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A experiência da maternidade no cárcere: cotidiano e trajetórias de vida (2017)

  • Authors:
  • Autor USP: SPINOLA, PRISCILLA FERES - FM
  • Unidade: FM
  • Sigla do Departamento: MFT
  • Subjects: PENITENCIÁRIA PARA MULHERES; PENITENCIÁRIA; MULHERES; RELAÇÕES FAMILIARES; RELAÇÕES MÃE-CRIANÇA; CUIDADO DA CRIANÇA; CUIDADO DO LACTENTE; CUIDADO PÓS-NATAL; ATIVIDADES COTIDIANAS; DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE; DIREITOS DA MULHER; DIREITOS POLÍTICOS DA MULHER; DIREITOS FUNDAMENTAIS
  • Keywords: Activities of daily living; Prisons; Women
  • Language: Português
  • Abstract: As experiências de maternidade nos presídios brasileiros têm crescido diante do aumento do número de mulheres presas. A complexidade dessa condição e as adversidades no meio das quais elas se desenrolam convocam pesquisadores a aprofundar o conhecimento destas experiências de modo a tirá-las da invisibilidade social. Esta pesquisa teve como objetivo conhecer e compreender a experiência da maternidade no cárcere, a partir do cotidiano e da trajetória de vida de mulheres egressas do sistema penitenciário. Foi realizado estudo exploratório, descritivo e reflexivo, de caráter qualitativo, balizando-se nos pressupostos da hermenêutica-dialética e na construção de duas histórias orais. Para a análise, elegeu-se como eixo central o conceito de cotidiano. Foi possível a identificação de dez categorias, apresentadas a partir de uma perspectiva temporal das trajetórias das colaboradoras. Como resultados, na experiência "Gestação, parto e pós-parto", observouse que as mulheres grávidas vivenciaram diferentes condições de vulnerabilidade e riscos para a sua integridade física, bem como do bebê em formação, com precário acesso aos cuidados em saúde e sob marcantes violações de direitos. Na experiência "Maternidade no cárcere", período em que mãe-bebê permaneceram juntos na instituição, constatou-se que, em contraponto ao desamparo vivenciado, práticas de solidariedade foram desenvolvidas pelas mulheres como modo de organização e resistência às dificuldades e privações materiais-afetivas por elas vividas. Constatou-se que a experiência de cuidados dos filhos era percebida como uma experiência prazerosa, mas também desgastante devido ao cuidado intensivo e exclusivo da criança e às tristezas e durezas vividas no contexto do encarceramento. Assim, frente às precariedades e às rígidas normas da prisão, as mulheres construíam estratégias para otimizar e garantir os cuidados dos bebês e de si, ora exibindo posturas de submissão ora de resistência e reinvenção do cotidiano. A anunciada separação mãe-bebê permeou o imaginário das mulheres durante todo o período da gravidez e cuidado do filho, antecipando o sofrimento da concretização da despedida. Após a entrega de seus filhos para suas famílias, as mulheres desenvolveram modos singulares de lidar com o sofrimento e com a preocupante sobrecarga física, emocional e financeira causada a seus familiares. No período "Vida após o cárcere", as experiências das colaboradoras mostraram a difícil retomada do contato com os filhos e as repercussões para sua relação futura com eles. Essas dificuldades foram agravadas pelas barreiras, preconceitos e precariedade de acesso às políticas sociais e às de suporte para a inclusão social após o encarceramento. Como resultado, as mulheres necessitaram agenciar, por si próprias, a construção de projetos de vida que viessem a garantir o futuro de seus filhos após a prisão. Concluiu-se que o cotidiano prisional se apresentou como violador e normatizador da experiência maternae de sua relação com as crianças. Ademais, constatou-se que a experiência de maternidade foi utilizada como mais um modo de punição das mulheres, com prejuízos a seus filhos, por vezes, irreparáveis e que extrapolaram o espaço-tempo do cárcere. Ainda assim, pôde-se perceber que, frente a violações e sofrimentos, as mulheres construíram espaços para reinvenção e resistência a esse aprisionante cotidiano
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 13.02.2017
  • Acesso à fonte
    How to cite
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    • ABNT

      SPINOLA, Priscilla Feres; GALHEIGO, Sandra Maria. A experiência da maternidade no cárcere: cotidiano e trajetórias de vida. 2017.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5170/tde-11052017-140243/ >.
    • APA

      Spinola, P. F., & Galheigo, S. M. (2017). A experiência da maternidade no cárcere: cotidiano e trajetórias de vida. Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5170/tde-11052017-140243/
    • NLM

      Spinola PF, Galheigo SM. A experiência da maternidade no cárcere: cotidiano e trajetórias de vida [Internet]. 2017 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5170/tde-11052017-140243/
    • Vancouver

      Spinola PF, Galheigo SM. A experiência da maternidade no cárcere: cotidiano e trajetórias de vida [Internet]. 2017 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5170/tde-11052017-140243/

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