Epidemiologia mutacional da polineuropatia amiloidótica familiar transtiretina em um serviço brasileiro terciário de neuropatias periféricas (2016)
- Authors:
- Autor USP: MOREIRA, CAROLINA LAVIGNE - FMRP
- Unidade: FMRP
- Sigla do Departamento: RNP
- Subjects: AMILOIDOSE; DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO
- Keywords: Amiloidose; Amiloidose transtiretina; Neuropatia periférica; Polineuropatia amiloidótica familiar; Transtiretina; Amyloidosis; Familial amyloidotic polyneuropathy; Peripheral neuropathy; Transthyretin; Transthyretin amyloidosis
- Language: Português
- Abstract: Introdução: A amiloidose transtiretina é uma doença autossômica dominante decorrente de uma proteína transtiretina (TTR) variante, que sofre uma mudança conformacional e origina um tetramero de TTR instável, passo que é decisivo para o inicio da formação dos depósitos amilóides em diferentes órgãos e tecidos Na maioria dos pacientes, o sistema nervoso periférico é o alvo principal, resultando na polineuropatia amiloidótica familiar transtiretina (TTR-FAP), classicamente uma neuropatia sensitivo-motora e autonómica progressiva, evoluindo para o óbito em aproximadamente 10 anos. A mutação de ponto mais frequente no mundo, incluindo o Brasil, é a TTRVal30Met, entretanto mais de 100 mutações de ponto diferentes já foram descritas. Objetivos: descrever a epidemiologia mutacional do gene TTR na polineuropatia amiloidótica familiar e correlacionar estas mutações com seus achados clínicos e eletroneuromiográficos. Métodos: estudo de coorte, descritivo e retrospectivo de um grupo de pacientes brasileiros encaminhados para o serviço de neurogenética do HC da FMRP-USP para investigação de neuropatia periférica, cujo estudo genético identificou uma mutação no gene TTR, com posterior análise transversal dos resultados obtidas entre os subgrupos com as diferentes mutações. Resultados: um total de 128 pacientes tiveram uma mutação de ponto no gene TTR identificada, dos quais 12 (9,4%) pacientes apresentaram uma mutação não TTRVal30Met, incluindo 4 patogênicas (6 pacientes, 4,7%) e 2 não patogênicas (6 pacientes, 4,7%). A mutações não TTRVal30Met patogênicas foram TTRAsp38Tyr (2 pacientes), TTRlle107Val (2 pacientes), TTRVal71Ala (1 paciente) e TTRVal12211e (1 paciente). Dentre as mutações não patogênicas, foram encontradas TTRGlyóSer (5 pacientes) e TTRThr119Thr (1 paciente). A mutação TTRVal30Met estava presente em 116 (90,6%) pacientes, dos quais52 possuiam dados clínicos e eletroneuromiográficos completos: 39 (75%) tiveram inicio precoce e 13 (25%), inicio tardio. O grupo de inicio precoce apresentou-se como a forma clássica da PAF-TTR, sem predileção de género (homens: 53,8%), manifestação inicial como neuropatia de fibras finas e autonómica (82,1%) e história familiar positiva (90,3%). A ENMG estava normal em 36,7% destes pacientes. O envolvimento cardiovascular foi caracterizado mais frequentemente por alterações da condução cardíaca (84,2%), sendo menos prevalente a cardiomiopatia (11,1%). Por outro lado, o grupo de inicio tardio mostrou uma predominância do sexo masculino (92,3%), presença de sintomas motores na primeira consulta (38,5%), resultando numa neuropatia sensitivo-motora com acometimento de fibras grossas e história familiar negativa (69,2%). Todos apresentaram neuropatia sensitivo-motora na ENMG. Neste grupo, a cardiomiopatia estava presente em 71,4% dos pacientes. Todos os pacientes, em ambos os grupos, tiveram disautonomia em algum momento do seu seguimento clínico. Conclusões: no nosso estudo aproximadamente 5% dos pacientes com FAP-TTR tinham uma mutação não TTRVal30Met, demonstrando a importância do sequenciamento do gene TTR em pacientes com história clínica sugestivo e screening negativo para a mutação TTR Val30Met. Além disso, os pacientes brasileiros com FAP-TTRVal30Met apresentaram achados clínicos e eletroneuromiográficos similares as populações descritas com esta mutação em outros países
- Imprenta:
- Publisher place: Ribeirão Preto
- Date published: 2016
- Data da defesa: 21.11.2016
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ABNT
MOREIRA, Carolina Lavigne. Epidemiologia mutacional da polineuropatia amiloidótica familiar transtiretina em um serviço brasileiro terciário de neuropatias periféricas. 2016. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2016. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-30032017-142719/. Acesso em: 03 mar. 2026. -
APA
Moreira, C. L. (2016). Epidemiologia mutacional da polineuropatia amiloidótica familiar transtiretina em um serviço brasileiro terciário de neuropatias periféricas (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-30032017-142719/ -
NLM
Moreira CL. Epidemiologia mutacional da polineuropatia amiloidótica familiar transtiretina em um serviço brasileiro terciário de neuropatias periféricas [Internet]. 2016 ;[citado 2026 mar. 03 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-30032017-142719/ -
Vancouver
Moreira CL. Epidemiologia mutacional da polineuropatia amiloidótica familiar transtiretina em um serviço brasileiro terciário de neuropatias periféricas [Internet]. 2016 ;[citado 2026 mar. 03 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-30032017-142719/
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