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O cuidado no espaço de intermedicalidade em uma aldeia indígena (2015)

  • Authors:
  • Autor USP: RIBEIRO, ARIDIANE ALVES - INTER - ENFERMA
  • Unidade: INTER - ENFERMA
  • Subjects: ASSISTÊNCIA À SAÚDE; SAÚDE INDÍGENA; ETNOGRAFIA
  • Language: Português
  • Abstract: O objetivo deste estudo foi descrever a realidade social e política, na qual se estabelece o cuidado intercultural vivenciado por individuos na zona de intermedicalidade de uma aldeia, partindo da perspectiva dos usuários indígenas e dos profissionais de saúde ameríndios e não-indigenas. As bases teóricas que ancoraram a coleta e análise interpretativa dos dados incluiram: a Etnografia, Antropologia interpretativa, Modelos explanatórios e abordagem cultural safety. Mediante aprovação do Conselho Nacional de Saúde, procedeu-se trabalho de campo na Terra Indígena Buriti, localizada nos municipios Sidrolândia e Dois irmãos do Buriti, Mato Grosso do Sul, Brasil. Realizou-se observação participante nas unidades de saúde e no cotidiano das famílias nas aldeias, bem como no Pólo de Sidrolândia. Realizaram-se entrevista semiestruturada com 16 indígenas usuários do serviço, 12 profissionais de saúde terenas e seis trabalhadores de saúde não-indigenas. A análise dos dados, simultânea à coleta, ocorreu na perspectiva da Hemmenêutica Dialética por meio da análise temática. Os preceitos éticos foram seguidas. Neste estudo, identificaram-se dois temas: 1) “Doença é pior que a morte: explicações sobre o processo de adoecimento” retrata como o processo saúde-doença é interpretado pelos participantes. Saúde, para os terenas, é um aspecto primordial na vida deles. O processo de adoecer envolve a perda e/ou a redução da disposição física, psíquica e espiritual para desenvolver atividades cotidianas. Espiritualidade, higiene, alimentação e a questão da posse de terra impactam o processo de adoecimento terena. 2) Na intermedicalidade do sistema de cuidado em saúde perene que retrata os significados atribuidos pelos participantes à coexistência e intercomunicações (intermedicalidade) entre as formas de cuidados em saúde terena: medicina terena, espiritualidade, modo de vida e o serviço oficial de atenção à saúdee o serviço oficial de atenção à saúde (sistema P610/Posto). O sistema de cuidado dos terenas revela o processo de indigenização dos serviços de saúde. A medicina terena é entendida sob dois âmbitos: um centralizado no conhecimento tradicional, que inclui uso de ervas, atividades de parteiras e de “puxadores de pernas”; e outro nos aspectos místicos e sobrenaturais para sua execução: rezas e prática da pajelança, com destaque para redução do número de pajés. A espiritualidade como opção terapêutica é representada pela fé do terena em Deus, concretizada pela oração. O modo de vida do terena engloba principalmente dois aspectos: centralidade na família e o cuidado com higiene individual e ambiental. O sistema Pólo/Posto é procurado pelo terena conforme a cartola de serviços ofertada pelas unidades e segundo suas necessidades peculiares, os casos que o terena Não consegue resolverá. Neste âmbito de cuidado, há a produção de encontros do cuidado pautados pelo vinculo, confiança, diálogo e agir dos profissionais culturalmente sensível. Há, também, desencontros do cuidado favorecidos por prioridades estabelecidas em metas, atendimento queixa-conduta e precária infraestrutura. Observou-se um processo maciço do uso de medicação. Consideraram-se as preconizações das políticas de saúde voltadas para a realidade em estudo. Os aspectos identificados nos relatos dos participantes sobre o sistema de cuidado terena são atravessados pela historicidade do povo terena, questão da posse de terra, medicalização da sociedade, higienismo, integração entre corpo, cosmos e terra, espiritualidade com diversidade religiosa, cultura terena centrada na família, atividades programáticas de saúde na atenção básica, biomedicina, transporte precário e baixa resolutividade. Diabetes e hipertensão arterial foram as doenças registradas pelo Pólo e significadas pelos participantes como as principais enfermidades dapopulação. Há a coexistência de medicinas híbridas em todos âmbitos de cuidado em saúde terena. É importante que a intermedicalidade ocorra nos espaços do sistema P610/Posto sem sobreposição do saber médico e/ou da lógica institucional à sabedoria terena
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 16.12.2015
  • Acesso à fonte
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    • ABNT

      RIBEIRO, Aridiane Alves Ribeiro; ROSSI, Lidia Aparecida. O cuidado no espaço de intermedicalidade em uma aldeia indígena. 2015.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2015. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-04032016-204741/pt-br.php >.
    • APA

      Ribeiro, A. A. R., & Rossi, L. A. (2015). O cuidado no espaço de intermedicalidade em uma aldeia indígena. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-04032016-204741/pt-br.php
    • NLM

      Ribeiro AAR, Rossi LA. O cuidado no espaço de intermedicalidade em uma aldeia indígena [Internet]. 2015 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-04032016-204741/pt-br.php
    • Vancouver

      Ribeiro AAR, Rossi LA. O cuidado no espaço de intermedicalidade em uma aldeia indígena [Internet]. 2015 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-04032016-204741/pt-br.php

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