Da solidão do ato à exposição judicial: uma abordagem antropológico-jurídica do infanticídio no Brasil (2019)
- Authors:
- Autor USP: ANGOTTI, BRUNA - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLA
- Subjects: INFANTICÍDIO; ANTROPOLOGIA JURÍDICA; CRIMINALIDADE
- Keywords: Criminal women; Mulher criminosa; Neonaticide; Neonaticídio
- Agências de fomento:
- Language: Português
- Abstract: O Código Penal Brasileiro, atualmente em vigor, prevê o crime de infanticídio como o ato de matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após. Trata-se de crime cuja agente é necessariamente a parturiente ou a puérpera. Com pena reduzida em relação ao homicídio, é considerado um crime excepcional, pelo fato de ser cometido por mulher sem completo domínio dos seus atos. No Brasil, os saberes sobre o tema são produzidos especialmente nas doutrinas penais e médico-legais, sendo restrito o diálogo com pesquisas empíricas que analisam o fenômeno do infanticídio sob uma ótica interdisciplinar. O presente trabalho apresenta uma etnografia dos usos e entendimentos do tipo penal infanticídio, feita por meio da análise de sete processos judiciais; 179 acórdãos, entrevistas e conversas informais com personagens processuais envolvidos em casos nos quais se discutiu se tratar de infanticídio; participação em três sessões de julgamento, pelo Tribunal do Júri, de mulheres acusadas da morte de seu/sua recém-nascido/a; e análise da produção sobre infanticídio publicada em doutrinas penais e médico-legais. Seu principal objetivo foi compreender como quem acusa, defende ou julga essas mulheres utiliza e interpreta o tipo penal infanticídio e os elementos que fazem deste crime peculiar. Mapeei, também, que visões de mulher, maternidade, crime feminino estão embutidas na construção desse tipo penal específico, bem como a maneira como este é trabalhado nasdefesas e acusações judiciais. Por fim, identifiquei como os casos são apresentados e decididos no Sistema de Justiça Criminal. Concluí que há uma grande discrepância no modo como estes são interpretados e julgados, apesar da semelhança nítida que há entre eles, tendo as moralidades dos personagens processuais peso considerável nos rumos tomados nos autos. A mulher acusada de matar seu/sua recém-nascido/a é considerada mais ou menos cruel dependendo das lentes com as quais o caso é visto, sendo as expectativas acerca de uma maternidade sadia parâmetro para se julgar
- Imprenta:
- Data da defesa: 06.06.2019
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ABNT
ANGOTTI, Bruna. Da solidão do ato à exposição judicial: uma abordagem antropológico-jurídica do infanticídio no Brasil. 2019. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-16092019-153730/. Acesso em: 14 fev. 2026. -
APA
Angotti, B. (2019). Da solidão do ato à exposição judicial: uma abordagem antropológico-jurídica do infanticídio no Brasil (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-16092019-153730/ -
NLM
Angotti B. Da solidão do ato à exposição judicial: uma abordagem antropológico-jurídica do infanticídio no Brasil [Internet]. 2019 ;[citado 2026 fev. 14 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-16092019-153730/ -
Vancouver
Angotti B. Da solidão do ato à exposição judicial: uma abordagem antropológico-jurídica do infanticídio no Brasil [Internet]. 2019 ;[citado 2026 fev. 14 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-16092019-153730/
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