Modernizando a ordem em nome da saúde: doenças, política e administração urbana em São Paulo, 1805-1840 (2015)
- Authors:
- Autor USP: MANTOVANI, RAFAEL LEITE - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FSL
- Assunto: SAÚDE PÚBLICA
- Keywords: Medicalização; Medicalization; Sanitarism; Sanitarismo
- Language: Português
- Abstract: Este trabalho analisa as mudanças na forma de administrar a saúde pública na cidade de São Paulo no início do século XIX, momento em que se iniciava a preocupação pública com o prolongamento da vida e saúde da população para o crescimento econômico dos países da Europa e América. No Brasil, também nessa época, a administração colonial se transformou em administração local, devido à independência. Em São Paulo, a preocupação com a saúde pública foi traduzida, na prática, como a necessidade de aformoseamento da cidade (proibição de despejos, limpeza de ruas), dessecamento de pântanos, extermínio de formigas e também vacinação contra a varíola. Tal medicalização da cidade se iniciou entre 1819 e 1822, período em que se passou a exigir a limpeza constante do espaço público, e não mais apenas nas ocasiões das festividades religiosas e políticas. Essa medida passava a assumir uma feição utilitária de cuidado com a saúde e não mais apenas uma demonstração de nobreza. À exceção da profilaxia contra a varíola, a administração local teve como meta garantir a saúde dos grupos economicamente superiores da cidade, uma vez que a manutenção da salubridade do local era realizada com a utilização do trabalho de grupos sociais que deveriam passar pelos locais de maior contágio da cidade: a cadeia e a senzala. Tanto os escravos quanto os presos eram usados como mão de obra de limpeza do espaço urbano, conserto de ruas e dessecamento de pântanos. A vida desses grupos era curta, uma vez quesomavam-se lepra, varíola e sarampo (doenças sempre presentes na cadeia) ao trabalho forçado e às condições de subnutrição impostas pelo cativeiro aos escravos e falta de alimentação aos presos. Entretanto, era por meio da circulação de homens sob essas circunstâncias que se assegurava a saúde pública em São Paulo, ou seja, era por meio do sacrifício de determinados grupos que se buscava a salubridade da atmosfera, vista como fator imprescindível para a manutenção da vida. Portanto, tratou-se de uma ideia de sanitarismo bastante distinta daquela esboçada pelos primeiros sanitaristas franceses, cujo principal objetivo era assegurar o prolongamento da vida da classe trabalhadora.
- Imprenta:
- Data da defesa: 31.03.2015
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ABNT
MANTOVANI, Rafael Leite. Modernizando a ordem em nome da saúde: doenças, política e administração urbana em São Paulo, 1805-1840. 2015. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-15072015-145404/. Acesso em: 25 fev. 2026. -
APA
Mantovani, R. L. (2015). Modernizando a ordem em nome da saúde: doenças, política e administração urbana em São Paulo, 1805-1840 (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-15072015-145404/ -
NLM
Mantovani RL. Modernizando a ordem em nome da saúde: doenças, política e administração urbana em São Paulo, 1805-1840 [Internet]. 2015 ;[citado 2026 fev. 25 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-15072015-145404/ -
Vancouver
Mantovani RL. Modernizando a ordem em nome da saúde: doenças, política e administração urbana em São Paulo, 1805-1840 [Internet]. 2015 ;[citado 2026 fev. 25 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-15072015-145404/
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