Bela, culta, do lar e moderna: o viés formativo das mulheres pela Revista Feminina (1915-1918) (2025)
- Authors:
- Autor USP: CÁU, DEBORA CRISTINA - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLH
- DOI: 10.11606/D.8.2025.tde-25082025-174241
- Subjects: REVISTAS; HISTÓRIA DA MULHER; FEMINISMO; MODERNIDADE
- Keywords: Conservative femininity; Feminilidade conservadora; First Republic Brazil; Imprensa feminina; Primeira República brasileira; Revista Feminina; Women's press
- Language: Português
- Abstract: Esta pesquisa analisa o viés formativo da Revista Feminina (1915-1918) sobre suas leitoras durante a direção de Virgilina Salles, no contexto da Primeira República (1889-1930). A revista atuou como mediadora cultural entre valores conservadores e a recepção seletiva da modernidade, articulando a instrução feminina como estratégia para reforçar a subordinação ao lar. Nessa articulação, a revista ressignificou o termo feminismo como luta por instrução feminina, tornando-o aceitável em um contexto conservador. Utilizando metodologia da história cultural (Chartier, 2003), combinada com teorias de gênero (Scott, 2019; Butler, 2003), o trabalho examina edições da revista entre 1915 e 1918, período sob direção de Virgilina Salles. A análise revela que leitoras e diretora atuaram coletivamente na formação de uma identidade feminina que mesclava modernidade e conservadorismo, configurando uma "estrutura de sentimento" (Williams, 1979), conceito que aqui designa a mediação emocional entre o medo das transformações sociais e o apego a hierarquias domésticas tradicionais. A revista funcionou como interface simbólica entre esfera privada e pública, legitimando normas de gênero tradicionais enquanto exaltava a agência feminina através de reportagens, principalmente sobre conquistas femininas. A figura de Virgilina Salles foi central nesse projeto: uma mulher conservadora que, respaldada por instituições como a Igreja Católica, difundiu sua visão de mulher "moderna emoral". A Revista Feminina não apenas refletiu, mas reforçou normas de gênero, equilibrando as mesmas com a inclusão no espaço público de fala da revista. O estudo busca contribuir para preencher as lacunas na historiografia, ao destacar a agência das mulheres conservadoras, demonstrando como o patriarcado se reinventa, concedendo agência feminina dentro de limites que preservam suas estruturas. Conclui-se que a Revista Feminina não apenas refletiu, mas naturalizou desigualdades, equilibrando-as com uma inclusão limitada no espaço público
- Imprenta:
- Data da defesa: 25.04.2025
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
- Versão do Documento:
- Versão publicada (Published version)
- Acessar versão aberta:
-
ABNT
CÁU, Debora Cristina e SALIBA, Elias Thomé. Bela, culta, do lar e moderna: o viés formativo das mulheres pela Revista Feminina (1915-1918). 2025. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25082025-174241/. Acesso em: 09 abr. 2026. -
APA
Cáu, D. C., & Saliba, E. T. (2025). Bela, culta, do lar e moderna: o viés formativo das mulheres pela Revista Feminina (1915-1918) (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25082025-174241/ -
NLM
Cáu DC, Saliba ET. Bela, culta, do lar e moderna: o viés formativo das mulheres pela Revista Feminina (1915-1918) [Internet]. 2025 ;[citado 2026 abr. 09 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25082025-174241/ -
Vancouver
Cáu DC, Saliba ET. Bela, culta, do lar e moderna: o viés formativo das mulheres pela Revista Feminina (1915-1918) [Internet]. 2025 ;[citado 2026 abr. 09 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25082025-174241/
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