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Fatores prognósticos e estratégias de gerenciamento de fluxo para o manejo da Sepse (2017)

  • Authors:
  • Autor USP: PIRES, HUDSON HENRIQUE GOMES - FMRP
  • Unidade: FMRP
  • Sigla do Departamento: RCM
  • Subjects: SEPSE; INFLAMAÇÃO; PACIENTES INTERNADOS
  • Keywords: Charlson Index; Emergency department; Índice de Charlson; Intensive care rationing; Patient transfer; Priorização de leitos intensivos; Regionalização; Regionalization; Sala de Urgência; Sepse; Transferência de Pacientes
  • Language: Português
  • Abstract: Introdução: A sepse é uma condição clínica de inflamação disseminada e descontrolada associada a um foco infeccioso. É uma condição de difícil estudo pela variedade de interações existentes entre as diversas instâncias do organismo e um conceito uniforme ainda está sendo debatido na literatura, o que dificulta a pesquisa e o estabelecimento de legislação que garanta fomento específico. Somado a isto, a exemplo de outras condições tempo-dependentes como infarto agudo do miocárdio, trauma e acidente vascular cerebral, a organização do fluxo do paciente através do sistema de saúde, garantindo leitos de terapia intensiva é fundamental. A U.E.-HCFMRP-USP é referência terciária para emergências para uma população de aproximadamente 4,5 milhões de habitantes e vem introduzindo mecanismos de gestão de fluxo como a priorização de leitos de terapia intensiva e desospitalização. Estas duas estratégias são recentes no Sistema Único de Saúde (SUS) e sua avaliação é fundamental para identificar o perfil de pacientes com Sepse e a importância da organização do sistema no prognóstico desta condição. Objetivos: 1) Avaliar a associação da priorização de Vagas em Terapia intensiva com a mortalidade, morbidade e tempo de permanência hospitalar dos pacientes; 2) Avaliar o perfil epidemiológico dos pacientes com Sepse admitidos na U.E.-HCFMRP-USP; 3) Avaliar a estratégia de priorização de vagas no acesso de pacientes em sepse grave ou choque séptico aos leitos de terapia intensiva; 4) Avaliar a estratégia de transferência para leitos de retaguarda na oferta de leitos de terapia intensiva; 5) Avaliar a estratégia de priorização de vagas no retardo ao acesso de pacientes em sepse grave ou choque séptico aos leitos de terapia intensiva; 6) Avaliar a estratégia de priorização de vagas na mortalidade de pacientes em sepse grave ou choque séptico aosleitos de terapia intensiva; 7) Avaliar o índice prognóstico "Quick" SOFA nos pacientes com sepse grave ou choque séptico admitidos na U.E.-HCFMRP-USP. Metodologia: Trata-se de uma coorte retrospectiva realizada a partir de dados administrativos obtidas do sistema eletrônico de gerenciamento de pacientes da UE-HCFMRP-USP de 01 janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 20016. Foram construídas duas bases de dados. A primeira embasada em internação como identificador, na qual foram derivadas variáveis que representam priorização, dados demográficos, Comorbidade (Índice de Comorbidade de Charlson), a gravidade ("Quick SOFA"), linha de cuidado, presença de sepse e variáveis de desfecho. A segunda embasada em cada dia do período de estudo composta por variáveis sobre o número de leitos de CTI disponíveis, número de admissões, número de altas, número de transferências para hospital geral e para hospital de retaguarda. As variáveis quantitativas foram expressas como média e desvio-padrão ou mediana e mínimo e máximo de acordo com o teste de normalidade e as variáveis categóricas como percentagem. Para análise univariada foram utilizados testes t de Student, Análise de Variância ou equivalentes não-paramétricos, qui-quadrado ou teste exato de Fisher e "Receiver Operating" Curves". Para a análise multivariada foram utilizadas a regressão logística multivariada com desfecho binário ou categórico conforme apropriado e a regressão multivariada de Poisson. A significância estatística foi expressa por p<0,05 ou a exclusão da unidade do intervalo de confiança. Resultados: 1) O processo de priorização de leitos de terapia intensiva se mostrou apropriado. Os pacientes que receberam prioridade maior para acesso ao CTI (prioridade 1-5826;62,5%) eram mais jovens (55;12-100 - p<0,01), apresentavam menos comorbidades (Charlson 0, 3583:61,5% - p<0,01) e menor gravidade (Quick"SOFA" 0,2170;37,2% - p<0,01; SOFA <10% - 1782;0,5% - p<0,01). Estes pacientes foram admitidos em maior proporção (2097;35,9% - p<0,01) e tiveram acesso mais rápido ao CTI (1081 ;52,5% - p<0,01), apresentando menor mortalidade (1853;31,8% - p<0,01). Ao se ajustar os possíveis fatores de confusão para estabelecer a razão de chances de receber prioridade 1 pelo intensivista, maior valor da classe de Charlson (Comorbidade) - OR 0,53; 0,49-0,57, do "Quick SOFA" (Gravidade) - OR 0,45; 0,43-0,48 e a presença da condição Sepse - OR 0,20-0,17;0,23 estiveram associados independentemente à menor chance de receber esta classificação. 2) Os pacientes sépticos identificados neste estudo tinham maior idade (61;12-97 - p<0,01), maior prevalência do gênero masculino (646;56,2% - p<0,01), menor amparo social (714;61,8% - p=0,048), maior índice de Comorbidade (Charlson 2 - 222;19,3% - p<0,01) e de Gravidade (SOFA >90% - 152;13,2% - p<0,01), apresentaram maior mortalidade intra-hospitalar (838;73% - p<0,01), maior retardo para admissão no CTI e maior duração da internação hospitalar (7,3;0-304 - p<0,01). Quando comparados com outras linhas de cuidado bem estabelecidas, observou-se que a Sepse pode ser equiparada com o Trauma em termos de incidência (sepse 1148;22,5% - p<0,01; trauma 1138;22,3% - p<0,01), sendo inferior apenas às Síndromes Coronarianas Agudas (SCA)(1972;38,7% - p<0,01). Na análise multivariada, a Sepse está associada à menor chance de receber prioridade 1 (0,2; IC 95% - 0,17;0,23) independente de outros fatores de confusão, persistiu como fator independente para mortalidade intra-hospitalar total (2,7; IC 95% - 2,32;3,17) e para a mortalidade de pacientes admitidos no CTI (2,38; IC 95% - 1,82;3,11). 3) A priorização de vagas facilitou o acesso dos pacientes ao CTI; 4) A estratégia de transferência de pacientes de alta dependência que deixaram de requerer recursos dealta complexidade se mostrou importante para o sistema. As três instituições parceiras não se distinguiram com relação ao índice de Comorbidade de Charlson (Altinópolis , Charlson 0, 25;28,1 %, Charlson 1, 29;32,6%, Charlson 2, 35;39,3%; Guariba Charlson 0, 60;35,7%, Charlson 1, 50;29,7%, Charlson 2, 58;34,5%; São Simão, Charlson 0, 20;28,5%, Charlson 1, 17;24,3%, Charlson 2, 33;47,2% - p=0,894) e tiveram desempenho semelhante com relação à mortalidade (Altinópolis 35;39,33%, Guariba 78;46,4%, São Simão 33;47,1% - p=0,26) e alta domiciliar (Altinópolis 37;41,5%; Guariba 60;35,71%, São Simão 19;27,1% - p=0,26). Os pacientes com problemas neurológicos foram responsáveis pela maioria das transferências (Altinópolis 61;68,5%, Guariba 92;54,7%, São Simão 40;57,1% - p=0,06). Ao longo dos anos, houve melhora do desempenho das instituições com relação à mortalidade (2013,16 óbitos;44,4%, 2016, 37 óbitos;35,2% - p<0,01) e a relação de permanência na U.E.-HCFMRP-USP comparada à permanência total (soma da internação na U.E.-HCFMRP-USP e da internação nos leitos de longa permanência) decresceu (2013, 67,8 dias;0-97,7, 2016, 58,87 dias;0-100 - p=0,005). Na análise multivariada, observou-se que a transferência para leitos de longa permanência foi fator independente em aumentar a disponibilidade de leitos de CTI na U.E.-HCFMRP-USP (com o ano de 2016 1,54; IC 95% - 1,18-2,01, excluindo-se o ano de 2016 1,73; IC 95% - 1,26;2,39). 5). Não houve retardo de admissão no CTI dos pacientes sépticos que receberam prioridade 1 quando se ajustou por possíveis fatores de confusão (0,43; IC 95% - 0,35;0,53); 6) O índice prognóstico "Quick" SOFA teve baixa acurácia nos pacientes com sepse grave ou choque séptico admitidos na U.E.-HCFMRPUSP (AUROC= 0,5646, IC95% - 0,52991 ;0,59930 - p<0,001). Conclusões: A Sepse apresentou elevada mortalidade mesmo quando foi garantida aadmissão ao CTI em comparação com outros estudos, o que pode refletir o viés de seleção da Regulação Médica. As estratégias de gerenciamento de fluxo foram eficazes em garantir acesso e aumentar a disponibilidade de leitos
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  • Data da defesa: 12.04.2017
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    • ABNT

      PIRES, Hudson Henrique Gomes; PAZIN FILHO, Antonio. Fatores prognósticos e estratégias de gerenciamento de fluxo para o manejo da Sepse. 2017.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2017. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-17042018-153309/ >.
    • APA

      Pires, H. H. G., & Pazin Filho, A. (2017). Fatores prognósticos e estratégias de gerenciamento de fluxo para o manejo da Sepse. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-17042018-153309/
    • NLM

      Pires HHG, Pazin Filho A. Fatores prognósticos e estratégias de gerenciamento de fluxo para o manejo da Sepse [Internet]. 2017 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-17042018-153309/
    • Vancouver

      Pires HHG, Pazin Filho A. Fatores prognósticos e estratégias de gerenciamento de fluxo para o manejo da Sepse [Internet]. 2017 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-17042018-153309/

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