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A relação de causalidade entre Zika vírus e síndrome congênita: análise de uma controvérsia em meio a uma crise de saúde pública (2021)

  • Authors:
  • Autor USP: OLIVEIRA, MONIQUE BATISTA DE - FSP
  • Unidade: FSP
  • DOI: 10.11606/T.6.2021.tde-17092021-133130
  • Subjects: ZIKA VÍRUS; SURTOS DE DOENÇAS; DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE; SOCIOLOGIA
  • Keywords: Dissensos e Disputas; Epidemias
  • Language: Português
  • Abstract: Introdução — Um vírus recém-chegado ao Brasil, o Zika, é tido como causa do aumento de más-formações congênitas em 2016 com evidências consideradas frágeis (correlação temporal, análises laboratoriais e estudos de caso). Objetivo — Analisa-se dissensos e consensos em torno da causalidade Zika-microcefalia entre 2015 e 2017 no Brasil, com o intuito de entender o porquê das disputas, reconstruir a narrativa a partir de atores diversos e investigar seu impacto. Métodos — Com metodologia inspirada na Teoria Ator-Rede e no mapeamento de controvérsias — em que se seguem conexões diversas a partir do entendimento de que evidências científicas são coproduzidas por ciência e sociedade, humanos e não humanos — foram feitas 50 entrevistas e uma roda de conversa com 13 mães em 8 estados brasileiros: Bahia (Salvador), Brasília (Distrito Federal), Pará (Ananindeua e Belém), Paraíba (Campina Grande), Pernambuco (Recife), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (Natal) e São Paulo (Jundiaí, São Paulo e Campinas), além de visitas a instituições como a Fiocruz e universidades. Resultados — Como contribuição principal, a análise propõe que a explicação para as más-formações foi apresentada à narrativa pública com uma perspectiva unicausal atrelada ao Zika vírus — como uma hipótese-fato e não uma hipótese-pergunta — apesar de evidências multicausais e de cofatores associados ao desfecho. O trabalho denomina a narrativa da causalidade das anomalias observadas entre 2015 e 2017 como uma causa constrita de efeito cosmológico, em que a relação "A (Zika), logo B (Microcefalia)" é transladada como um problema central no fenômeno, sobrepondo-se a outras hipóteses multicausais e necessidades de estudos científicos para outros objetos — como intervenções em crianças e determinantes sociais.A análise destaca que, embora evidências epidemiológicas apontem para diferenças de risco no território brasileiro, a pergunta sobre a possibilidade de cofatores não deflagrou a mesma mobilização que a procura do agente etiológico. Atravessada por discussões globais e um modelo padrão de governança de risco, a controvérsia foi estabilizada por uma aliança cientistasimprensa- gestores, com a mobilização de uma ontologia única e purificada de não humanos — e não porque acabaram-se as perguntas —, o que invisibilizou dinâmicas locais. Nota-se que a opção pela simplicidade do discurso teve por base um modelo deficitário e pouco participativo de divulgação pública, que reforça a unicausalidade e atrela o Zika à ontologia da dengue, com consequências para a prevenção e para a própria ciência, que experimenta os efeitos recursivos da narrativa proposta. Apontase que cientistas têm preocupações sociais, mas pouca reflexividade sobre sua agência para além da produção de evidências. Conclusões — Considera-se a necessidade de discursos multicausais de epidemias na narrativa pública brasileira, vindos de cientistas e de instituições de pesquisa centrais, de modo a conferir variadas vias de ação de enfrentamento, bem como a formulação de perguntas científicas reflexivas e dinâmicas com capacidade de refazer hipóteses a partir da produção de novas evidências ao longo do tempo.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 14.07.2021
  • Acesso à fonteDOI
    Informações sobre o DOI: 10.11606/T.6.2021.tde-17092021-133130 (Fonte: oaDOI API)
    • Este periódico é de acesso aberto
    • Este artigo é de acesso aberto
    • URL de acesso aberto
    • Cor do Acesso Aberto: gold
    • Licença: cc-by-nc-sa

    How to cite
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    • ABNT

      OLIVEIRA, Monique Batista de. A relação de causalidade entre Zika vírus e síndrome congênita: análise de uma controvérsia em meio a uma crise de saúde pública. 2021. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.11606/T.6.2021.tde-17092021-133130. Acesso em: 09 jan. 2026.
    • APA

      Oliveira, M. B. de. (2021). A relação de causalidade entre Zika vírus e síndrome congênita: análise de uma controvérsia em meio a uma crise de saúde pública (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://doi.org/10.11606/T.6.2021.tde-17092021-133130
    • NLM

      Oliveira MB de. A relação de causalidade entre Zika vírus e síndrome congênita: análise de uma controvérsia em meio a uma crise de saúde pública [Internet]. 2021 ;[citado 2026 jan. 09 ] Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2021.tde-17092021-133130
    • Vancouver

      Oliveira MB de. A relação de causalidade entre Zika vírus e síndrome congênita: análise de uma controvérsia em meio a uma crise de saúde pública [Internet]. 2021 ;[citado 2026 jan. 09 ] Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2021.tde-17092021-133130


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