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A (Bio) política da Saúde da Família: adoecimento crônico, micropolítica do trabalho e o governo da vida (2015)

  • Authors:
  • Autor USP: SARTI, THIAGO DIAS - FSP
  • Unidade: FSP
  • Sigla do Departamento: HSP
  • DOI: 10.11606/T.6.2015.tde-16072015-113309
  • Subjects: ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (RECURSOS HUMANOS); ASSISTÊNCIA À SAÚDE (POLÍTICA;ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO); SAÚDE DA FAMÍLIA (ASSISTÊNCIA;RECURSOS HUMANOS); POLÍTICA DE SAÚDE; DOENÇA CRÔNICA; PESQUISA QUALITATIVA
  • Keywords: Enfermidade Crônica; Micropolítica do Trabalho em Saúde; Saúde da Família
  • Language: Português
  • Abstract: A Saúde da Família (ESF) é o modelo de organização da Atenção Básica com maior cobertura populacional no Brasil. Esta alcançou alguns resultados relevantes para a saúde da população, embora diversos problemas persistam na sua efetivação. Entendemos ser possível e necessário interrogarmos a ESF enquanto modelagem assistencial. Os arranjos e diretrizes propostos foram eficazes para o enfrentamento de problemas autolimitados. Mas no manejo das condições crônicas de adoecimento há muito que refletir. Apresenta-se então o desafio de problematizarmos a Saúde da Família a partir das interfaces produzidas por profissionais de saúde e usuários com condições crônicas de adoecimento, em particular o diabetes mellitus tipo 2, identificando e analisando os dispositivos de saber-poder que opera-se no cotidiano dos serviços. Produzimos neste estudo uma aproximação prolongada ao trabalho de duas equipes e unidades de saúde da família do município de Vitória-ES, de natureza cartográfica e micropolítica, feita por meio de observação participante, com produção de diário de campo em reuniões de equipe, atividades de grupo, visitas domiciliares, andanças pelos territórios e interações com profissionais e usuários nas diversas ações realizadas pelas equipes de saúde, bem como entrevistas semiestruturadas com onze usuários.Como resultados, identificamos que a programação da atenção orienta parte significativa dos processos de trabalho da equipe, sendo que esta é reforçada por uma série de iniciativas da gestão do município no sentido de estabelecer e exigir o cumprimento de metas e indicadores. E essa programação da atenção agencia processos de trabalho enrijecidos, até mesmo burocráticos, fortemente atrelados ao modelo médico hegemônico e centrados nas demandas dos próprios profissionais, não havendo espaço para a singularidade do encontro entre trabalhadores e usuários. A resultante disto é a não consideração do usuário como centro do cuidado. E ao não encontrarem ressonância em termos de mudança efetiva nos estilos de vida das pessoas, os profissionais veem os usuários como rebeldes, considerando a rebeldia em uma conotação negativa, como sinal da adoção de referenciais incorretos e desqualificados para manejar esse tipo de problema segundo o saber científico. As equipes não agenciam os encontros de forma a produzir uma potente circulação de afetos nessa relação de forma a permitir a expressão da autonomia dos indivíduos na produção de sua vida enquanto força instituinte de formas mais inventivas de viver, a construir projetos terapêuticos de maneira compartilhada e contribuir para a promoção de mais intensas conexões de vida. Mas os usuários, apesar de todas as iniciativas de controle e disciplinarização, produzem inúmeras linhas de fuga, resistindo às recomendações e construindo seu próprio modo de cuidar de si.Desta forma, apesar de estar cristalizada a ideia da ESF como espaço de promoção da saúde, concluímos que este modelo de atenção agencia e reforça seu oposto. Tem-se uma ESF preventivista, higienista e disciplinadora que normaliza e empobrece a vida. Torna-se então fundamental problematizar a ESF em sua intensidade política por controle, disciplinarização e regulação de corpos e populações.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 04.05.2015
  • Acesso à fonteDOI
    Informações sobre o DOI: 10.11606/T.6.2015.tde-16072015-113309 (Fonte: oaDOI API)
    • Este periódico é de acesso aberto
    • Este artigo é de acesso aberto
    • URL de acesso aberto
    • Cor do Acesso Aberto: gold
    • Licença: cc-by-nc-sa

    How to cite
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    • ABNT

      SARTI, Thiago Dias; FEUERWERKER, Laura Camargo Macruz. A (Bio) política da Saúde da Família: adoecimento crônico, micropolítica do trabalho e o governo da vida. 2015.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. Disponível em: < https://doi.org/10.11606/T.6.2015.tde-16072015-113309 > DOI: 10.11606/T.6.2015.tde-16072015-113309.
    • APA

      Sarti, T. D., & Feuerwerker, L. C. M. (2015). A (Bio) política da Saúde da Família: adoecimento crônico, micropolítica do trabalho e o governo da vida. Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://doi.org/10.11606/T.6.2015.tde-16072015-113309
    • NLM

      Sarti TD, Feuerwerker LCM. A (Bio) política da Saúde da Família: adoecimento crônico, micropolítica do trabalho e o governo da vida [Internet]. 2015 ;Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2015.tde-16072015-113309
    • Vancouver

      Sarti TD, Feuerwerker LCM. A (Bio) política da Saúde da Família: adoecimento crônico, micropolítica do trabalho e o governo da vida [Internet]. 2015 ;Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2015.tde-16072015-113309

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