Envolvimento da metilecgonidina, produto de pirólise da cocaína, na farmacodependência (2014)
- Authors:
- Autor USP: GARCIA, RAPHAEL CAIO TAMBORELLI - FCF
- Unidade: FCF
- Sigla do Departamento: FBC
- Subjects: TOXICOLOGIA SOCIAL; DROGAS DE ABUSO; DEPENDENTES QUÍMICOS; COCAÍNA
- Language: Português
- Abstract: O crack é a forma fumada de administração da cocaína com o maior potencial para causar dependência. Até 80% da sua fumaça consiste no produto de pirólise da cocaína, a metilecgonidina (AEME). Apesar do vasto conhecimento acerca dos efeitos e prejuízos causados pela cocaína, nenhum trabalho avaliou os efeitos da AEME na farmacodependência, objetivo deste trabalho. Ratos adultos machos Wistar foram expostos à salina, à AEME 3 mg/kg, à cocaína 15 mg/kg e a associação entre cocaína e AEME, intraperitonealmente, em duas situações: 1) exposição prolongada (administração todos os dias, por 9 dias); 2) sensibilização comportamental dependente de contexto (administração em dias alternados, por 5 dias e 7 dias de abstinência, seguido do desafio). A dose de AEME foi definida pela avaliação da atividade locomotora em teste agudo. A AEME foi capaz de aumentar a atividade locomotora após exposição prolongada e potencializar a expressão da sensibilização comportamental dependente de contexto induzida pela cocaína. A concentração de dopamina e seus metabólitos aumentaram no caudado-putâmen em todos os grupos, sendo observado um sinergismo entre cocaína e AEME no grupo da associação. No núcleo accumbens, foi observado aumento de dopamina apenas nos grupos cocaína e associação. Paralelamente, houve aumento da relação p-CREB/CREB 60 minutos após a administração aguda de AEME 3 mg/kg e cocaína 15 mg/kg, tanto no caudado-putâmen quanto no núcleo accumbens, assim como nos grupos cocaína e associação após a sensibilização comportamental dependente de contexto. Com a finalidade de determinar o mecanismo de ação da AEME, foi realizado um estudo farmacológico detalhado dessa substância em células CHO-K1 de rato expressando heterologamente os receptores colinérgicos muscarínicos subtipos 1 a 5, uma vez que estudos anteriores sugeriram uma interação entre a AEME e os receptores colinérgicos muscarínicos. Oensaio de competição com [‘ANTPOT.3’H]NMS mostrou uma pequena preferência da AEME para o subtipo ‘M IND.2’. Estudos funcionais (mobilização de cálcio) revelaram um efeito agonista parcial da AEME para os subtipos ‘M IND.1’ e ‘M IND.3’ e antagonista para os demais subtipos, dando suporte à hipótese colinérgica de ação da AEME. Nossos resultados indicam que a AEME isoladamente não foi capaz de causar sensibilização, mas potencializou a ação da cocaína quando coadministrada. O efeito antagonista da AEME em receptores subtipo ‘M IND.2’ e ‘M IND.4’ no caudado-putâmen, e ‘M IND.4’ e ‘M IND.5’ no núcleo accumbens causaram aumento de dopamina nessas regiões encefálicas, onde a atividade colinérgica medeia sua liberação
- Imprenta:
- Data da defesa: 25.02.2014
-
ABNT
GARCIA, Raphael Caio Tamborelli. Envolvimento da metilecgonidina, produto de pirólise da cocaína, na farmacodependência. 2014. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/9/9141/tde-24042014-163603/. Acesso em: 10 fev. 2026. -
APA
Garcia, R. C. T. (2014). Envolvimento da metilecgonidina, produto de pirólise da cocaína, na farmacodependência (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/9/9141/tde-24042014-163603/ -
NLM
Garcia RCT. Envolvimento da metilecgonidina, produto de pirólise da cocaína, na farmacodependência [Internet]. 2014 ;[citado 2026 fev. 10 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/9/9141/tde-24042014-163603/ -
Vancouver
Garcia RCT. Envolvimento da metilecgonidina, produto de pirólise da cocaína, na farmacodependência [Internet]. 2014 ;[citado 2026 fev. 10 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/9/9141/tde-24042014-163603/ - Efeitos neurodegenerativos da metilecgonidina e da cocaína em cultura celular primária de hipocampo
- Harmine but not dimethyltryptamine prevents ethanol neurotoxicity in SH-SY5Y cells
- Shotgun proteomic analysis of the caterpillar Lonomia obliqua (Lepitoptera, Saturniidae) hemolymph and effects in rat hippocampal neurons culture
- Exposição à cetamina, etanol e sua associação altera atividade de enzimas relacionadas à glutationa em células de neuroblastoma SH-SY5Y
- Time-dependent activation of the intrinsic and extrinsic apoptosis pathways in SH-SY5Y cells exposed to ketamine, ethanol, and ketamine-ethanol combination
- Dimethyltryptamine and harmine, components of ayahuasca, isolated and in combination, partially prevented cocaine-induced neurotoxicity in SH-SY5Y cells
- Anhydroecgonine methyl ester (AEME), a cocaine pyrolysis product, impairs glutathione-related enzymes response and increases lipid peroxidation in the hippocampal cell culture
- Anhydroecgonine methyl ester, a cocaine pyrolysis product, contributes to cocaine-induced rat primary hippocampal neuronal death in a synergistic and time-dependent manner
- Early postnatal tobacco smoke exposure triggers anxiety-like behavior and decreases synaptic proteins even after a long exposure-free period in mice
- 'M IND. 1' and 'M IND. 3' muscarinic receptors may play a role in the neurotoxicity of anhydroecgonine methyl ester, a cocaine pyrolysis product
How to cite
A citação é gerada automaticamente e pode não estar totalmente de acordo com as normas
