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Luto antecipatório em pacientes com indicação para o Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas (2019)

  • Authors:
  • Autor USP: MAREZE, JULIANA TOMÉ GARCIA - FFCLRP
  • Unidade: FFCLRP
  • Sigla do Departamento: 594
  • Subjects: PSICOLOGIA DA SAÚDE; LUTO (ESTADO EMOCIONAL); CÉLULAS-TRONCO; NEOPLASIAS
  • Language: Português
  • Abstract: O diagnóstico de uma doença com um prognóstico tão reservado como o câncer é vivenciado, muitas vezes, como uma "sentença de morte", uma interrupção da linha de continuidade da saúde, sendo associado às perdas de sonhos e planos para o futuro e a quebra do mito de que doenças fatais só acontecem com os outros. Uma das propostas curativos modernas para alguns tipos de câncer é o Transplante de Células Tronco-Hematopoéticas (TCTH), que apesar de apresentar a possibilidade de cura, também se apresenta como possibilidade de perda da vida, uma vez que sua realização implica em riscos para o paciente. Considerando-se que a necessidade de tomada de decisão pelo TCTH acontece, muitas vezes, logo após o recebimento da comunicação do diagnóstico de uma doença potencialmente fatal, aliado a forma ambivalente como o transplante se apresenta, salvadora e ameaçadora, sentimentos de luto são mobilizados tanto no paciente como em seus familiares que vivenciam juntos este momento, desencadeando o processo de luto antecipatório. Observou-se, por meio de revisão integrativa da literatura, que o luto antecipatório nos pacientes só recentemente é alvo de investigação clínica, sendo ainda escassos os trabalhos que trazem contribuições para essa área. Considerando esses pressupostos, este estudo teve por objetivo compreender o processo de luto antecipatório vivenciado pelos pacientes com indicação para o TCTH. Mais especificadamente procurou-se compreender: (1) os sentidos do adoecimento e como eles são elaborados e reelaborados; (2) os lutos já vivenciados (luto pela perda da saúde, luto pelas mudanças corporais, lutos pelos papéis sociais, dentre outros); (3) fontes de apoio que possuem ou que possam acossar; (4) desejos, necessidades atuais e expectativas e planos futuros. Trata-se de um estudo clinico-qualitativo, transversal, descritivo-exploratório e que teve comoreferencial teórico o luto antecipatório. A teoria do luto antecipatório preconiza a vivência de quatros fases: aceitação do diagnóstico e da inevitabilidade da morte; vivência da dor de inúmeras perdas; adaptação à nova condição; e introspecção e reflexão sobre a própria vida e o consequente desengajamento. A amostra de conveniência foi composta por nove pacientes adultos, de ambos os sexos, com indicação para o TCTH, que estavam agendados em um ambulatório pré-TCTH. Para a construção do corpus de análise foi aplicado um Formulário para obtenção dos dados sociodemográficos e clínicos e uma entrevista semiestruturada, pautada em um roteiro temático que possibilitou o acesso aos dados relativos ao adoecimento e tratamento. Foram investigadas questões referentes à vida pré-adoecimento, impacto do diagnóstico, perdas vivenciadas nesse período, fontes de apoio, expectativa em relação ao transplante e planos futuros. A coleta de dados foi realizada individualmente, em situação face a face, com duração de aproximadamente 45 minutos e audiogravada mediante autorização dos participantes. O conteúdo posteriormente, foi transcrito literalmente e na íntegra e submetido à análise temática. Os resultados foram organizados em duas grandes categorias: a) Receber o diagnóstico: meu mundo em ruínas: referente ao modo como a vida está organizada antes do adoecimento, ao impacto quermesse trouxe para cada paciente e o modo como o tratamento foi inserido na rotina; b) Convivendo com a doença: um novo existir: que traz conteúdos sobre a possibilidade do emergir de uma nova existência após um diagnóstico grave, como as perdas e ganhos dessa situação. Constatou-se um choque, uma ruptura inesperada no percurso, que trouxe subtrações e, por elas, tristezas e sofrimento. Mas, então, houve um acostumar-se, uma abertura a reflexão, e disso surgiu uma nova formade ser e estar, mais integrada que no passado recente. E o que se constata é o oposto do imaginado e teorizado possível desengajamento da vida. São as lutas, o desejo de estar vivo e a continua transformação. Assim, foi possível produzir um conhecimento que pode auxiliar na compreensão do impacto do adoecimento, dos conflitos vivenciados pela decisão de realização de um procedimento de alta complexidade e risco de mortalidade, da vivência do luto antecipatório pelo paciente e, a partir dessa compreensão, oferecer sugestões para aprimorar o serviço de saúde, buscando melhor suprir as necessidades dos pacientes, contribuindo ou para uma recuperação mais plena, ou para um encontro com a terminalidade perrneado por menos sofrimento
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 28.06.2019

  • How to cite
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    • ABNT

      MAREZE, Juliana Tomé Garcia. Luto antecipatório em pacientes com indicação para o Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas. 2019. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2019. . Acesso em: 06 fev. 2026.
    • APA

      Mareze, J. T. G. (2019). Luto antecipatório em pacientes com indicação para o Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Mareze JTG. Luto antecipatório em pacientes com indicação para o Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas. 2019 ;[citado 2026 fev. 06 ]
    • Vancouver

      Mareze JTG. Luto antecipatório em pacientes com indicação para o Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas. 2019 ;[citado 2026 fev. 06 ]

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