Vozes dissonantes no documentário Dundo, memória colonial, de Diana Andringa: narrativas e memórias em disputa (2025)
- Authors:
- Autor USP: RECCHIA, MÁRCIO AURÉLIO - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLC
- DOI: 10.11606/T.8.2025.tde-25112025-190821
- Subjects: COLONIALISMO; MEMÓRIA COLETIVA; PÓS-COLONIALISMO; DOCUMENTÁRIO; SEGREGAÇÃO RACIAL; RACISMO
- Keywords: Cinema português; Colonial memory; Diamang; Memória colonial; Portuguese cinema
- Agências de fomento:
- Language: Português
- Abstract: No ano em que se celebram os cinquenta anos da independência da maioria das ex colônias portuguesas em África, o passado colonial permanece um tema em disputa em Portugal. Os longos anos de ditadura deixaram um legado de mitos, como o lusotropicalismo - conceito cunhado pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freyre e apropriado pelo Estado Novo para justificar o colonialismo sob a falsa ideia de uma "excepcionalidade" portuguesa nos trópicos. No documentário Dundo, memória colonial (2009), Diana Andringa - nascida no Dundo, Angola, em 1947 e transferida para Portugal aos onze anos - constrói uma narrativa que se desenvolve em dois eixos centrais. Um deles é o autobiográfico, marcado por memórias sensoriais de uma infância privilegiada, em que o seu status como menina branca da elite colonial lhe garantia vantagens, graças ao alto cargo de seu pai na Companhia de Diamantes de Angola (Diamang). O outro é o eixo crítico, aquele que expõe as políticas segregacionistas e violentas da Companhia contra a população negra, desmontando a retórica de um colonialismo supostamente brando. Apesar de expressar um sentimento de culpa por sua posição de privilégio, a realizadora evita confrontar diretamente o papel do pai na estrutura colonial, salvaguardando-o de uma análise mais incisiva. Nessa perspectiva, a análise se funda no conceito de lapso, proposto por Marc Ferro (1995, p. 204), para examinar as contradições da memória pós-colonial, nos quais até mesmo discursos de denúncia podem preservar zonas de silêncio em torno de figuras envolvidas nesse sistema opressor
- Imprenta:
- Data da defesa: 18.08.2025
- Este periódico é de acesso aberto
- Este artigo NÃO é de acesso aberto
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ABNT
RECCHIA, Márcio Aurélio e BUENO, Aparecida de Fátima. Vozes dissonantes no documentário Dundo, memória colonial, de Diana Andringa: narrativas e memórias em disputa. 2025. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-25112025-190821/. Acesso em: 26 jan. 2026. -
APA
Recchia, M. A., & Bueno, A. de F. (2025). Vozes dissonantes no documentário Dundo, memória colonial, de Diana Andringa: narrativas e memórias em disputa (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-25112025-190821/ -
NLM
Recchia MA, Bueno A de F. Vozes dissonantes no documentário Dundo, memória colonial, de Diana Andringa: narrativas e memórias em disputa [Internet]. 2025 ;[citado 2026 jan. 26 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-25112025-190821/ -
Vancouver
Recchia MA, Bueno A de F. Vozes dissonantes no documentário Dundo, memória colonial, de Diana Andringa: narrativas e memórias em disputa [Internet]. 2025 ;[citado 2026 jan. 26 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-25112025-190821/
Informações sobre o DOI: 10.11606/T.8.2025.tde-25112025-190821 (Fonte: oaDOI API)
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