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Fonoterapia para indivíduos com disfunção velofaríngea (2013)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: BRANDÃO, GIOVANA RINALDE - HRAC ; ZIMMERMANN, MARIA CRISTINA - HRAC
  • Unidade: HRAC
  • Subjects: FONOTERAPIA; INSUFICIÊNCIA VELOFARÍNGEA
  • Language: Português
  • Abstract: A análise da função velofaríngea requer a avaliação perceptivo-auditiva e procedimentos instrumentais complementares, tais como a nasoendoscopia e a videofluoroscopia da função velofaríngea. Mais especificamente na nasoendoscopia, pode ser observado as condições do movimento velofaríngeo durante a fala, havendo a possibilidade de determinar quais são os fatores que estão contribuindo para a disfunção velofaríngea (DVF) e desta forma determinar o planejamento terapêutico, seja ele cirúrgico, protético e/ou fonoterápico. Na presença de articulações compensatórias (AC) como o golpe de glote, a fricativa faríngea e outros, o fonoaudiólogo deverá ter primeiramente como objetivo, a eliminação desses distúrbios uma vez que eles prejudicam o desempenho do mecanismo velofaríngeo na fala. Uma vez definido que o tratamento é fonoterápico, ao final dos procedimentos de avaliação, faz-se necessário verificar o modo e a qualidade dos fonemas testados, com a utilização de várias pistas sensoriais, tais como as visuais e auditivas, dentre outras, tendo como objetivo o direcionamento do fluxo aéreo para a cavidade oral, inibindo a AC e verificando, desta forma, quais são as pistas facilitadoras para a produção correta. Além disso, deve-se buscar quais são os fonemas que o paciente tem maior facilidade para produzir sem alterações, denominada prova terapêutica, terapia diagnóstica e/ou teste de estimulabilidade. Para a eliminação das AC deve-se, inicialmente fornecer ao paciente o modelo correto, isolado e amplificado, com o uso das pistas sensoriais. Posteriormente, se o paciente conseguir a produção correta isolada, deve-se passar para outra etapa, com o fonema associado à vogais e, assim por diante, até que o mesmo consiga a produção correta em vocábulos sem conteúdo lexical, devendo o paciente conseguir monitorar a produção correta, (Continua)(Continuação) diferenciando da incorreta, sendo que o fonoaudiólogo deverá estar atento aos possíveis erros e coarticulações. Devemos ainda considerar a necessidade de manter o treino de uma etapa por um período maior que outra, dependendo do desempenho do paciente, pulando etapas que poderão interferir no resultado do tratamento. Para facilitar a eliminação das AC pelo paciente, o fonoaudiólogo deve utilizar: pistas visuais, como uma tira de papel em frente aos lábios para que o paciente veja o fluxo oral na produção do som; pistas auditivas como um garrote de borracha com uma extremidade colocada próxima ao ouvido do paciente e a outra próxima à sua boca; pistas verbais, onde o fonoaudiólogo diz ao paciente como ele deve posicionar os articuladores para a produção do som; pistas proprioceptivas como sentir o fluxo aéreo oral no dorso da mão na produção do som. Após a colocação, o treino e automonitoramento da produção correta do fonema com qualidade e velocidade, pode-se iniciar a “técnica da língua do som”, onde se utiliza o fonema alvo dentro de um contexto lexical e prosódico já conhecido, substituindo todas as consoantes dos vocábulos pelo fonema alvo, mantendo as vogais, arquifonemas e encontros consonantais, com o objetivo de realizar treinamento neuromotor para aumentar a precisão, rapidez, o grau de excursão e a sinergia de movimentos. Em nossa experiência clínica temos vivenciado o uso da prótese de palato associado à terapia para correção das AC, o que proporciona ao paciente pressão aérea intra-oral e, consequentemente, maior facilidade na colocação dos elementos sonoros corretos. Os pacientes que apresentam hipernasalidade e ausência de AC deverão ser submetidos às avaliações instrumentais e provas terapêuticas, com o objetivo de verificar em qual produção sonora ele consegue o fechamento velofaríngeo e, a partir (Continua)(Continuação) desta situação, realizar aproximações sucessivas, ou seja, a partir de uma emissão sonora em que o paciente consegue realizar o fechamento velofaríngeo completo, ele produz outro som onde há falha no fechamento (exemplo: emissão do fonema /p/ seguida por /s/). Esta é uma tentativa de generalizar o padrão correto de fechamento velofaríngeo. Podem ser utilizados recursos como o garrote, o espelho de Glatzel e o teste-escape no nariz para o monitoramento do fluxo aéreo nasal que deve ser evitado nos fonemas orais. Vários estudos já demonstraram que exercícios de sopro e sucção não auxiliam o fechamento velofaríngeo na fala, pois apesar de também exigirem o fechamento velofaríngeo, o padrão dos movimentos diferem daqueles realizados durante a fala. Portanto, esse tipo de exercício é contra indicado na terapia para correção da hipernasalidade e, quando realizados, podem provocar um movimento de retroposição da língua na fala prejudicando o tratamento. Cabe ressaltar que a terapia para hipernasalidade é uma tentativa de tratamento, e quando bem direcionada, caso não houver melhora em aproximadamente 24 sessões, o paciente deverá ser submetido à avaliação objetiva do mecanismo velofaríngeo com provável indicação de cirurgia ou prótese de palato. Alguns critérios importantes devem ser considerados antes da fonoterapia, como idade do paciente, nível de expectativa e condições anatômicas (fístulas, má-oclusão, aparelho ortodôntico e insuficiência velofaríngea). A eficácia do tratamento fonoaudiológico dependerá diretamente de um correto diagnóstico, elaboração das prioridades em cada caso com objetivos bem claros, a frequência do treino e o envolvimento do paciente e dos seus cuidadores
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  • Conference titles: Curso de Anomalias Congênitas Labiopalatinas

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    • ABNT

      BRANDÃO, Giovana Rinalde; ZIMMERMANN, Maria Cristina. Fonoterapia para indivíduos com disfunção velofaríngea. Anais.. Bauru: Universidade de São Paulo, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, 2013.
    • APA

      Brandão, G. R., & Zimmermann, M. C. (2013). Fonoterapia para indivíduos com disfunção velofaríngea. In Anais. Bauru: Universidade de São Paulo, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais.
    • NLM

      Brandão GR, Zimmermann MC. Fonoterapia para indivíduos com disfunção velofaríngea. Anais. 2013 ;
    • Vancouver

      Brandão GR, Zimmermann MC. Fonoterapia para indivíduos com disfunção velofaríngea. Anais. 2013 ;


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