Propriedades inflamatórias do veneno da serpente Bitis arietans: contribuição dos mediadores lipídicos no envenenamento in vivo e ação de toxinas isoladas do veneno em macrófagos humanos (2019)
- Authors:
- Autor USP: MEGALE, ÂNGELA ALICE AMADEU - ICB
- Unidade: ICB
- Sigla do Departamento: BMI
- Subjects: INFLAMAÇÃO; SERPENTES; VENENOS DE ORIGEM ANIMAL; TOXINAS EM ANIMAL; MACRÓFAGOS; ENVENENAMENTO POR ANIMAIS PEÇONHENTOS; QUIMIOCINAS
- Keywords: Bitis arietans; Bitis arietans; Inflamação; Inflammation; Lipid mediators; Mediadores lipídicos; Purified toxin; Toxinas purificadas; Veneno; Venom
- Language: Português
- Abstract: Bitis arietans é uma serpente de importância médica encontrada em toda a África subsaariana e em savanas e pastos do Marrocos e da Arábia ocidental. O envenenamento é caracterizado por reações locais e sistêmicas, incluindo inflamação e distúrbios hemostáticos e cardiovasculares, os quais podem levar a morte ou incapacidades permanentes. No entanto, o mecanismo subjacente ao envenenamento é pouco explorado, especialmente com relação ao envolvimento do processo inflamatório, tornando-se justificáveis a caracterização dos componentes e o modo de ação deste veneno. Portanto, o presente trabalho teve como um dos objetivos estudar as reações agudas promovidas pelo veneno da serpente B. arietans e a contribuição dos mediadores lipídicos para estes eventos. Em modelo de peritonite, o veneno induziu inflamação in vivo, caracterizada pelo aumento da permeabilidade vascular e do número de leucócitos PMNs na cavidade peritoneal, acompanhados pela produção dos eicosanoides LTB4, LTC4, TXB2 e PGE2, bem como pela produção local e sistêmica de IL-6 e MCP-1. Devido à hemorragia, é possível que outros componentes plasmáticos, como as plaquetas, tenham extravasado para a cavidade. A partir de intervenções farmacológicas e uso de camundongos knockout, este estudo mostrou que os mediadores lipídicos interferem de maneira significativa nestes eventos. A inibição da geração de leucotrienos não é suficiente para atenuar a inflamação aguda. Por outro lado, prostanoides metabolizados por COX-1, possivelmente o TXB2, contribuem para o aumento do número de leucócitos PMNs na cavidade peritoneal.Ao passo que animais deficientes do receptor do PAF (PAFR-/-) apresentaram redução tanto do número de leucócitos PMNs, quanto da produção local e sistêmica de IL-6 e MCP-1. Os fármacos utilizados para a inibição destes mediadores podem contribuir de maneira positiva e, sobretudo, complexa no controle das reações agudas provocadas pelo veneno. Além disso, os mediadores lipídicos parecem estar envolvidos com a modulação da hemorragia local. Paralelamente, foram purificadas e caracterizadas uma serino protease (SVSP), fibrinogenolítica e cininogenolítica, bem como uma metaloprotease (SVMP), fibrinogenolítica e capaz de hidrolisar a fibronectina, as quais podem estar envolvidas com a hemorragia e distúrbios cardiovasculares e com o dano tecidual provocado pelo veneno. Em macrófagos humanos, a SVSP induziu a produção de TNF, IL-6 e IL-1β, além das quimiocinas IL-8, IP-10, MCP-1 e RANTES, potentes mediadores inflamatórios. Por outro lado, a SVMP induziu a produção de IL-10, uma importante citocina anti-inflamatória, além de IL-1β, IL-8, MCP-1 e RANTES, embora em níveis significativamente menores que a SVSP. Nos macrófagos, o veneno induziu a produção de TNF, IL-1β e PGE2. Em conjunto, os dados indicam que: 1) o veneno de B. arietans é capaz de induzir inflamação e hemorragia in vivo, as quais são parcialmente moduladas pelos mediadores lipídicos; 2) a SVSP purificada do veneno é importante para a indução da resposta inflamatória; e 3) que os macrófagos são uma importante fonte dos mediadores inflamatórios induzidos tanto pelo veneno, quanto pela SVSP. Deste modo, os resultados obtidos auxiliam na compreensão dos mecanismos envolvidos no envenenamento e podem ser úteis para o estudo de novas terapias complementares ao antiveneno no tratamento dos acidentes por B. arietans, uma vez que a inflamação e a hemorragia desempenham um papel importante no envenenamento e contribu
- Imprenta:
- Data da defesa: 14.05.2019
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ABNT
MEGALE, Ângela Alice Amadeu. Propriedades inflamatórias do veneno da serpente Bitis arietans: contribuição dos mediadores lipídicos no envenenamento in vivo e ação de toxinas isoladas do veneno em macrófagos humanos. 2019. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42133/tde-26112019-115653/. Acesso em: 26 jan. 2026. -
APA
Megale, Â. A. A. (2019). Propriedades inflamatórias do veneno da serpente Bitis arietans: contribuição dos mediadores lipídicos no envenenamento in vivo e ação de toxinas isoladas do veneno em macrófagos humanos (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42133/tde-26112019-115653/ -
NLM
Megale ÂAA. Propriedades inflamatórias do veneno da serpente Bitis arietans: contribuição dos mediadores lipídicos no envenenamento in vivo e ação de toxinas isoladas do veneno em macrófagos humanos [Internet]. 2019 ;[citado 2026 jan. 26 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42133/tde-26112019-115653/ -
Vancouver
Megale ÂAA. Propriedades inflamatórias do veneno da serpente Bitis arietans: contribuição dos mediadores lipídicos no envenenamento in vivo e ação de toxinas isoladas do veneno em macrófagos humanos [Internet]. 2019 ;[citado 2026 jan. 26 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42133/tde-26112019-115653/
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