Sexo como trabalho: teoria feminista e organização política de trabalhadoras sexuais na Associação Mulheres Guerreiras de Campinas/SP (2025)
- Authors:
- Autor USP: FERREIRA, MARIA LAURA ARANTES BESSA - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLS
- DOI: 10.11606/D.8.2025.tde-26062025-173042
- Subjects: MOVIMENTOS SOCIAIS; SINDICALISMO
- Keywords: Feminismo materialista; Materialist feminism; Sex work; Social reproduction theory; Teoria da reprodução social; Trabalho sexual
- Agências de fomento:
- Language: Português
- Abstract: Esta dissertação investiga as formas como trabalhadoras sexuais constroem politicamente o reconhecimento de sua atividade como trabalho, a partir da experiência da Associação Mulheres Guerreiras (AMG) e da sua relação com a Central Única de Trabalhadores (CUT), em Campinas/SP. Analisa-se como a Associação reivindica o lugar de trabalhadoras para as profissionais do sexo, articulando essa demanda tanto em suas práticas organizativas e discursos quanto na sua inserção no sindicalismo, configurando um caso singular. Inicialmente, a pesquisa partiu da hipótese de que a AMG funcionaria, na prática, como um sindicato das trabalhadoras sexuais da cidade, compartilhando com o sindicalismo características como a construção de uma identidade coletiva enquanto trabalhadoras, a relação com a burocracia e a dependência de lideranças. No entanto, ao longo da pesquisa, a análise revelou que, mais do que se constituir como um sindicato, a Associação opera dentro de uma estratégia política que combina a disputa por reconhecimento do trabalho sexual com formas pragmáticas de inserção nos espaços do sindicalismo e do feminismo. O estudo examina como essa reivindicação se expressa nas práticas organizativas, discursos e alianças políticas da AMG, considerando tanto a forma como a Associação elabora sua identidade política quanto os desafios dessa inserção institucional.A relação entre a AMG e a CUT representa um caso singular no cenário nacional, pois, apesar das tensões históricas entre o movimento sindical e as trabalhadoras sexuais, a Associação conseguiu consolidar uma articulação política duradoura. Essas tensões, no entanto, não se limitam a conflitos organizacionais, mas refletem diferentes paradigmas sobre trabalho e feminismo. A aliança entre AMG e CUT é construída não a partir de uma convergência ideológica total, mas como uma tática de sobrevivência política, em que ambas as partes gerenciam suas discordâncias para manter a parceria funcional. Essa estratégia tem vantagens e riscos: possibilita que a AMG acesse recursos e visibilidade dentro da CUT, enquanto a central fortalece sua imagem como espaço inclusivo; ao mesmo tempo, a falta de confronto direto sobre as divergências pode limitar o aprofundamento do debate sobre trabalho sexual, restringindo-o a um reconhecimento simbólico sem avanços concretos em suas pautas. A tese defendida é que, ao se organizar politicamente e reivindicar o trabalho sexual como trabalho, a AMG não apenas busca reconhecimento e direitos, mas também desafia as fronteiras do campo trabalhista e sindical. A atuação da Associação pode ser classificada em duas frentes principais: a luta por reconhecimento, aproximando-se do sindicalismo e utilizando o discurso do trabalho como uma estratégia de legitimação; e o atendimento a necessidades imediatas das trabalhadoras sexuais, oferecendo suporte emergencial diante da precariedade econômica, violência e exclusão social enfrentadas por sua base social.A Associação é consistente na sua reivindicação do trabalho sexual como trabalho, que além de ser uma compreensão pessoal das integrantes, também se mostra uma estratégia que visa consolidar o movimento no campo das lutas trabalhistas e conquistar direitos. A pesquisa parte de uma perspectiva teórica feminista e materialista, com ênfase na teoria da reprodução social e no feminismo materialista francês, que ampliam o conceito de trabalho para incluir atividades historicamente invisibilizadas, como o trabalho doméstico e de cuidados. Essas abordagens permitem compreender o trabalho sexual como parte da esfera da reprodução social, e portanto do funcionamento do capitalismo. Metodologicamente, a pesquisa combina análise documental, observação direta e entrevistas semi estruturadas com lideranças da AMG e da CUT, além de militantes e parceiros do movimento. Ao trazer o trabalho sexual para o centro do debate sociológico, a dissertação contribui para os estudos sobre gênero, trabalho e sindicalismo, evidenciando como a luta das trabalhadoras sexuais tensiona as fronteiras das categorias de trabalhadora, classe trabalhadora e organização coletiva no capitalismo contemporâneo
- Imprenta:
- Data da defesa: 22.04.2025
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
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- Versão publicada (Published version)
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ABNT
FERREIRA, Maria Laura Arantes Bessa. Sexo como trabalho: teoria feminista e organização política de trabalhadoras sexuais na Associação Mulheres Guerreiras de Campinas/SP. 2025. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-26062025-173042/. Acesso em: 15 abr. 2026. -
APA
Ferreira, M. L. A. B. (2025). Sexo como trabalho: teoria feminista e organização política de trabalhadoras sexuais na Associação Mulheres Guerreiras de Campinas/SP (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-26062025-173042/ -
NLM
Ferreira MLAB. Sexo como trabalho: teoria feminista e organização política de trabalhadoras sexuais na Associação Mulheres Guerreiras de Campinas/SP [Internet]. 2025 ;[citado 2026 abr. 15 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-26062025-173042/ -
Vancouver
Ferreira MLAB. Sexo como trabalho: teoria feminista e organização política de trabalhadoras sexuais na Associação Mulheres Guerreiras de Campinas/SP [Internet]. 2025 ;[citado 2026 abr. 15 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-26062025-173042/
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