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Grupo Comunitário de Saúde Mental: uma análise fenomenológica (2012)

  • Autor:
  • Autor USP: CARDOSO, CARMEN LUCIA - FFCLRP
  • Unidade: FFCLRP
  • Sigla do Departamento: 594
  • Subjects: SAÚDE MENTAL; COMUNIDADES; FENOMENOLOGIA
  • Language: Português
  • Abstract: O processo de transformação que ocorreu na assistência em saúde mental, fruto da Reforma Psiquiátrica Brasileira, deflagrou a necessidade de construção de novos "fazeres", a partir da valorização de aspectos psicossociais, da busca pela diversificação dos instrumentos terapêuticas, com foco voltado às comunidades e aos espaços coletivos. Nesta perspectiva foram delineados os Grupos Comunitários de Saúde Mental, que se constituem em uma modalidade de cuidado, com perspectiva educativa, terapêutica e de promoção à saúde. O presente trabalho objetiva realizar uma discussão teórica dos Grupos Comunitários de Saúde Mental, a partir da fenomenologia de Husserl e Stein. Foram utilizados recortes de dois Grupos Comunitários, gravados em vidro e transcritos na íntegra Inicialmente realizou-se urna descrição histórica da construção dos grupos, partindo do inicio dos trabalhos em 1997 no Hospital Dia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Para a análise confrontaram-se aspectos que compõem a atividade com concepções e atitudes sugeridas pela fenomenologia clássica, discutidas em quatro vertentes: 1) Atenção à experiência cotidiana; 2) Valor intrínseco da pessoa hurnana; 3) Dimensão do encontro humano e 4) Dimensão comunitária Em relação à primeira vertente, considera-se que o trabalho coletivo permanente de reflexão sobre a própria experiência, proposto pelos grupos, pode ser compreendido como fonte de conhecimento de si e da condição humana. Tal atividade preconiza um exercício de atenção à realidade e nesta perspectiva vale-se da atitude fenomenológica ou epoché que busca a originalidade essencial do fenómeno, a partir da suspensão de preconcepcões e de julgamentos. Na segunda vertente considera-se que o Grupo Comunitário, ao voltar-se para o cotidiano da relação da pessoa com a realidade, possibilita à mesma surpreender-se consigo, com o outro e com osaconte Imensos. Assim, os grupos buscam ser um lugar de resgate da condição do ser humano como singular e único, mas que revela paradoxalmente as condições humanas fundantes do ser, a sua estrutura e a sua dimensão ontológica, amplamente descritas pela antropologia fenomenológica de Stein. A Dimensão do encontro humano, vinculada à empatia e à intersubjetividade, refere-se ao estabelecimento de uma relação entre os participantes, através do relato de experiências cotidianas pessoais, em que é possível, tanto para quem testemunha quanto para quem escuta, vivenciar a alteridade do outro e, ainda, reconhecer as semelhanças com o próprio eu. Parte-se da concepção fenomenológica de que, ontologicamente, o homem possui em sua estrutura atos empáticos que permitem entrar em contato com um outro e reconhece-lo como sujeito e não como objeto e ainda de que cada eu é constituído na relação com outros, em comparação a estes e sob o seu olhar. O encontro com o outro, assim, possibilita uma maior compreensão de si mesmo, favorecendo o autoconhecimento e a autoavaliação. A Dimensão Comunitária remete à compreensão, presente nos grupos, de que os relacionamentos mais próximos, contínuos ao longo do tempo, que permitem entrar em contato com a intimidade do outro, são constitutivos do eu e, portanto, podem favorecer o desenvolvimento da saúde mental. A fenomenologia pressupõe uma contribuição de cada individuo singular, a partir da força vital de cada um, para a formação da comunidade. O enquadre dos Grupos Comunitários busca favorecer a ajuda recíproca através do relato das experiências de vida o que possibilita que cada um possa se reconhecer como alguém com potência e recursos para ajudar, numa atitude de disponibilidade e cooperação para com o outro. Finalmente ressalta-se que os Grupos Comunitários têm-se constituído em uma proposta original de abordagem da saúde mentale que os fundamentos do método refletidor a partir da fenomenologia podem contribuir para a atuacão de outros profissionais que trabalham nesta área
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 04.12.2012

  • How to cite
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    • ABNT

      CARDOSO, Cármen Lúcia. Grupo Comunitário de Saúde Mental: uma análise fenomenológica. 2012. Tese (Livre Docência) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2012. . Acesso em: 12 fev. 2026.
    • APA

      Cardoso, C. L. (2012). Grupo Comunitário de Saúde Mental: uma análise fenomenológica (Tese (Livre Docência). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Cardoso CL. Grupo Comunitário de Saúde Mental: uma análise fenomenológica. 2012 ;[citado 2026 fev. 12 ]
    • Vancouver

      Cardoso CL. Grupo Comunitário de Saúde Mental: uma análise fenomenológica. 2012 ;[citado 2026 fev. 12 ]


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