Rios vazantes: autonomias indígenas e geografias anticoloniais na Amazônia brasileira (2024)
- Authors:
- Autor USP: ALKMIN, FABIO MÁRCIO - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLG
- DOI: 10.11606/T.8.2024.tde-28112024-113909
- Subjects: AUTODETERMINAÇÃO; INDÍGENAS; TERRITÓRIO; AMAZÔNIA
- Keywords: Autonomia indígena; Indigenous autonomy
- Agências de fomento:
- Language: Português
- Abstract: Desde meados da década de 1970, organizações indígenas na América Latina têm mobilizado o princípio da autonomia para resistir aos violentos processos de exploração e espoliação capitalista. Elas se afirmam como sujeitos coletivos de direito, defendendo ativamente seus territórios e modos de vida por meio do fortalecimento da autodeterminação e do autogoverno. No Brasil, especialmente na Amazônia, a compreensão desse processo é ainda incipiente, apesar da relevância das autonomias como mecanismos de territorialização e resistência anticolonial dos povos indígenas. Este estudo visa contribuir para o entendimento desse fenômeno, analisando as particularidades das autonomias indígenas na Amazônia Legal brasileira, especialmente após a promulgação da Constituição Federal de 1988. A abordagem teórica adotada é materialista, histórica e dialética, fundamentada em análises qualitativas de fontes primárias e secundárias. A pesquisa incluiu a análise de documentos de organizações indígenas, trabalhos de campo em territórios autônomos no Pará, Amazonas e México, e uma extensa revisão bibliográfica interdisciplinar. Além disso, pesquisei documentos em arquivos históricos, analisei materiais audiovisuais e utilizei imagens de satélite para interpretar as dinâmicas territoriais autonômicas. Como resultado, identifiquei 13 diferentes estratégias de autonomia desenvolvidas pelos povos indígenas amazônicos, analisadas a partir de uma representação intitulada "árvore da autonomia".Essas estratégias incluem a autodemarcação, retomadas, grupos de vigilância territorial, segurança comunitária, protocolos de consulta, processos de educação autônoma, entre outras. Complementarmente, sustento que na perspectiva dos povos indígenas o colonialismo não é um evento histórico já encerrado, mas um processo contínuo que se manifesta historicamente como o modus operandi do Estado e do capitalismo na Amazônia. Destaco ainda que esse colonialismo é intensificado pela emergência climática e pela financeirização da natureza no âmbito da economia verde. Concluo argumentando que a autonomia, embora frequentemente invisibilizada, é uma práxis anticolonial e um princípio axiológico imprescindível para os povos indígenas amazônicos. Essa práxis autonômica é intrinsecamente socioterritorial e faz do território tanto um produto quanto um produtor de tais processos, conferindo, assim, uma grande relevância teórica e política aos aspectos geográficos das autonomias
- Imprenta:
- Data da defesa: 29.07.2024
- Este periódico é de acesso aberto
- Este artigo NÃO é de acesso aberto
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ABNT
ALKMIN, Fabio Márcio. Rios vazantes: autonomias indígenas e geografias anticoloniais na Amazônia brasileira. 2024. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2024. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-28112024-113909/. Acesso em: 25 jan. 2026. -
APA
Alkmin, F. M. (2024). Rios vazantes: autonomias indígenas e geografias anticoloniais na Amazônia brasileira (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-28112024-113909/ -
NLM
Alkmin FM. Rios vazantes: autonomias indígenas e geografias anticoloniais na Amazônia brasileira [Internet]. 2024 ;[citado 2026 jan. 25 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-28112024-113909/ -
Vancouver
Alkmin FM. Rios vazantes: autonomias indígenas e geografias anticoloniais na Amazônia brasileira [Internet]. 2024 ;[citado 2026 jan. 25 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-28112024-113909/
Informações sobre o DOI: 10.11606/T.8.2024.tde-28112024-113909 (Fonte: oaDOI API)
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