A razão comprometida: grupos polarizados e explicações radicais (2023)
- Authors:
- Autor USP: MARTINS, ROGERIO FERNANDES - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLF
- DOI: 10.11606/D.8.2023.tde-29022024-133340
- Subjects: EPISTEMOLOGIA; DISCURSO
- Keywords: Belief formation; Bolhas epistêmicas; Epistemic bubbles; Epistemologia social; Explanations; Explicações; Formação de crenças; Group polarization; Polarização grupal; Social epistemology
- Language: Português
- Abstract: Esta dissertação de mestrado examina, sob uma perspectiva filosófica, aspectos da intensa polarização de crenças e opiniões presentemente observada em diversos grupos sociais. Mais precisamente, a análise se concentra na persistência de discursos explicativos falaciosos dentro desses grupos, expandindo-se em um estudo abrangente sobre sua origem e perpetuação. Inicialmente, o termo "polarização" é definido como o deslocamento de opinião para extremos em grupos compostos por indivíduos que pensam de modo semelhante, após a ocorrência de algum evento deliberativo. Particularmente, a atenção concentra-se nos grupos polarizados mais coesos e persistentes, denominados "bolhas epistêmicas". Estes são ambientes nos quais os indivíduos não conseguem distinguir entre o que acreditam conhecer e o que de fato conhecem. Nomeia-se o discurso explicativo falacioso proferido nesses contextos como "razão comprometida". Essa denominação abrange duas interpretações distintas. A primeira interpretação considera a expressão "razão comprometida" como um raciocínio duvidoso ou falho, levantando a questão: por que explicações ilegítimas são tão persuasivas no interior dessas bolhas? Para examinar essa situação, recorre-se a uma análise combinada de várias teorias, incluindo a teoria pragmática da explicação de van Fraassen, a teoria dos atos de fala de Austin e a teoria das implicaturas de Grice.Essa análise revela que a força e os efeitos produzidos por uma explicação não dependem necessariamente da veracidade de seus componentes. A segunda interpretação considera a expressão "razão comprometida" como o resultado de um compromisso grupal, explicando a sustentação e a tenacidade na defesa de discursos falaciosos, mesmo que fortemente contestados, no interior desses grupos. Nessa abordagem, recorre-se à epistemologia dos grupos e à tese da negociação de crença coletiva de Gilbert e Priest, que afirma que as crenças grupais emergem de uma negociação linguística coletiva, culminando em um compromisso mútuo com o que é proferido nesse contexto. Isso sugere a prevalência de lealdade grupal sobre razões epistêmicas na articulação, por exemplo, de discursos explicativos no interior desses grupos. As considerações desenvolvidas ao longo do texto facilitam a análise e a avaliação das intervenções atualmente propostas para mitigar os efeitos da polarização, além de sugerirem um caminho para futuras pesquisas
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- Data da defesa: 17.10.2023
- Este periódico é de acesso aberto
- Este artigo NÃO é de acesso aberto
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ABNT
MARTINS, Rogerio Fernandes. A razão comprometida: grupos polarizados e explicações radicais. 2023. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29022024-133340/. Acesso em: 22 jan. 2026. -
APA
Martins, R. F. (2023). A razão comprometida: grupos polarizados e explicações radicais (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29022024-133340/ -
NLM
Martins RF. A razão comprometida: grupos polarizados e explicações radicais [Internet]. 2023 ;[citado 2026 jan. 22 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29022024-133340/ -
Vancouver
Martins RF. A razão comprometida: grupos polarizados e explicações radicais [Internet]. 2023 ;[citado 2026 jan. 22 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29022024-133340/
Informações sobre o DOI: 10.11606/D.8.2023.tde-29022024-133340 (Fonte: oaDOI API)
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