Quimioestratigrafia isotópica (C, O, Sr, Li e Mg) dos carbonatos neoproterozoicos da Formação Salitre, Bacia do Irecê: implicações para o intemperismo químico em bacias epicontinentais do Gondwana Ocidental (2024)
- Authors:
- Autor USP: RUEDA, CAROLINA BEDOYA - IGC
- Unidade: IGC
- Sigla do Departamento: GMG
- DOI: 10.11606/T.44.2024.tde-11102024-073336
- Subjects: BIOMINERALIZAÇÃO; GEOQUÍMICA ISOTÓPICA; QUIMIOESTRATIGRAFIA
- Keywords: Bacia do Irecê; Irecê Basin
- Language: Português
- Abstract: Durante o Neoproterozoico, ocorreram mudanças significativas no ciclo evolutivo da vida terrestre, marcadas pela aparição dos primeiros macroorganismos biomineralizados. Essas mudanças são atribuídas a várias causas, incluindo mudanças tectônicas, como a aglutinação de supercontinentes, e mudanças climáticas, como glaciações globais, eventos de oxigenação dos oceanos e um aumento de nutrientes aos oceanos por meio do intemperismo químico da crosta continental. Estudos focados em compreender melhor as relações entre essas mudanças no sistema Terra e a evolução da vida, são necessários. Nesse sentido, este trabalho fornece novas informações sobre a evolução estratigráfica da Bacia do Irecê com base em análises de fácies, quimioestratigrafia isotópica detalhada (C, O, Sr, Li e Mg), assim como dados geoquímicos de elementos de terras raras, maiores e traços. A análise de fácies sedimentares e a identificação de associações de fácies permitiram dividir a Formação Salitre em duas sequências: a sequência basal (S1), que representa uma sequência completa de transgressão-regressão, caracteriza-se por ambientes predominantemente rasos, com influência significativa de águas meteóricas/continentais e condições evaporíticas episódicas. Foi observado um controle estratigráfico forte sobre os depósitos de fosforito presentes nesta formação, bem como uma estreita relação entre os fosforitos e a dolomitização durante a etapa regressiva na bacia nesta primeira sequência. A segunda sequência(S2), identificada na parte superior da Formação Salitre, representa uma fase transgressiva com fácies de águas mais profundas. Através do uso de análises geoquímicas e isotópicas (C, O, Sr, REY), foi possível elucidar o modelo de dolomitização para esta formação, explicado pela influência das condições evaporíticas e da zona de mistura meteórica entre água doce e água do mar, principalmente em planícies de maré, onde foram documentados pseudomorfos de minerais evaporíticos. Além disso, valores consideravelmente pesados de 18O sugerem uma evaporação intensa em ambientes marinhos restritos. A forte influência da mistura de águas continentais com o mar impulsionou tanto os processos de dolomitização quanto os de fosfatização. Por meio da análise dos dados REY e das razões de 87Sr/86Sr, foram identificados três estágios de fosfogêneses presentes nas rochas da Formação Salitre. Os resultados isotópicos de Li, Mg e Sr foram utilizados para compreender os regimes de intemperismo na Bacia do Irecê e sua relação com o aporte de nutrientes dos continentes para o oceano. Da base para o topo das seções é possível observar um aumento notável nas razões Sr/Ca e uma tendência decrescente nos valores de 7Li, 26Mg e razões 87Sr/86Sr nas rochas da Formação Salitre, sugerindo uma mudança ambiental de intemperismo incongruente para congruente nas áreas fonte. Isso sugere um aumento na alcalinidade da água do mar que pode ter modificado a composição química do ambiente marinho para criarcondições favoráveis à biomineralizaç. No entanto, não há registros significativos de macroorganismos biomineralizados na Formação Salitre, o que pode ser explicado pelas condições restritas da bacia, onde o alto aporte de nutrientes associado ao intemperismo congruente pode ter levado à eutrofização e, consequentemente, ao declínio da habitabilidade. O uso de diferentes proxies, como os utilizados neste estudo, demonstra a capacidade de rastrear uma variedade de condições climáticas e padrões de intemperismo ao longo de períodos geológicos passados. Isso contribui significativamente para o aprimoramento do entendimento sobre o ambiente de deposição das rochas desta formação, além de abrir novas perspectivas para futuras pesquisas, especialmente com a aplicação de isótopos não tradicionais de Li e Mg
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- Data da defesa: 08.08.2024
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- Este artigo NÃO é de acesso aberto
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ABNT
BEDOYA-RUEDA, Carolina. Quimioestratigrafia isotópica (C, O, Sr, Li e Mg) dos carbonatos neoproterozoicos da Formação Salitre, Bacia do Irecê: implicações para o intemperismo químico em bacias epicontinentais do Gondwana Ocidental. 2024. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2024. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44141/tde-11102024-073336/. Acesso em: 22 jan. 2026. -
APA
Bedoya-Rueda, C. (2024). Quimioestratigrafia isotópica (C, O, Sr, Li e Mg) dos carbonatos neoproterozoicos da Formação Salitre, Bacia do Irecê: implicações para o intemperismo químico em bacias epicontinentais do Gondwana Ocidental (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44141/tde-11102024-073336/ -
NLM
Bedoya-Rueda C. Quimioestratigrafia isotópica (C, O, Sr, Li e Mg) dos carbonatos neoproterozoicos da Formação Salitre, Bacia do Irecê: implicações para o intemperismo químico em bacias epicontinentais do Gondwana Ocidental [Internet]. 2024 ;[citado 2026 jan. 22 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44141/tde-11102024-073336/ -
Vancouver
Bedoya-Rueda C. Quimioestratigrafia isotópica (C, O, Sr, Li e Mg) dos carbonatos neoproterozoicos da Formação Salitre, Bacia do Irecê: implicações para o intemperismo químico em bacias epicontinentais do Gondwana Ocidental [Internet]. 2024 ;[citado 2026 jan. 22 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44141/tde-11102024-073336/ - Quimioestratigrafia isotópica (C, O, Sr) de alta resolução dos carbonatos da Formação Sete Lagoas, Grupo Bambuí, na região sudoeste da Bacia do São Francisco
- Quimioestratigrafia dos carbonatos da Bacia dos Parecis e correlação com as glaciações neoproterozoicas no Cráton Amazônico
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Informações sobre o DOI: 10.11606/T.44.2024.tde-11102024-073336 (Fonte: oaDOI API)
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