÇO URBANO; POLÍTICAS PÚBLICAS
  • Keywords: Sustentabilidade urbana; Urban sustainability
  • Language: Português
  • Abstract: Qual é a relação entre morte e o morar nas ruas? Essa questão tem sido explorada desde os anos 1970, sobretudo na Europa e na América do Norte, em estudos epidemiológicos que caracterizam o morar nas ruas como fator de risco para a mortalidade. No Brasil, a produção acadêmica sobre o tema é residual, concentrando-se ora na interpretação da morte como produto de uma gestão estatal da vida e dos corpos, ora na tematização do sentido da morte para pessoas em situação de rua e movimentos sociais. Ante a ausência de registros oficiais sistemáticos de óbitos de pessoas em situação de rua no Brasil, esta tese investiga fundamentos do que chamo de silêncio social em relação à morte de tais pessoas nos espaços públicos urbanos, particularmente na cidade de São Paulo durante a pandemia de Covid-19. Articulando a sociologia do "desconhecimento" de José de Souza Martins com a teoria das representações de Henri Lefebvre e a abordagem interacional espaço-temporal de Fraya Frehse, interrogo o que representações socialmente vigentes acerca do risco de morte de pessoas em situação de rua entre 2020 e 2022 simultaneamente revelam e ocultam a respeito dessa relação entre morte e o morar nas ruas, no âmbito do vivido lefebvriano. Para tanto, mobilizo três fontes documentais: atas do Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População em Situação de Rua (Comitê PopRua), notícias publicadas nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, e relatos etnográficos produzidos noâmbito de um projeto de pesquisa e extensão universitária sobre o cotidiano do morar nas ruas na São Paulo da pandemia (2020-2022). Partindo dessa documentação, construo analiticamente cinco tipos de informantes desse cotidiano - gestores públicos, ativistas, repórteres, trabalhadores da linha de frente da saúde e assistência social, e pessoas em situação de rua. No conjunto documental, esses informantes se manifestam acerca do "aqui e agora" do morar nas ruas na São Paulo pandêmica, expressando representações socialmente vigentes acerca do risco de morte de pessoas em situação de rua nos espaços públicos paulistanos nesse contexto. A análise evidencia um desencontro nas temporalidades embutidas no modo como esses informantes tematizam tal risco. O conhecimento técnico-administrativo de gestores e ativistas e o conhecimento jornalístico associam o risco de morte dessas pessoas nos espaços públicos a temporalidades intermitentes, referentes a fenômenos epidemiológicos e ao regime anual das estações. Em contraste, o conhecimento crítico de trabalhadores da linha de frente da saúde e assistência social e das próprias pessoas em situação de rua sinaliza que o risco de morte é ubíquo, ali. Esse desencontro ajuda a explicar o relativo silêncio social aqui em foco: o que é vivido cotidianamente por pessoas em situação de rua como onipresente nos espaços públicos paulistanos durante a pandemia é representado por aqueles social, profissional e politicamente mais engajados com omorar nas ruas como intermitente. Essa chave interpretativa contribui para o diálogo sobre a Agenda 2030 da ONU, particularmente aquele centrado na promoção da saúde (ODS 3) e de cidades inclusivas e sustentáveis (ODS 11)
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 16.09.2025
  • Acesso à fonteAcesso à fonteDOI
    Informações sobre o DOI: 10.11606/T.8.2025.tde-25112025-170609 (Fonte: oaDOI API)
    • Este periódico é de acesso aberto
    • Este artigo NÃO é de acesso aberto

    How to cite
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    • ABNT

      REIS, Caio Moraes e FREHSE, Fraya. Em todo lugar, a todo momento: a morte no caso de pessoas em situação de rua na São Paulo da pandemia de Covid-19 (2020-2022). 2025. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-25112025-170609/. Acesso em: 20 jan. 2026.
    • APA

      Reis, C. M., & Frehse, F. (2025). Em todo lugar, a todo momento: a morte no caso de pessoas em situação de rua na São Paulo da pandemia de Covid-19 (2020-2022) (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-25112025-170609/
    • NLM

      Reis CM, Frehse F. Em todo lugar, a todo momento: a morte no caso de pessoas em situação de rua na São Paulo da pandemia de Covid-19 (2020-2022) [Internet]. 2025 ;[citado 2026 jan. 20 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-25112025-170609/
    • Vancouver

      Reis CM, Frehse F. Em todo lugar, a todo momento: a morte no caso de pessoas em situação de rua na São Paulo da pandemia de Covid-19 (2020-2022) [Internet]. 2025 ;[citado 2026 jan. 20 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-25112025-170609/


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