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Detecção da mutação T1799A do gene BRAF em células de carcinoma papilífero obtidas por punção aspirativa com agulha fina (2012)

  • Authors:
  • Autor USP: LIMA, ERIKA URBANO DE - FM
  • Unidade: FM
  • Sigla do Departamento: MCM
  • Subjects: NEOPLASIAS DA TIREOIDE; ULTRASSONOGRAFIA; BIÓPSIA; MUTAÇÃO
  • Keywords: Biópsia por agulha; Biopsy needle; Mutation; Neoplasias da glândula tireoide; Thyroid neoplasms; Ultrasonography
  • Language: Português
  • Abstract: O câncer da tireoide é a neoplasia endócrina mais comum, sendo responsável por cerca de 1 a 2% das neoplasias malignas da tireoide. Atualmente, a patogênese molecular do carcinoma papilífero da tireoide (CPT) tem sido relacionada à ativação aberrante da via de sinalização MAPK, desencadeada por mutações em diversos oncogenes. Destas, a mutação p.V600E do gene BRAF é a mais freqüente, sendo observada em 30%-80% dos casos. Numerosos estudos têm demonstrado que a presença dessa mutação está relacionada a uma maior agressividade do tumor e, conseqüentemente, a um prognóstico menos favorável, tornando-a um marcado importante no CPT. Contudo, poucos métodos utilizados na análise do gene BRAF em amostras de punção de nódulos tireoidianos foram satisfatórios em relação ao custo-tempo e sensibilidade do teste. Os objetivos deste estudo foram padronizar a extração de DNA a partir de amostras obtidas de PAAF guiada por ultrassom de nódulos tireoidianos; validar e determinar a eficiência e a relação custo-tempo da técnica de genotipagem por PCR em tempo real na detecção da mutação p.V600E do gene BRAF em amostras de PAAF de nódulos tireoidianos; analisar a prevalência da mutação p.V600E em pacientes com CPT; correlacionar à presença da mutação p.V600E com características clínicas e histopatológicas de maior agressividade e por fim analisar a sensibilidade, especificidade e acurácia do diagnóstico citológico em conjunto com a análise molecular da mutação p.V600E em material de PAAF. Nossa casuística foi composta por 224 pacientes, todos submetidos à tireoidectomia, cuja citologia pré-operatória foi indeterminada (Bethesda classes III a V) ou Bethesda VI (carcinoma papilífero). Foram avaliados dados clínicos e hormonais (TSH) e autoimunidade (anti-TPO e anti-TG), além das características ultrassonográficas (tamanho, estrutura, ecogenicidade, presença de microcalcificação e halo e vascularização)Os dados histológicos avaliados foram tamanho do tumor, variante histológica, invasão de cápsula, invasão vascular e linfática, extensão extratireoidiana, multicentricidade e presença de acometimento ganglionar à cirurgia. Os pacientes foram divididos em grupo benigno (n:122) e maligno (n:102), de acordo com o diagnóstico histológico final. O grupo maligno apresentou uma média de idade menor que o grupo benigno (48,9 vs 54,2 anos; p=0,008). Não observamos diferença entre os grupos com relação à dosagem sérica de TSH (p=0,467), anti-TPO (p=0,535) e anti-TG (p=0,730). Analisando as características ultrassonográficas, o tamanho e o volume dos nódulos foram maiores no grupo benigno (3,0 vs 2,6 cm e 12,38 vs 14,5 cm3; p=0,008 e p<0,001, respectivamente). Os nódulos que apresentaram hipoecogenicidade, assim como os nódulos de composição sólida, a presença de microcalcificações, ausência de halo hipoecogênico e presença de vascularização central apresentaram estatisticamente maior freqüência de malignidade. Em modelo de regressão logística, maior idade, nódulo sólido, sem halo hipoecogênico e com microcalcificações foram variáveis que influenciaram conjuntamente na presença de malignidade. No diagnóstico citológico 78,6% (176/224) dos nódulos avaliados foram classe III, IV e V, sendo que destes 35,8% (63/176) apresentaram diagnóstico histológico final maligno. Identificamos a mutação p.V600E no material de PAAF em 67,7% (69/102) dos pacientes do grupo maligno, estando presente em 70,3% (45/64) dos carcinomas papiliferos variante clássica e em 69,7% (23/33) dos carcinomas papilíferos variante folicular, sendo todos os achados confirmados em 100% das amostras através seqüenciamento automático do material obtido do tecido nodular a fresco ou parafinado dos pacientes. Nos pacientes com diagnóstico histológico de CPT (n:98), comparamos os pacientes com e sem a mutação p.V600E comrelação aos dados clínicos, histológicos de pior prognóstico, presença de metástase linfonodal, classificação TNM e estádio de acordo com AJCC. Apenas a presença de idade mais avançada apresentou associação estatisticamente significativa com a presença da mutação p.V600E (p=0,041). Comparamos o diagnóstico citológico baseado na classificação de Bethesda e a análise da mutação p.V600E com o diagnóstico histológico considerado o “padrão ouro” para o diagnóstico de CPT. A sensibilidade, especificidade, acurácia, valor preditivo positivo e negativo do diagnóstico citológico foi de 67,4%, 94,4%, 79,8%, 93,3% e 71,2% respectivamente. Análise da mutação p.V600E isoladamente apresentou resultados similares ao do diagnóstico citológico, porém observamos que a combinação do diagnóstico citológico com análise da mutação melhorou significativamente todos os parâmetros analisados. A presença da mutação p.V600E em nossa casuística, não mostrou ser um fator isolado associado à pior prognóstico de CPT. Um maior número de pacientes e acompanhamento a longo prazo, somando-se cuidadosa avaliação clínica-morfológica com a detecção de mutação p.V600E e utilizando análises multivariadas, são necessários para esclarecer o significado prognóstico independente desta mutação. Estudos semelhantes também são necessários para encontrar uma maneira de combinar as características clínicas e ultrassonográficas, com a detecção da mutação p.V600E no material da PAAF para decidir a melhor abordagem cirúrgica
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 17.08.2012
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    • ABNT

      LIMA, Erika Urbano de. Detecção da mutação T1799A do gene BRAF em células de carcinoma papilífero obtidas por punção aspirativa com agulha fina. 2012. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5135/tde-27112012-083016/. Acesso em: 08 jan. 2026.
    • APA

      Lima, E. U. de. (2012). Detecção da mutação T1799A do gene BRAF em células de carcinoma papilífero obtidas por punção aspirativa com agulha fina (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5135/tde-27112012-083016/
    • NLM

      Lima EU de. Detecção da mutação T1799A do gene BRAF em células de carcinoma papilífero obtidas por punção aspirativa com agulha fina [Internet]. 2012 ;[citado 2026 jan. 08 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5135/tde-27112012-083016/
    • Vancouver

      Lima EU de. Detecção da mutação T1799A do gene BRAF em células de carcinoma papilífero obtidas por punção aspirativa com agulha fina [Internet]. 2012 ;[citado 2026 jan. 08 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5135/tde-27112012-083016/

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