Regulação da autofagia placentária no contexto da malária gestacional (2022)
- Authors:
- Autor USP: BARATEIRO, ANDRÉ FILIPE RIVAIS MARTINS - ICB
- Unidade: ICB
- Sigla do Departamento: BMP
- DOI: 10.11606/T.42.2022.tde-18112025-185001
- Subjects: PARASITOLOGIA; GRAVIDEZ; PLACENTA; INFLAMAÇÃO; CITOCINAS; MALÁRIA
- Keywords: Autofagia; Autophagy; Gravidez; Inflamação; Inflammation; Malaria; Malária; Modelos murinos; Murine models; Pregnancy
- Language: Português
- Abstract: A malária acarreta consequências de nível socioeconômico e saúde pública para populações vivendo em países subdesenvolvidos. A doença afeta gestantes, as quais são mais propícias a desenvolver quadros clínicos graves da doença. Algumas alterações comportamentais e fisiológicas durante a gravidez tornam as mulheres mais susceptíveis a desenvolverem malária gestacional e, consequentemente, malária placentária, caracterizada pelo sequestro de eritrócitos infectados por P. falciparum na placenta. As consequências são o recrutamento de células do sistema imune para a placenta, bem como a inflamação local e sistêmica, os quais estão associados aos desfechos negativos da doença tais como anemia e morte materna, nascimentos prematuros e baixo peso ao nascer. Isto ocorre na presente de modificações fisiológicas e estruturais da placenta, as quais refletem uma descontinuidade da homeostasia local. Tendo em conta que os mecanismos moleculares responsáveis por esses desfechos são pouco entendidos, o nosso objetivo foi investigar se mecanismos de manutenção homeostática tais como a autofagia estão desregulados em placentas afetadas pela inflamação desencadeada durante a malária gestacional. Neste contexto, observamos uma diminuição dos níveis dos transcritos e das proteínas dos fatores associados à autofagia ULK1, BECLIN1 e LC3 em placentas de mulheres gravidez infectadas por P. falciparum. Estas modificações foram observadas principalmente em mulheres diagnosticadas com malária placentária, as quais tiveram níveis detectáveis de dano no tecido placentário, infiltrado de leucócitos, e foram correlacionadas com a presença de citocinas e acúmulo de hemozoína.No entanto, não sendo possível inferir sobre a existência de uma relação causal entre a inflamação e a autofagia placentária, iniciamos experimentos utilizando um modelo murino de malária gestacional com camundongos C57BL/6 e MyD88-/- prenhes infectados por P. berghei NK65. Camundongos MyD88-/- infectados experienciam um melhor prognóstico da doença quando comparado com camundongos C57BL/6, o que possivelmente ocorre como consequência da redução dos níveis de inflamação sistémicos caracterizado pela redução de citocinas tais como TNF- e IFN-. No entanto, não foi possível observar diferenças nos níveis de LC3II e SQSTM1/p62 entre placentas de C57BL/6 e MyD88-/- infectados, o que afetou as nossas conclusões em relação a um possível impacto da inflamação na regulação da autofagia placentária. Usando um modelo in vitro de malária placentária, observamos que antígenos de P. falciparum são capazes de modular a autofagia na linhagem celular de trofoblastos BeWo ao reduzir a conversão de LC3II, o que ocorre em paralelo com a produção de IL-8 e IL-6, e redução da viabilidade celular. Adicionalmente, os níveis da proteína LC3II se encontram diminuídos em BeWo cultivadas com meio condicional de monócitos co-cultivados com P. falciparum. Consequentemente, tentamos implementar estratégias para reduzir a inflamação utilizando um peptídeo inibidor da sinalização de MyD88, o qual foi testado na linhagem celular de monócitos THP-1 estimulada com lipopolissacarídeo. Os resultados foram pouco promissores tendo em conta que o peptídeo não foi capaz de inibir a produção de TNF- em THP-1 estimuladas com lipopolissacarídeo. De um modo geral, os nossos resultados sugerem que a inflamação e os antígenos derivados do parasita desregulam a autofagia placentária durante a malária gestacional.
- Imprenta:
- Data da defesa: 10.03.2022
- Este periódico é de acesso aberto
- Este artigo NÃO é de acesso aberto
-
ABNT
BARATEIRO, André Filipe Rivais Martins. Regulação da autofagia placentária no contexto da malária gestacional. 2022. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-18112025-185001/. Acesso em: 26 jan. 2026. -
APA
Barateiro, A. F. R. M. (2022). Regulação da autofagia placentária no contexto da malária gestacional (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-18112025-185001/ -
NLM
Barateiro AFRM. Regulação da autofagia placentária no contexto da malária gestacional [Internet]. 2022 ;[citado 2026 jan. 26 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-18112025-185001/ -
Vancouver
Barateiro AFRM. Regulação da autofagia placentária no contexto da malária gestacional [Internet]. 2022 ;[citado 2026 jan. 26 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-18112025-185001/ - TLR4-Endothelin Axis controls Syncytiotrophoblast motility and confers fetal protection in placental Malaria
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Informações sobre o DOI: 10.11606/T.42.2022.tde-18112025-185001 (Fonte: oaDOI API)
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