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A importância do tamanho tumoral, da profundidade de invasão e da presença de metástase linfonodal como fatores prognósticos no carcinoma de células escamosas da cavidade oral estádio III (2025)

  • Authors:
  • Autor USP: GUIMARÃES, YASMIN LARYSSA MOURA - FM
  • Unidade: FM
  • DOI: 10.11606/T.5.2025.tde-04112025-163302
  • Subjects: ESTADIAMENTO DE NEOPLASIAS; METÁSTASE LINFÁTICA; NEOPLASIAS BUCAIS; PROGNÓSTICO
  • Keywords: Lymphatic metastasis; Mouth neoplasms; Neoplasm staging; Prognosis; Radioterapia adjuvante; Radiotherapy adjuvant
  • Language: Português
  • Abstract: INTRODUÇÃO: A neoplasia maligna da cavidade oral, juntamente com a da orofaringe, são as mais frequentes da região da cabeça e do pescoço. O câncer de cavidade oral, de maneira geral, possui um prognóstico ruim e com altas taxas de mortalidade. Em 2017, foi publicada a oitava edição da classificação TNM, na qual a profundidade de invasão (do inglês, deep of invasion, DOI) foi adicionada à classificação T dos tumores orais, resultando no upstaging de diversas das lesões precoces. Aqueles tumores com mais de 1 cm de DOI foram classificados como estádio III, independentemente do tamanho da extensão na mucosa, bem como os tumores pN1. Dessa forma, o estádio III se tornou um grupo heterogêneo de lesões. Ainda, a terapia adjuvante tem sido indicada para pacientes pT4, na presença de metástases linfonodais, margens positivas, invasão angiolinfática, invasão perineural (IPN) e/ou extravasamento linfonodal extracapsular (ENE). O papel do tratamento adjuvante exclusivamente pela DOI é também desconhecido. OBJETIVO: Avaliar a extensão da doença na superfície da mucosa (maior diâmetro da lesão primária), profundidade de invasão tumoral e a presença de doença metastática cervical como fatores prognósticos independentes e/ou combinados em pacientes tratados cirurgicamente por carcinoma de células escamosas da cavidade oral estádio III. Foram também avaliados o efeito do tratamento adjuvante na prevenção de recidiva e morte desses pacientes. MÉTODOS: Estudo analítico de coorteretrospectiva, incluindo pacientes com carcinoma de células escamosas da cavidade oral, operados entre 2002 e 2023 em quatro centros oncológicos brasileiros. Foram selecionados pacientes submetidos a cirurgia curativa, excluindo-se aqueles previamente tratados ou com metástases à distância. Os dados clínicos, histopatológicos e de seguimento foram obtidos por revisão de prontuários e laudos, sendo categorizados conforme critérios padronizados da oitava edição do manual da American Joint Committee on Cancer (AJCC). Os pacientes foram agrupados com base no tamanho tumoral, profundidade de invasão, acometimento linfonodal e tratamento adjuvante recebido. A análise estatística incluiu curvas de Kaplan-Meier, testes de Log-Rank, modelos de Cox univariados e multivariados e análise de interação entre os modificadores de efeito. RESULTADOS: Dos 324 pacientes incluídos no estudo, 75% eram do sexo masculino e a média de idade foi de 60 anos. O principal subsítio acometido foi a língua (62,3%). A maioria dos tumores apresentou profundidade de invasão (DOI) > 10 mm (83,3%) e margens cirúrgicas livres (91,4%). Aproximadamente 63% dos pacientes receberam radioterapia adjuvante, e 8% foram submetidos à quimiorradioterapia. Na análise de sobrevida em 60 meses foi evidenciada diferença significativa entre o grupo de pacientes com tumores extensos - maior diâmetro > 4 cm - porém pouco profundos - DOI 1 cm (Grupo 1) e aqueles com tumores extensos - maior diâmetro > 4 cm - e profundos - DOI> 1 cm (Grupo 3) tanto para sobrevida específica de doença (87% vs. 64,1%; p = 0,017) quanto para sobrevida livre de doença (SLD; 82,1% vs. 56,3%; p = 0,014). Quando incluídos apenas pacientes com seguimento mínimo de 36 meses, observou-se menor taxa de SLD no Grupo 3 (41,2%) em comparação aos demais. Com a análise expandida para 818 pacientes, pacientes com DOI > 1 cm que não foram submetidos à radioterapia pósoperatória (PORT) apresentaram maior chance de óbito (HR = 4,145; IC 95%: 3,067-5,603; p < 0,001). Aqueles que receberam PORT apresentaram risco significativamente reduzido de morte (HR = 1,402; IC 95%: 1,053-1,867; p = 0,021) e efeito protetor significativo em termos de sobrevida global (SG; HR = 0,394; IC 95%: 0,313-0,496; p < 0,001). Também foram observados aumentos na sobrevida de doença específica (SDE; HR = 0,593; IC 95%: 0,431-0,814; p = 0,001) e na SLD (HR = 0,572; IC 95%: 0,424-0,772; p < 0,001) em pacientes com DOI > 1 cm tratados com PORT. Excluindo margens cirúrgicas positivas, a PORT influenciou positivamente a SG, SDE e SLD em casos de carcinoma de células escamosas da cavidade oral com outras características patológicas adversas (invasão perineural, invasão linfovascular e extensão extracapsular nodal). Por outro lado, apenas pacientes com ENE nas neoplasias se beneficiaram de quimiorradioterapia adjuvante concomitante em comparação à PORT isoladamente. CONCLUSÃO: Pacientes com carcinoma de células escamosas da cavidade oral que apresentam tumoresextensos e profundos podem apresentar um pior prognóstico, principalmente quanto a sobrevida livre de doença. Da mesma forma, a profundidade de invasão é fator independente de risco para os diferentes desfechos oncológicos e pacientes com tumores com profundidade superior a 1 cm devem receber radioterapia adjuvante como meio de reduzir o risco de morte e de falha terapêutica
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 26.06.2025
  • Acesso à fonteAcesso à fonteDOI
    Informações sobre o DOI: 10.11606/T.5.2025.tde-04112025-163302 (Fonte: oaDOI API)
    • Este periódico é de acesso aberto
    • Este artigo NÃO é de acesso aberto

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    • ABNT

      GUIMARÃES, Yasmin Laryssa Moura. A importância do tamanho tumoral, da profundidade de invasão e da presença de metástase linfonodal como fatores prognósticos no carcinoma de células escamosas da cavidade oral estádio III. 2025. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5177/tde-04112025-163302/. Acesso em: 25 jan. 2026.
    • APA

      Guimarães, Y. L. M. (2025). A importância do tamanho tumoral, da profundidade de invasão e da presença de metástase linfonodal como fatores prognósticos no carcinoma de células escamosas da cavidade oral estádio III (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5177/tde-04112025-163302/
    • NLM

      Guimarães YLM. A importância do tamanho tumoral, da profundidade de invasão e da presença de metástase linfonodal como fatores prognósticos no carcinoma de células escamosas da cavidade oral estádio III [Internet]. 2025 ;[citado 2026 jan. 25 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5177/tde-04112025-163302/
    • Vancouver

      Guimarães YLM. A importância do tamanho tumoral, da profundidade de invasão e da presença de metástase linfonodal como fatores prognósticos no carcinoma de células escamosas da cavidade oral estádio III [Internet]. 2025 ;[citado 2026 jan. 25 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5177/tde-04112025-163302/

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