Padrão intestinal da população adulta urbana e eventos climáticos em um município do interior da Amazônia brasileira (2023)
- Authors:
- Autor USP: GUIMARÃES, PATRÍCIA DOS SANTOS - EE
- Unidade: EE
- Sigla do Departamento: ENC
- DOI: 10.11606/T.7.2023.tde-14022025-105005
- Subjects: CONSTIPAÇÃO; ENFERMAGEM; INFLUÊNCIA CLIMÁTICA; INTESTINOS; HÁBITOS; INCONTINÊNCIA FECAL
- Keywords: Bowel habit; Constipação Intestinal; Constipation; Eventos Climáticos; Fecal incontinence; Hábito Intestinal; Nursing; Weather events
- Language: Português
- Abstract: Introdução: A compreensão acerca do padrão intestinal pela população, assim como o conhecimento de suas alterações, favorece o diagnóstico precoce dos distúrbios gastrointestinais, promovendo o tratamento prévio e melhorando a qualidade de vida dos indivíduos. Objetivos: Avaliar os padrões intestinais em adultos da população urbana do município de Coari-Amazonas e suas associações com as variáveis sociodemográficas, clínicas, estilos de vida e consumo alimentar, nas fases hidrológicas de seca e inundação dos rios. Material e Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico, de base populacional (unidade domiciliar) do tipo transversal, analítico e exploratório. A população do estudo foi constituída por todos os indivíduos adultos residentes na área urbana. Para o cálculo amostral, foi considerada prevalência máxima esperada do desfecho de 50% de padrão intestinal normal, nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%. O plano de amostragem foi elaborado com base em técnicas de processos probabilísticos com estratificação em três estágios: seleção dos bairros, quantidade de domicílios a serem visitados por bairro e identificação do domicílio por sorteio. Após cálculo amostral do tipo domiciliar, a amostra foi composta de 445 domicílios. Foram incluídos no estudo indivíduos com idade igual e/ou superior a 18 anos, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e que fossem residentes no município há mais de seis meses. A coleta de dados ocorreu em doismomentos, referentes às fases hidrológicas seca (novembro/dezembro de 2021) e inundação (maio/junho de 2022). Um instrumento subdividido em seções (Seção A Dados Sociodemográficos, Clínicos e Estilos de Vida; Seção B Hábito Intestinal da População Geral; Seção C Alimentação: Recordatório Alimentar de 24 horas e Tabela de Frequência de Consumo Alimentar; e Seção D Caracterização das Fezes: Escala de Bristol para Consistência das Fezes [EBCF]) foi empregado durante a coleta de dados, para investigação das variáveis de interesse do presente estudo. Os dados coletados foram analisados por meio do programa estatístico R versão 4.2.3. Posteriormente, foram submetidos a testes estatísticos de associação (Qui-quadrado [2] de Pearson; Exato de Fisher; Bhapkar, Wilcoxon signed rank e Kruskal-Wallis), quando necessário. A regressão logística foi realizada através do Método de Interação Tripla do Modelo Log-linear para Tabelas de Contingências; Modelo de Efeitos Mistos Generalizados para Família Multinominal; e Teste de Cochran-MantelHaenszel (CMH). Para todas as análises, considerou-se significância estatística ao nível de 5% (p<0,05). O projeto foi aprovado no Comitê de Ética e Pesquisa/UFAM sob o parecer nº 102559/2021 e CAAE 51494521.2.0000.5020. Resultados: 457 indivíduos participaram da investigação durante a fase hidrológica da seca e, destes, 376 na inundação, distribuídos nos onze bairros de Coari-Amazonas. Quanto às características sociodemográficas, a maioria tinhaentre 18 e 29 anos, em ambas as fases. Com relação à raça, a maioria se considerou de cor parda (65,43% e 66,22%, respectivamente seca e inundação). Cerca de um terço dos participantes tinha o ensino médio completo na seca (37,42%) e inundação (36,44%). Indivíduos solteiros prevaleceram, com cerca de 40% nas duas fases. As ocupações profissionais dispersaram-se entre os grupos, com mais de 67% da amostra com atividades indefinidas. Quanto aos dados de caracterização e consistência das fezes, nossos resultados mostraram que a frequência evacuatória de uma vez por dia predominou em mais de 40% dos entrevistados; quanto ao esforço evacuatório, embora a maioria tenha relatado sua ausência em ambas as fases, houve diferença estatisticamente significante entre as respostas dos entrevistados (p=0,003). Também houve diferenças estatisticamente significantes para fezes soltas/aquosas (p=0,025) e endurecidas (p=0,004), segundo a fase hidrológica. Sessenta e sete por cento da amostra informou que nunca apresentou sensação de esvaziamento retal incompleto durante a inundação, o que foi referido, no entanto, por quase 36% da amostra, às vezes, durante a seca (p<0,001). Quanto ao padrão intestinal, houve prevalência do normal na fase hidrológica da seca (73,52%) e inundação (74,47%), seguido do padrão intestinal constipado (22,10% e 19,95%) e padrão de incontinência anal (4,38% e 5,58%), respectivamente, nas fases hidrológicas. A regressão através do Modelo de Efeitos MistosGeneralizados para Família Multinominal mostrou diferença estatisticamente significante entre renda familiar e padrão de incontinência anal (p=0,002) e ingestão hídrica e padrão intestinal de constipação (p<0,001). A regressão por meio da Interação Tripla do Modelo Log-linear para Tabelas de Contingências mostrou evidência estatisticamente significante entre as variáveis de trauma anorretal e padrão intestinal de constipação (p=0,045); uso de analgésicos e padrão intestinal de constipação (p=0,041); e lanche da manhã/grupo 1 e padrão intestinal de constipação (p=0,022). O Teste de Cochran-Mantel-Haenszel-CMH mostrou evidências estatisticamente significantes entre as seguintes variáveis: 1) sexo e padrão intestinal (p<0,001), onde o padrão intestinal normal e de incontinência anal foram associados ao sexo masculino (médias de 82,78% e 7,54%, respectivamente), enquanto o padrão intestinal constipado associou-se ao sexo feminino (média de 25,78%); 2) doenças/cirurgias e padrão intestinal, onde diabetes associou-se ao padrão de incontinência anal (p=0,029); doenças osteomusculares ao padrão intestinal de constipação (p=0,026); fístula anorretal ao padrão de incontinência anal (p=0,009); fissura anorretal ao padrão de incontinência anal (p=0,006); hemorroida ao padrão intestinal de constipação (p<0,001); uso de outros medicamentos ao padrão de incontinência anal (p<0,001); cirurgias gineco-obstétricas ao padrão intestinal de constipação (p=0,048); cirurgiasortopédicas ao padrão intestinal de constipação (p<0,001); 3) histórico de filhos e padrão intestinal, onde o histórico associou-se ao padrão intestinal de constipação e padrão de incontinência anal (p=0,038); 4) estilos de vida e padrão intestinal, onde a atividade física associou-se ao padrão intestinal de constipação (p=0,001) e tabagismo ao padrão de incontinência anal (p=0,006); 5) consumo alimentar e padrão intestinal, onde o consumo de tubérculos e raízes associou-se ao padrão intestinal normal; baixo consumo de tubérculos de raízes ao padrão intestinal de constipação (p=0,040); consumo de ultraprocessados ao padrão de incontinência anal (p=0,035); e consumo de carboidratos ao padrão de incontinência anal (p=0,024). Conclusões e impacto na prática: O presente estudo constitui a primeira investigação realizada na Região Amazônica sobre os padrões intestinais da população geral, sob a influência dos eventos climáticos de inundação e seca, sendo considerada uma pesquisa inédita. Os índices de prevalência dos padrões intestinais normal, constipado e de incontinência anal são similares aos dados encontrados na literatura, e inúmeros fatores mostraram-se associados na comparação entre eles. Espera-se que nossos resultados possam subsidiar a elaboração de estratégias de saúde para essa população, a fim de contribuir para o crescimento do conhecimento na área e o estabelecimento de protocolos preventivos saudáveis visando à manutenção ou desenvolvimento de padrõesintestinais adequados
- Imprenta:
- Data da defesa: 28.07.2023
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ABNT
GUIMARÃES, Patrícia dos Santos. Padrão intestinal da população adulta urbana e eventos climáticos em um município do interior da Amazônia brasileira. 2023. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-14022025-105005/. Acesso em: 23 fev. 2026. -
APA
Guimarães, P. dos S. (2023). Padrão intestinal da população adulta urbana e eventos climáticos em um município do interior da Amazônia brasileira (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-14022025-105005/ -
NLM
Guimarães P dos S. Padrão intestinal da população adulta urbana e eventos climáticos em um município do interior da Amazônia brasileira [Internet]. 2023 ;[citado 2026 fev. 23 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-14022025-105005/ -
Vancouver
Guimarães P dos S. Padrão intestinal da população adulta urbana e eventos climáticos em um município do interior da Amazônia brasileira [Internet]. 2023 ;[citado 2026 fev. 23 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-14022025-105005/
Informações sobre o DOI: 10.11606/T.7.2023.tde-14022025-105005 (Fonte: oaDOI API)
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