Fibrose intersticial e microestrutura miocárdicas por ressonância magnética na doença valvar aórtica de grau importante: comparação com a histologia (2025)
- Authors:
- Autor USP: BELLO, JULIANA HIROMI SILVA MATSUMOTO - FM
- Unidade: FM
- DOI: 10.11606/T.5.2025.tde-07102025-142208
- Subjects: HISTOLOGIA; RESSONÂNCIA MAGNÉTICA; MIOCÁRDIO
- Keywords: Aortic valve disease; Fibrose; Fibrosis; Histology; Magnetic resonance imaging; Myocardium; Valvopatia aórtica
- Language: Português
- Abstract: Introdução: A doença valvar aórtica pode gerar acúmulo progressivo de fibrose miocárdica (FM) intersticial e alteração estrutural dos miócitos. A ressonância magnética cardíaca (RMC) avalia a FM regional pelo realce tardio (RT) com boa correlação com a histologia, porém, não quantifica adequadamente a fibrose difusa e intersticial. O tempo de relaxamento longitudinal do miocárdico (T1) pela RMC pode avaliar a fibrose intersticial e a microestrutura miocárdicas utilizando a relação do T1 nativo (pré-contraste) e pós-contrate, o que permite medir o volume extracelular (VEC), VEC indexado (VECi) e volume celular indexado (VCi). Os dados de validação da FM intersticial por estas técnicas de RMC comparadas à fração do volume de colágeno (FVC) por biópsia miocárdica são escassos no contexto dos diversos cenários da doença valvar aórtica. Objetivos: Comparar a FVC na valvopatia aórtica de grau importante com parâmetros morfofuncionais e de caracterização tecidual da RMC pré-operatória, sua evolução pós-operatória (delta) e valor prognóstico em 1 ano. Métodos: Foram incluídos pacientes com indicação de cirurgia valvar aórtica que realizaram biópsia intraoperatória e RMC préoperatória. RMC pós-operatória foi realizada entre 6-9 meses. A análise histológica utilizou a coloração por picrosirius red e medidas em software de quantificação automatizada. A RMC avaliou a função ventricular global (incluindo strains miocárdicos globais: radial (GRS), circunferencial (GCS) elongitudinal (GLS)), volumes e massa do ventrículo esquerdo, T1 nativo, VEC, VECi e VCi. Análise estatística incluiu testes t de Student, Mann-Whitney, Qui-quadrado, regressão linear (Spearman), Kaplan-Meier (sobrevida em 1 ano) e regressões logística e de Cox (uni e multivariada). Resultados: O T1 nativo apresentou correlação fraca ou ausente com a FVC. VEC e VECi apresentaram correlação moderada com a FVC (r=0,36 e r=0,40; p<0,01). Tercis de FVC com graus crescentes de FM apresentaram também aumento da FM na RMC (VEC e VECi) enquanto o VCi manteve-se estável. O VEC, VECi e VCi foram maiores na insuficiência aórtica (IAo) que na estenose aórtica (EAo) (31±4% vs. 28±4%, p=0,003, p<0,01) e sem diferença entre os grupos na FVC. VECi e VCi foram significativamente maiores no subgrupo EAo baixo fluxo e baixo gradiente (BFBG) que no EAo alto gradiente (AG) (35±12% vs 27±9% e 77±16% vs 65±16%, p=0,002 e p=0,02, respectivamente) porém sem diferença significativa na FVC e VEC. Na EAo BFBG nenhum parâmetro da FM intersticial pela RMC apresentou correlação significativa com a FVC. A correlação dos parâmetros anatômicos e funcionais com a FVC foram fracas na amostra total. O RT apresentou correlação moderada com a FVC (r=0,32; p=0,001). O VECi e o RT foram preditores independentes do valor de FVC. De maneira geral, os deltas das medidas de RMC pós e pré-operatórias não apresentaram correlação significativa com a FVC, exceto do VECi (r= -0,32, p=0,002). FEVE,RT, GRS e GCS foram preditores de sobrevida em 1 ano. A análise da sobrevida foi significativa para FEVE (p=0,009 e HR 0,96), idade (p=0,002 e HR 1,14), creatinina basal (p<0,001 e HR 46), GRS (p=0,002 e HR 0,91), GCS (p=0,002 e HR1,2) e GLS (p=0,03 e HR1,2). Na análise multivariada apenas a idade, creatinina basal e o GRS foram preditores independentes de sobrevida. Conclusões: VEC, VECi e VCi tem boa correlação com a FVC, exceto na EAo BFBG. Este parâmetros foram maiores na IAo comparados a EAo, e maiores na EAo BFBG em relação a EAo AG. De modo geral, os parâmetros morfofuncionais e RT apresentaram melhor correlação com FVC na IAo e EAo AG. Somente o delta do VECi apresentou correlação significativa com a FVC. Nenhum parâmetro de FM intersticial e microestrutura miocárdicas foram preditores de sobrevida em 1 ano, mas parâmetros de contratilidade e FM macroscópica (FEVE, RT e strains miocárdicos) foram preditores da mortalidade em 1 ano, com o GRS sendo preditor independente
- Imprenta:
- Data da defesa: 05.06.2025
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
- Versão do Documento:
- Versão publicada (Published version)
- Acessar versão aberta:
-
ABNT
BELLO, Juliana Hiromi Silva Matsumoto. Fibrose intersticial e microestrutura miocárdicas por ressonância magnética na doença valvar aórtica de grau importante: comparação com a histologia. 2025. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-07102025-142208/. Acesso em: 08 maio 2026. -
APA
Bello, J. H. S. M. (2025). Fibrose intersticial e microestrutura miocárdicas por ressonância magnética na doença valvar aórtica de grau importante: comparação com a histologia (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-07102025-142208/ -
NLM
Bello JHSM. Fibrose intersticial e microestrutura miocárdicas por ressonância magnética na doença valvar aórtica de grau importante: comparação com a histologia [Internet]. 2025 ;[citado 2026 maio 08 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-07102025-142208/ -
Vancouver
Bello JHSM. Fibrose intersticial e microestrutura miocárdicas por ressonância magnética na doença valvar aórtica de grau importante: comparação com a histologia [Internet]. 2025 ;[citado 2026 maio 08 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-07102025-142208/
Informações sobre a disponibilidade de versões do artigo em acesso aberto coletadas automaticamente via oaDOI API (Unpaywall).
Por se tratar de integração com serviço externo, podem existir diferentes versões do trabalho (como preprints ou postprints), que podem diferir da versão publicada.
How to cite
A citação é gerada automaticamente e pode não estar totalmente de acordo com as normas
