Uso de N-acetilcisteína em pacientes portadores de cistinose nefropática (2014)
- Authors:
- Autor USP: GUIMARãES, LUCIANA PACHE DE FARIA - FM
- Unidade: FM
- Sigla do Departamento: MPE
- DOI: 10.11606/D.5.2014.tde-24062014-120729
- Subjects: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA; ESTRESSE OXIDATIVO; NEFROPATIAS; APOPTOSE
- Keywords: Child; Cistinose; Criança; Cystinosis; Insuficiência renal crônica; N-acetilcisteína; N-acetylcysteine; Oxidative stress; Renal function
- Language: Português
- Abstract: A cistinose nefropática (CN) é uma doença autossômica recessiva, sistêmica e grave, caracterizada pelo acúmulo intralisossomal de cistina. A cisteamine (droga depletora de cistina intralisossomal) é essencial para o tratamento. Entretanto, mesmo quando o uso de cisteamine é precoce, os pacientes, geralmente, evoluem para doença renal crônica terminal por volta da segunda ou terceira décadas da vida e, podem apresentar acometimento extrarenal. Existem evidências que o acúmulo de cistina não é responsável por todas as anormalidades observadas na CN. Estudos têm demonstrado metabolismo alterado do trifosfato de adenosina (ATP), aumento na taxa de apoptose, deficiência de glutatione no citosol e aumento na autofagia mitocondrial, levando a um aumento da produção de espécies oxigênio reativas. Portanto, pacientes com CN podem ser mais suscetíveis ao stress oxidativo (SO) e isto pode contribuir para a progressão da doença renal. Os objetivos deste estudo foram: - avaliar um marcador sérico de SO em crianças com CN, comparar os resultados com os observados em controles normais e, correlacioná-los com o ritmo de filtração glomerular (RFG); - estudar a correlação entre os parâmetros empregados para avaliar o RFG nestes pacientes; - administrar uma droga antioxidante (N-acetilcisteína, NAC) para todos os pacientes e avaliar marcadores de RFG e de SO antes e durante o tratamento com esta droga.Foram incluídos pacientes com CN, com idade inferior a 18 anos, com doença renal crônica classe I a IV (KDOQY) e com boa aderência ao tratamento, incluindo cisteamine. SO foi avaliado através da dosagem sérica de substâncias ácido-tiobarbitúricas (TBARS) e, o RFG foi avaliado pela creatinina e cistatina C séricas e, pelo clearance de creatinina (fórmula de Schwartz). NAC, na dose de 25 mg/Kg/dia, dividida em 3 tomadas, foi administrada a todos os pacientes que foram controles de si mesmos. Marcadores de SO e de RFG foram estudados imediatamente antes do início da droga (T0) e após 3 meses do seu uso (T1). Para avaliação do marcador de SO em pacientes com CN, comparação com controles normais e com os parâmetros de RFG, foram selecionados 20 pacientes, idade de 8,0±3,6 anos e, 43 controles normais com idade de 7,4±1,1 anos. Nos pacientes com CN o nível sérico de TBARS encontrado foi 4,03±1,02 nmol/ml, enquanto que no grupo controle foi 1,60±0,04 nmol/ml (p < 0,0001). Não foi detectada correlação significativa entre TBARS sérico e grau de função renal, avaliada através da creatinina sérica e do clearance de creatinina (fórmula de Schwartz). Neste estudo houve correlação significativa entre todos os parâmetros de RFG estudados, creatinina sérica, cistatina C sérica e clearance de creatinina (fórmula de Schwartz). Na avaliação da influência da NAC sobre o SO e função renal, foram incluídos 23 pacientes (16 meninos), idade 8,5±3,0 anos. Em relação ao TBARS sérico detectamos em T0 mediana de 6,92 nmol/mL (3,3-29,0) e em T1 mediana de 1,7 nmol/mL (0,6- 7,2) (p <0,0001).Em relação à função renal, houve diferença significativa na creatinina sérica entre T0 (1,1±0,5 mg/dL) e T1 (0,9±0,5 mg/dL) (p < 0,0001), no clearance de creatinina entre T0 (69,7±32,2 mL/min/1,73 m2SC) e T1 (78,5±33,9 mL/min/1,73m²SC) (p=0.006) e na cistatina C sérica entre T0 (1,33±0,53 mg/L) e T1 (1,15±0,54 mg/L) (p=0,0057). Também foram incluídos os dados da creatinina e cistatina C séricas, e do clearance de creatinina observados 6 e 3 meses antes do início da NAC e de 3 e 6 meses após a retirada da NAC (na retirada não foi avaliada a cistatina C sérica). Concluindo, níveis elevados de TBARS sérico foram detectados em pacientes com CN e estes não tiveram correlação com o grau de função renal. Em adição, durante um período de três meses, NAC foi administrada a pacientes com CN e em uso de cisteamine e, foi observada redução do SO e melhora significativa da função renal. Nenhum efeito colateral foi detectado. Este é o primeiro relato que demonstra aumento do SO no soro de pacientes com CN e possíveis benefícios sobre a função renal com a adição de uma droga antioxidante ao arsenal terapêutico. Estudos controlados e com maior número de pacientes são necessários para confirmar estes achados
- Imprenta:
- Data da defesa: 13.03.2014
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
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- Versão publicada (Published version)
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-
ABNT
GUIMARÃES, Luciana Pache de Faria. Uso de N-acetilcisteína em pacientes portadores de cistinose nefropática. 2014. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-24062014-120729/. Acesso em: 09 abr. 2026. -
APA
Guimarães, L. P. de F. (2014). Uso de N-acetilcisteína em pacientes portadores de cistinose nefropática (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-24062014-120729/ -
NLM
Guimarães LP de F. Uso de N-acetilcisteína em pacientes portadores de cistinose nefropática [Internet]. 2014 ;[citado 2026 abr. 09 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-24062014-120729/ -
Vancouver
Guimarães LP de F. Uso de N-acetilcisteína em pacientes portadores de cistinose nefropática [Internet]. 2014 ;[citado 2026 abr. 09 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-24062014-120729/
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