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Saúde mental do estudante de medicina LGBTQIA+ (2024)

  • Authors:
  • Autor USP: OLIVEIRA, FELIPE SCALISA - FM
  • Unidade: FM
  • DOI: 10.11606/T.5.2024.tde-06082025-121010
  • Subjects: EDUCAÇÃO MÉDICA; HOMOFOBIA; QUALIDADE DE VIDA; SAÚDE MENTAL
  • Keywords: Estudante de Medicina; Homophobia; LGBTQIA+ People; Medical Education; Medical Student; Mental Health; Minorias Sexuais e de Gênero; Pessoas LGBTQIA+; Quality of Life; Resilience; Resiliência; Sexual and Gender Minorities
  • Language: Português
  • Abstract: INTRODUÇÃO: Historicamente, a comunidade LGBTQIA+ enfrenta a condição de minoria social, resultando em um fenômeno conhecido como "estresse de minoria", diretamente associado a piores indicadores de saúde física e mental. Paralelamente, as faculdades de medicina são conhecidas pelo alto nível de estresse e baixa qualidade de vida, vinculados a elevados índices de transtornos mentais entre os estudantes. A interseção entre o estresse de minoria e o ambiente acadêmico pode tornar os estudantes LGBTQIA+ ainda mais vulneráveis. OBJETIVO: Este estudo visa analisar a saúde mental de estudantes de medicina LGBTQIA+, relacionando-a a indicadores de estresse de minoria, qualidade de vida e resiliência. MÉTODO: Estudo exploratório transversal realizado em São Paulo, com coleta de dados de 19 de março a 25 de julho de 2019, utilizando recrutamento por snowballing. Foram avaliados sintomas depressivos (Inventário de Depressão de Beck), sintomas de ansiedade (Inventário de Ansiedade Traço-Estado), estresse de minoria (Inventário de Homofobia Internalizada - IHNI), qualidade de vida (questionário VERAS) e resiliência (Escala RS-14). RESULTADOS: Dos 732 convocados, 404 responderam, representando 27 faculdades. Entre os homens (n=250), 84,8% eram homossexuais e 15,2% bissexuais. Entre as mulheres (n=151), 29,14% eram homossexuais e 70,86% bissexuais. A prevalência de sintomas depressivos foi de 63,1%, com 24,8% de sintomas moderados a graves. Houve significância para identidade de gênero(p=0,045) e orientação sexual (p=0,032), com mulheres e bissexuais mais afetados. Tempo de deslocamento acima de uma hora (p=0,034), etnia (preto/pardo/indígena, p=0,042), baixa escolaridade materna (p=0,035), pior autopercepção acadêmica (p=0,000) e maior IMC (p=0,000) também se associaram à gravidade dos sintomas. Participação em associações atléticas foi protetiva (p=0,026). A prevalência de ansiedade moderada a grave foi de 100%, com sintomas graves predominando. A ansiedade traço foi significativa em relação ao ano de graduação (p=0,039) e tempo de deslocamento (p=0,033), maior IMC (p=0,015) e pior autopercepção acadêmica (0,029). Participação em atléticas reduziu a gravidade dos sintomas (p=0,011). Em relação à qualidade de vida, etnia (QVG, p=0,021), maior tempo de deslocamento (QVG, p=0,008), baixa escolaridade materna (QVG, p=0,000; QVE, p=0,001), baixa escolaridade paterna (QVG, p=0,000), auxílio financeiro (QVE, p=0,04), deficiência física (QVG, p=0,025; QVE, p=0,041) e pior autopercepção acadêmica (QVG e QVE, p=0,000) estiveram associados a pior qualidade de vida. Em contraste, participação em atléticas (QVG, p=0,036; QVE, p=0,000) e morar com amigos (QVG, p=0,041; QVE, p=0,017) foram protetores. Em relação à resiliência, morar com amigos (p=0,009) e ter religião (p=0,041) foram protetivos. Piores escores de resiliência foram associados a baixa autopercepção acadêmica, uso de medicação psicotrópica, diagnóstico de transtorno mental e baixa escolaridade dos pais(todos, p=0,000). Em relação à homofobia internalizada (IHI), ter religião e baixa escolaridade dos pais aumentaram a IHI (p=0,004, p=0,027 para mães, p=0,034 para pais). Houve correlações significativas entre depressão e ansiedade (p=0,000), com correlação negativa entre depressão e qualidade de vida geral e específica (p=0,000) e resiliência (p=0,000). A homofobia internalizada correlacionou-se positivamente com depressão (p=0,000) e negativamente com qualidade de vida (p=0,001) e resiliência (p=0,004). Resiliência também apresentou correlação negativa com ansiedade (p=0,000) e positiva com qualidade de vida (p=0,000). A ansiedade correlacionou-se negativamente com qualidade de vida geral e específica (p=0,000). CONCLUSÃO: A alta prevalência de sintomas depressivos e ansiosos entre estudantes de medicina LGBTQIA+ associa-se com pior qualidade de vida, menor resiliência, altos índices de homofobia internalizada e piores autoavaliações acadêmicas. Vulnerabilidades incluem ser mulher, bissexual, preto, pardo ou indígena, baixa renda, deficiência física e IMC elevado. Fatores protetivos incluem morar com amigos, participação em atléticas e maior nível educacional dos pais. A ação das faculdades de medicina na promoção da saúde mental dos estudantes LGBTQIA+ deve ser multidisciplinar e multidimensional, a fim de promover o suporte social e a promoção da qualidade de vida, focando no sentimento de pertencimento e de autoaceitação
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 17.12.2024
  • Acesso à fonteAcesso à fonteDOI
    Informações sobre o DOI: 10.11606/T.5.2024.tde-06082025-121010 (Fonte: oaDOI API)
    • Este periódico é de acesso aberto
    • Este artigo NÃO é de acesso aberto

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    • ABNT

      OLIVEIRA, Felipe Scalisa. Saúde mental do estudante de medicina LGBTQIA+. 2024. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2024. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-06082025-121010/. Acesso em: 23 jan. 2026.
    • APA

      Oliveira, F. S. (2024). Saúde mental do estudante de medicina LGBTQIA+ (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-06082025-121010/
    • NLM

      Oliveira FS. Saúde mental do estudante de medicina LGBTQIA+ [Internet]. 2024 ;[citado 2026 jan. 23 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-06082025-121010/
    • Vancouver

      Oliveira FS. Saúde mental do estudante de medicina LGBTQIA+ [Internet]. 2024 ;[citado 2026 jan. 23 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-06082025-121010/

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