Caracterização e consequências do estresse precoce em pacientes psiquiátricos adultos (2014)
- Authors:
- Autor USP: CARR, CLARA PASSMANN - FMRP
- Unidade: FMRP
- Sigla do Departamento: RNP
- Subjects: ESTRESSE; ABUSO DA CRIANÇA; NEGLIGÊNCIA; MAUS-TRATOS; TRANSTORNOS MENTAIS; SUICÍDIO; ADULTOS
- Language: Português
- Abstract: Experiências de abusos e negligências, principalmente na infância e adolescência, desempenham um papel importante no surgimento e curso de transtornos psiquiátricos na vida adulta. Podendo colaborar para uma pior manifestação da doença, agravando a sintomatologia psiquiátrica e comportamentos auto destrutivos, chegando ao suicídio. No entanto, faltam evidências sobre este complexo fenómeno multifacetado, e há uma carência de dados nacionais sobre o assunto. Neste sentido, o objetivo deste estudo foi avaliar a associação entre a ocorrência e a gravidade do Estresse Precoce (EP) e o desencadeamento e gravidade de transtornos psiquiátricos em pacientes adultos do Serviço de Psiquiatria do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ). Para a avaliação do Estresse Precoce e seus subtipos, um total de 82 pacientes foram avaliados através do Questionário Sobre Traumas na Infância (CTQ). Para avaliação dos transtornos psiquiátricos, foi utilizado o MINI International Neuropsychiatric Interview (MINI-Plus). Os pacientes também foram avaliados quanto à gravidade da sintomatologia psiquiátrica através do Inventário de Depressão de Beck (BDI), da Escala de Desesperança de Beck (BHS), da Escala de Ideação Suicida de Beck (BSI), do Inventário de Ansiedade de Beck (BAI), e da Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11), além de um questionário sócio-demográfico e clínico feito para este estudo. A amostra foi dividida em dois grupos: pacientes Sem e Com EP (n=26, 31.7%; n=56, 68.3%). Encontramos que pacientes Com EP se diferenciaram significativamente dos Sem EP em relação aos seguintes transtornos: Transtorno (T) do Humor (p<0.001; OR=16.9); Mania/Hipomania (p=0.001; OR=15.0); T. de Pânico (p=0.01; OR=3.9); Fobia Social (p=0.005; OR=5.7); Fobia Específica (p=0.002; OR 6.6); T. Obsessivo Compulsivo (p=0.03; OR=8.0); T. Disfórico Pré-Menstrual (p=0.04; OR=5.0). Pacientes com EP tivetram uma médiasignificativamente maior do número de diagnósticos quando comparados aos Sem EP (p<0.001; 2.12 vs. 4.39), e 50.0% da amostra Sem EP apresentaram um diagnóstico, enquanto 48.2% da amostra Com EP apresentaram cinco ou mais diagnósticos (p<0.001). Quando a amostra foi dividida por subtipos de EP: em relação ao Abuso Emocional (AE) encontramos diferença significativa no T. do Humor (p=0.002; OR=13.8) e no T. de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH: p=0.04; OR=7.2); em relação ao Abuso Físico (AF) encontramos diferença significativa no T. de Uso de Substancias (p=0.01; OR=4.8) e no T. Somatoformes (p=0.02; OR=3.9); em relação ao Abuso Sexual (AS) encontramos diferença significativa no T. do Humor (p=0.01; OR=1.6), no T. Ansiosos (p=0.05; OR=6.4) e no T. Somatoformes (p=F0.002; OR=4.9); em relação a Negligência Emocional (NE) encontramos diferença significativa no T. de Uso de Substancias (p=0.05; 0R= 3.4) e no TDAH (p=0.01; OR=10.1); e em relação a Negligência Física (NF) encontramos diferença significativa no T. do Humor (p= 0.05; OR=1.3), no T. de Uso de Substancias (p=0.01; OR=4.8), no T. Alimentar (p=0.007; OR=0.2) e no T. Somatoformes (p=0.04; OR=3.1). Quando avaliamos a sintomatologia psiquiátrica dos grupos Sem e Com EP encontramos diferença significativa em relação a todas as medidas realizadas: BDI (p= 0.003), BHS (p=0.05), BSI (p=0.007), BAI (p=0.03), e BIS-11(p=0.003); e correlações entre a gravidade do EP e a gravidade dos escores da BDI (p=0.001) do BHS (p=0.003), do BSI (p=0.003) e da BAI (p=0.03). Quando avaliamos a sintomatologia psiquiátrica por subtipos de EP encontramos diferença significativa em relação ao AE em todos os instrumentos: BDI (p=0.002), BHS (p=0.02), BSI (p=0.001) BAI (p=0.03), e BIS-11 (p=0.001); em relação ao AF apenas no BDI (p=0.03); em relação ao AS no BDI (p=0.05), BHS (p= 0.05), e BAI (p=0.04), em relaçãoa NE no BDI (p=0.002), BHS (p=0.01), BSI (p=0.007), e BAI (p= 0.03), e em relação a NF apenas no BDI (p=0.02). Quando avaliamos o Suicídio na amostra, os grupos se diferenciaram significativamente em relação ao EP quanto a tentativas prévias de suicídio (p=0.001; OR=27.6), em relação aos Subtipos de EP, encontramos que o AE (OR=5.2), o AF (OR=3.8) e a NE (OR=3.5) elevavam as chances de tentativas prévias. Em relação ao risco de suicídio, os grupos se diferenciaram significativamente em relação ao EP (p<0.001; OR=23.3), em relação aos Subtipos de EP, encontramos que o AE (OR=4.1), o AF (OR=3.7) e a NE (4.3) elevavam as chances de risco de suicídio, ao avaliar a classificação da gravidade do risco em relação ao EP, os grupos também se diferenciaram (p=0.001). Em relação as características sóciodemográficas e clínicas, encontramos que os grupos Sem e Com EP, se diferenciam em relação ao aborto provocado(p=0.03; OR=7.9). Nossos resultados confirmam e estendem os achados prévios sobre as características e consequências do EP na saúde mental, apontando que o EP e seus Subtipos tem particulares e potentes associações com transtornos psiquiátricos, desencadeando, mantendo e agravando a doença mental, levando inclusive à atitudes arriscadas e extremas, como indução de abortos e tentativas de suicídio
- Imprenta:
- Publisher place: Ribeirão Preto
- Date published: 2014
- Data da defesa: 04.08.2014
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ABNT
CARR, Clara Passmann. Caracterização e consequências do estresse precoce em pacientes psiquiátricos adultos. 2014. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2014. . Acesso em: 21 jan. 2026. -
APA
Carr, C. P. (2014). Caracterização e consequências do estresse precoce em pacientes psiquiátricos adultos (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. -
NLM
Carr CP. Caracterização e consequências do estresse precoce em pacientes psiquiátricos adultos. 2014 ;[citado 2026 jan. 21 ] -
Vancouver
Carr CP. Caracterização e consequências do estresse precoce em pacientes psiquiátricos adultos. 2014 ;[citado 2026 jan. 21 ]
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