Dieta, excesso de peso e fatores de risco cardiometabólico na população da cidade de São Paulo: panorama 2003 - 2015 (2018)
- Authors:
- Autor USP: FRANÇA, JAQUELINE LOPES PEREIRA - FSP
- Unidade: FSP
- Sigla do Departamento: HNT
- DOI: 10.11606/T.6.2018.tde-28112018-115153
- Subjects: DIETA; SOBREPESO; OBESIDADE; EPIDEMIOLOGIA NUTRICIONAL; CONSUMO DE ALIMENTOS; FATORES DE RISCO; DOENÇAS CARDIOVASCULARES; SÍNDROME X METABÓLICA
- Keywords: Tamanho da Porção
- Agências de fomento:
- Language: Português
- Abstract: Introdução: O excesso de peso (EP, inclui sobrepeso e obesidade) configura um grande problema de saúde pública no país. A compreensão do estado nutricional ao longo do tempo e de fatores associados, como a dieta, além de suas possíveis consequências, como fatores de risco cardiometabólico, é essencial para o desenvolvimento de ações em saúde. Objetivo: Avaliar a prevalência de sobrepeso e obesidade na população da cidade de São Paulo, assim como modificações na dieta da população entre os anos de 2003 e 2015 e sua associação com fatores de risco cardiometabólico. Métodos: Foram utilizados dados do estudo transversal de base populacional ISA - Capital dos anos de 2003, 2008 e 2015, referentes à amostra probabilística de residentes do município de São Paulo com 12 anos ou mais, de ambos os sexos, totalizando 8.682 indivíduos. Dados socioeconômicos, antropométricos, de estilo de vida e recordatório alimentar de 24 horas foram coletadas em visitas domiciliares e inquérito telefônico. Os indivíduos foram classificados segundo IMC em duas categorias: com e sem EP. Os fatores de risco cardiometabólico avaliados foram: circunferência de cintura aumentada, pressão arterial sistólica ou diastólica elevada, dislipidemia, glicemia de jejum ou hemoglobina glicada elevadas e resistência à insulina. Foram avaliados a frequência de consumo e o tamanho das porções de 30 grupos de alimentos e a qualidade da dieta, utilizando o Índice de Qualidade da Dieta Revisado para a população brasileira(IQD-R) e o Alternate Healthy Eating Index-2010 (AHEI) americano. Variáveis categóricas foram descritas e comparadas por teste qui-quadrado de Pearson e intervalo de confiança de 95%. Foram utilizados modelos de regressão logística e logística ordinal para avaliar a associação das variáveis investigadas com EP e com fatores de risco cardiometabólico. Resultados: No período avaliado, a prevalência de obesidade na população dobrou: de 10% (8,0; 12,5) em 2003 para 19,2% (17,8; 20,6) em 2015, sendo o maior aumento entre adolescentes e adultos do sexo feminino. Adultos, pessoas com maior renda e ex-fumantes apresentaram maior chance de ter EP, o qual aumentou 31% entre 2003 e 2008 e 126% entre 2003 e 2015, quando metade da população passou a ter EP. Se esse padrão se mantiver, espera-se que 77% da população tenha EP em 2030. Neste período, houve uma variação no tamanho das porções consumidas, com aumento em alguns grupos de alimentos (carne branca, salgados, café/chá, ovos) e redução em outros (arroz, carne vermelha, doces, massas, sanduiches, frios). Além disso, a frequência de consumo de seis grupos aumentou no período (arroz, carne branca, doces, frutas, sucos industrializados, torradas/biscoitos). Nesta população, o EP se associou positivamente com maiores porções de frios, petiscos fritos, sucos naturais e industrializados, pizza, carne vermelha, arroz, salgados, refrigerantes, sopas e açúcar. Em relação à qualidade da dieta, adolescentes com EP apresentaram pior qualidadeda dieta para os componentes grãos integrais (IQD-R) e bebidas açucaradas (AHEI) em relação aos adolescentes sem EP. O IQD-R foi inversamente associado ao EP (OR=0.87; 0.80, 0.95) e ao número de fatores de risco cardiovascular (OR=0.89; 0.80, 0.98) nesta população. Conclusões: O EP aumentou substancialmente em um curto período na cidade de São Paulo, especificamente em alguns subgrupos e se associou positivamente com maior tamanho da porção de 11 grupos de alimentos na população geral e com menor qualidade da dieta entre os adolescentes. Adolescentes com menor qualidade da dieta também apresentaram maior chance de ter mais fatores de risco cardiometabólico. Esses achados podem subsidiar intervenções e políticas para redução da tendência de aumento do excesso de peso e melhora no consumo alimentar na população.
- Imprenta:
- Data da defesa: 23.11.2018
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
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- Versão publicada (Published version)
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-
ABNT
FRANÇA, Jaqueline Lopes Pereira. Dieta, excesso de peso e fatores de risco cardiometabólico na população da cidade de São Paulo: panorama 2003 - 2015. 2018. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-28112018-115153. Acesso em: 02 abr. 2026. -
APA
França, J. L. P. (2018). Dieta, excesso de peso e fatores de risco cardiometabólico na população da cidade de São Paulo: panorama 2003 - 2015 (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-28112018-115153 -
NLM
França JLP. Dieta, excesso de peso e fatores de risco cardiometabólico na população da cidade de São Paulo: panorama 2003 - 2015 [Internet]. 2018 ;[citado 2026 abr. 02 ] Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-28112018-115153 -
Vancouver
França JLP. Dieta, excesso de peso e fatores de risco cardiometabólico na população da cidade de São Paulo: panorama 2003 - 2015 [Internet]. 2018 ;[citado 2026 abr. 02 ] Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-28112018-115153 - Porções de alimentos e número de refeições realizadas por adultos e idosos do muncípio de São Paulo: relação com excesso de peso e perfil lipídico
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