Proteger, verbo bitransitivo! - Proteção da amamentação por profissionais de saúde: abordagem a partir de Fleck (2025)
- Authors:
- Autor USP: VIEIRA, VALÉRIA CRISTINA RIBEIRO - FSP
- Unidade: FSP
- DOI: 10.11606/T.6.2025.tde-15092025-143343
- Subjects: ALEITAMENTO MATERNO; DIREITOS HUMANOS; POLÍTICAS PÚBLICAS; PRÁTICA PROFISSIONAL
- Keywords: Amamentação
- Language: Português
- Abstract: Políticas de amamentação têm se baseado na tríade Proteção, Promoção e Apoio (PPA). Considerando-a como direito humano da dupla mulher-criança, profissionais das políticas públicas (corporificando o Estado) devem atuar respeitando-a, efetivando-a e protegendo-a contra violações. O papel exercido por profissionais de saúde vem sendo estudado entre os fatores que afetam a amamentação-desmame. Mas, além de escassa literatura enfocando concepções e práticas relacionadas à proteção, pairam ambiguidades quanto aos seus significados. Objetivamos compreender concepções e práticas profissionais quanto ao proteger a amamentação. Entrevistamos em profundidade onze profissionais atuantes em cenários diversos (gestão da política municipal, coordenação de programas/setores afins, assistência em hospitais/unidades básicas) e conduzimos análise temático-categorial, valendo-nos de Fleck para caracterizar estilos e coletivos de pensamento (EP e CP). Identificamos cinco EP e os classificamos em três grupos: protetores (lactivista e do direito), não protetores (higienista e do apoio) e desprotetor/violador (leite materno/amamentação substituíveis). Baseamo-nos na semântica denotada na tríade PPA que - a despeito da polissemia vigente - permite deduzirmos que a acepção capaz de distinguir o proteger é a da bitransitividade desse verbo, ou seja, o sentido de "proteger contra" ou defesa contra forças contrárias/nocivas. Protetores, portanto, reconhecem e contrapõem-se a tais forças(sobretudo os interesses comerciais da "indústria do desmame" que coopta profissionais e - junto à estrutura social patriarcal - conforma a "cultura do desmame"). Consideram que proteger é "lutar contra" elas, denunciando/combatendo ameaças (lactivista)/violações (direito). Não protetores omitem o sentido/uso preposicionado do proteger, concebendo-o como mera decorrência ou de forma sobreposta às outras duas noções e mostrando-se indiferentes à interferência da indústria. O desprotetor/violador persiste entre profissionais, apesar de anterior às políticas protetivas vigentes. Concebendo a indústria como parceira, deslegitima o sentido mundialmente trabalhado enquanto o proteger "stricto sensu". Os perfis individuais consubstanciam conceitos fleckianos segundo os quais indivíduos integram mais de um CP (estando em muitos círculos exotéricos e poucos esotéricos) e consequentemente manifestam vários EP, cujos fragmentos trafegam entre esses CP e entre seus círculos (tráfegos inter e intracoletivo). Assim, além dos antagonismos entre pertencentes a diferentes CP, há nas expressões individuais fragmentos de EP, coexistindo harmônicos ou tensionados, redundando em complementariedades ou contradições. Haverá, pois, profissionais convictos de que "ao promover e apoiar, estou protegendo.Ora, sempre protegi!", ainda que ideologicamente alinhados e/ou estabelecendo parcerias com representantes das forças anti-amamentação contra as quais as ações protetoras são direcionadas. Usos do termo proteger sem distinção clara/coerente à tríade PPA vigoram entre os sujeitos e remetem a esses perfis compósitos, com presença maior ou menor de fragmentos dos EP não protetores e do desprotetor/violador. Apenas a participante situada mais "esotericamente" no CP lactivista respondeu sobre o significado do proteger expressando tal distinção. Quanto ao respeitar (abarcado na noção de proteção contra iatrogenias), a mais "esoterizada" no CP do direito também foi a única a expressar concepção consoante à tríade dos direitos humanos (não violar o direito de amamentar/ser amamentada). Essas duas participantes foram iniciadas (como aponta Fleck) nesses CP protetores, processo fundamental para que profissionais contribuam efetivamente na proteção da amamentação de crianças e mulheres-mães-nutrizes
- Imprenta:
- Data da defesa: 22.08.2025
- Este periódico é de acesso aberto
- Este artigo NÃO é de acesso aberto
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ABNT
VIEIRA, Valéria Cristina Ribeiro. Proteger, verbo bitransitivo! - Proteção da amamentação por profissionais de saúde: abordagem a partir de Fleck. 2025. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-15092025-143343/. Acesso em: 24 jan. 2026. -
APA
Vieira, V. C. R. (2025). Proteger, verbo bitransitivo! - Proteção da amamentação por profissionais de saúde: abordagem a partir de Fleck (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-15092025-143343/ -
NLM
Vieira VCR. Proteger, verbo bitransitivo! - Proteção da amamentação por profissionais de saúde: abordagem a partir de Fleck [Internet]. 2025 ;[citado 2026 jan. 24 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-15092025-143343/ -
Vancouver
Vieira VCR. Proteger, verbo bitransitivo! - Proteção da amamentação por profissionais de saúde: abordagem a partir de Fleck [Internet]. 2025 ;[citado 2026 jan. 24 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-15092025-143343/
Informações sobre o DOI: 10.11606/T.6.2025.tde-15092025-143343 (Fonte: oaDOI API)
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