Prevalência e diagnóstico de cardite reumática subclínica em comunidade da cidade de São Paulo: integração da ausculta digital, ecocardiografia e análise longitudinal de citocinas (2024)
- Authors:
- Autor USP: BRANCO, CARLOS EDUARDO DE BARROS - FM
- Unidade: FM
- DOI: 10.11606/T.5.2024.tde-17062025-162505
- Subjects: CITOCINAS; DIAGNÓSTICO PRECOCE; FEBRE REUMÁTICA
- Keywords: Ausculta digital; Cardiopatia reumática subclínica/diagnóstico por imagem; Cardiopatia reumática subclínica/epidemiologia; Cytokines; Digital auscultation; Early diagnosis; IL-6; Rheumatic fever; Subclinical rheumatic carditis/diagnostic imaging; Subclinical rheumatic carditis/epidemiology
- Language: Português
- Abstract: INTRODUÇÃO E OBJETIVOS: A febre reumática (FR) permanece prevalente em populações de baixa renda, principalmente em países em desenvolvimento, nos quais condições socioeconômicas desfavoráveis e o acesso limitado aos cuidados de saúde perpetuam o ciclo de diagnóstico e tratamento tardios. A cardite reumática, complicação mais temida da FR, frequentemente, evolui silenciosamente para a doença cardíaca reumática subclínica (DCRSC), uma condição que pode passar despercebida até que atinja um estágio avançado. A ausência de sinais clínicos claros para o diagnóstico precoce da DCRSC impõe desafios significativos à implementação de medidas preventivas eficazes. Neste contexto, compreender os mecanismos imunopatogênicos e fisiopatológicos subjacentes à DCRSC e explorar métodos de detecção precoce, como a ausculta digital e análise das citocinas, são passos cruciais para aprimorar o manejo dessa condição. Este estudo tem como objetivo avaliar a prevalência de DCRSC em uma população socioeconomicamente desfavorecida de São Paulo, analisar os perfis de citocinas no início do diagnóstico comparando DCRSC limítrofe e DCRSC definitiva aos indivíduos saudáveis e após dois anos, com o intuito de investigar as alterações em todas as fases da DCRSC (limítrofe + definitiva), e investigar a viabilidade da ausculta digital como alternativa à triagem ecocardiográfica. MÉTODOS: Foram incluídas 1.030 crianças que passaram por uma avaliação abrangente, incluindo ecocardiografia bidimensional,análise socioeconômica, histórico de amigdalites recorrentes e uso de antibióticos. A triagem ecocardiográfica foi realizada por cardiologistas experientes utilizando o equipamento VIVID I, seguindo os critérios da World Heart Federation (WHF) de 2012 para identificar os grupos. Os participantes foram classificados em três grupos: DCRSC limítrofe, DCRSC definitiva e controle (selecionado por propensity score). A ausculta cardíaca digital foi realizada no momento inicial utilizando o estetoscópio Thinklabs One® e as gravações foram analisadas por dois cardiologistas, sem acesso aos resultados ecocardiográficos. Para avaliar a eficácia da ausculta digital, seus resultados foram comparados com os da ecocardiografia (padrão-ouro) utilizando coeficiente de Kappa, sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP) e valor preditivo negativo (VPN). Amostras de sangue foram coletadas no início do estudo (T0) e após 2 anos (T1), para quantificação de citocinas inflamatórias (IL-6, IL-17A, IFN e TNF-) e anti-inflamatórias (IL-2, IL-4 e IL-10), utilizando o kit CBA Human Th1/Th2/Th17. A análise estatística incluiu testes de Kruskal-Wallis, ANOVA e modelos lineares generalizados, com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Foram avaliados 1026 indivíduos em 14 Unidades Básicas de Saúde. A idade mediana foi de 9,0 (7-11) anos, sendo 49,4% do sexo feminino. A prevalência de DCRSC foi de 7,6% (IC 95% 6-9,2%), com 6,7% classificados como DCRSC limítrofe (IC 95% 5,2-8,2%) e0,9% como DCRSC definitiva (IC 95% 0,3-1,5%). Não houve diferenças significativas nas características demográficas e socioeconômicas entre os grupos-controle, DCRSC limítrofe e definitiva (p>0,05). A amoxicilina foi o antibiótico mais prescrito (74,6%), com variações no uso de penicilina G benzatina e cefalexina nos casos de DCRSC (limítrofe + definitiva). A insuficiência mitral foi observada em 97,4% dos casos de DCRSC e a ausculta digital não se mostrou eficaz como método de triagem quando comparada à ecocardiografia. Os níveis da citocina IL-6 foram mais elevados no grupo DCRSC limítrofe em comparação ao grupo-controle no momento da avaliação inicial (T0). As citocinas permaneceram estáveis após dois anos de acompanhamento em todas as fases da DCRSC (limítrofe+definitiva). CONCLUSÕES: A elevada prevalência de DCRSC observada em uma população socioeconômica desfavorecida de São Paulo ressalta a necessidade urgente de implementação de estratégias mais eficazes para triagem e intervenção precoce. A análise demográfica e a avaliação do uso de antibióticos não revelaram diferenças significativas entre os grupos. A ausculta digital não foi eficaz como ferramenta de triagem, reafirmando a ecocardiografia como método padrão-ouro para a detecção precoce dessa condição. Os achados ecocardiográficos reforçam a importância da ecocardiografia como ferramenta essencial para o diagnóstico precoce e o manejo da DCRSC. A análise dos perfis de citocinas revelou que os níveis de IL-6foram significativamente mais elevados no grupo DCRSC limítrofe em comparação ao grupo-controle na avaliação inicial, sugerindo que a IL-6 pode atuar como um indicador precoce de cardite reumática subclínica. Após dois anos, os níveis de citocinas mantiveram-se estáveis, indicando persistência da resposta inflamatória. A ausência de variações significativas nas citocinas anti-inflamatórias pode refletir uma falha na resposta regulatória imunológica. Os achados reforçam a importância da ecocardiografia e da análise de citocinas, especialmente da IL-6, no diagnóstico precoce e manejo da DCRSC. Investigações futuras devem explorar o potencial da IL-6 como biomarcador e alvo terapêutico na prevenção da progressão da DCR
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- Data da defesa: 03.12.2024
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ABNT
BRANCO, Carlos Eduardo de Barros. Prevalência e diagnóstico de cardite reumática subclínica em comunidade da cidade de São Paulo: integração da ausculta digital, ecocardiografia e análise longitudinal de citocinas. 2024. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2024. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-17062025-162505/. Acesso em: 27 jan. 2026. -
APA
Branco, C. E. de B. (2024). Prevalência e diagnóstico de cardite reumática subclínica em comunidade da cidade de São Paulo: integração da ausculta digital, ecocardiografia e análise longitudinal de citocinas (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-17062025-162505/ -
NLM
Branco CE de B. Prevalência e diagnóstico de cardite reumática subclínica em comunidade da cidade de São Paulo: integração da ausculta digital, ecocardiografia e análise longitudinal de citocinas [Internet]. 2024 ;[citado 2026 jan. 27 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-17062025-162505/ -
Vancouver
Branco CE de B. Prevalência e diagnóstico de cardite reumática subclínica em comunidade da cidade de São Paulo: integração da ausculta digital, ecocardiografia e análise longitudinal de citocinas [Internet]. 2024 ;[citado 2026 jan. 27 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-17062025-162505/
Informações sobre o DOI: 10.11606/T.5.2024.tde-17062025-162505 (Fonte: oaDOI API)
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