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Avaliação da qualidade da anticoagulação oral dos pacientes acompanhados ambulatorialmente em um hospital terciário (2012)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: VIANA, JACIARA MACHADO - FMRP
  • Unidades: FMRP
  • Sigla do Departamento: RCM
  • Subjects: ANTICOAGULANTES (QUALIDADE); QUALIDADE DE VIDA; GENÉTICA
  • Language: Português
  • Abstract: INTRODUÇÃO: Os anticoagulantes orais são utilizados em nosso meio para tratamento e prevenção de eventos tromboembólicos mais suscetíveis em diversas doenças cardiovasculares. A sua resposta terapêutica é variável entre indivíduos e, por esse motivo, torna-se necessária uma monitorização laboratorial cuidadosa e regular, modificando-se a dose quando necessário. Isso garante a eficácia do tratamento e ao mesmo tempo, evita complicações do seu uso, notadamente as hemorrágicas que frequentemente determinará internações prolongadas e mesmo óbito. Inexistem, em nosso meio, estudos que verificaram a prevalência de complicações, quando elas ocorrem e em que tipo de pacientes. OBJETIVOS: 1) avaliar a qualidade da anticoagulação oral com cumarínicos desses pacientes, através do cálculo de índices de adequação de anticoagulação oral; 2) Conhecer incidência das complicações hemorrágicas relacionadas ao uso de cumarínicos; 3) Correlacionar qualidade da anticoagulação oral com cumarínicos com a ocorrência de eventos hemorrágicos na população estudada. METODOLOGLA: Estudo de coorte retrospectivo envolvendo 534 pacientes submetidos à anticoagulação oral, acompanhados no ambulatório de cardiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) no período de 10 anos desde o início da anticoagulação oral com cumarínico. Foram descritas as características sócio-demográficas e compilados os resultados do INR-International Normalized Ratio, bem como a ocorrência de eventos hemorrágicos. Os pacientes foram divididos em três grupos de acordo com a indicação de anticoagulação: fibrilação ou flutter atrial, prótese valvar metálica ou outras indicações. Foi realizado o cálculo do tempo no intervalo terapêutico (“time-intreatment range”) pelo método de frações (TTRf) e pelo método de interpolação linear (TTRi) para ajuste nos modelosde regressão multivariada de Cox, que incluíram também o gênero, idade, estado civil e o motivo da anticoagulação (fibrilação atrial, prótese metálica ou outras indicações). RESULTADOS: Foram incluídos retrospectivamente 534 pacientes, divididos em três grupos: fibrilação atrial - FA (57,7 ‘+ ou -’ 11,9 anos; 41,5% masculino; 63,5% casados; 89,9% brancos; 34,7% óbito), prótese metálica - PM (41,8 ‘+ ou -’ 13,0 anos; 44,7% masculino; 59,3% casados; 88,3% brancos; 20,8% óbito) e outras indicações - OUTROS (54,3 ‘+ ou -’ 14,7 anos; 55,2% masculino; 57,4% casados; 79,7% brancos; 27,2% óbito). Definiu-se como evento hemorrágico a ocorrência de gengivorragia ou qualquer tipo de sangramento em cavidade oral, epistaxe, equimose, hematoma, hematúria, hemorragia digestiva alta (HDA), hemorragia digestiva baixa (HDB), sangramento do sistema nervoso central (SNC). Utilizou-se análise de sobrevida para avaliar a associação entre a indicação da anticoagulação (grupo) e o desfecho (hemorragia), construindo-se modelos incrementais de Cox para ajuste por possíveis fatores de confusão. Na análise univariada, a incidência de eventos hemorrágicos para 1000 pacientes-ano foi de FA (103,9; IC95% 77,8;135,9), PM (83,5; IC95% 70,1;98,7) e OUTROS (112,9; IC95% 85,0;147,0) - logrank 0,21. Observou-se comportamento bimodal da curva de sobrevida, com maior incidência dos eventos hemorrágicos nos primeiros seis meses após o início da anticoagulação oral. Na análise multivariada de Cox, ajustando-se para gênero, idade, estado civil, qualidade da anticoagulação (representada pelo TTRf ou TTRi) e indicação da anticoagulação, observou-se significância apenas para o TTRi com intervalo de interpolação de 60 dias (Hazard ratio - 0,43 IC95% 0,22;0,83). Mesmo com análise de sensibilidade para contornar-se o comportamento bimodal da curva de sobrevida, o TTRf não foi significativopara prever eventos hemorrágicos. CONCLUSÕES: 1) A qualidade da anticoagulação oral é exequível através do TTRi, que se mostrou superior ao TTRf em prever eventos hemorrágicos adversos independentemente do ajuste para potenciais fatores de confusão; 2) As complicações hemorrágicas relacionadas ao uso de cumarínicos foi frequente, sendo que ao final de 10 anos, apenas 20,2% dos pacientes não haviam apresentado evento hemorrágico e cerca de 25,6% evoluíram ao óbito (mais da metade desse grupo diretamente associado ao evento hemorrágico) ;3) A qualidade da anticoagulação oral com cumarínicos está relacionada com a ocorrência de eventos hemorrágicos e parece ser de maior importância após o primeiro semestre do início da anticoagulação. Embora trabalhos adicionais devam ser realizados, os dados do presente trabalho apontam para a importância da variabilidade individual, provavelmente reflexo de fatores genéticos, que podem se tornar úteis na individualização terapêutica
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 03.05.2012

  • How to cite
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    • ABNT

      VIANA, Jaciara Machado; SCHMIDT, André. Avaliação da qualidade da anticoagulação oral dos pacientes acompanhados ambulatorialmente em um hospital terciário. 2012.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2012.
    • APA

      Viana, J. M., & Schmidt, A. (2012). Avaliação da qualidade da anticoagulação oral dos pacientes acompanhados ambulatorialmente em um hospital terciário. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Viana JM, Schmidt A. Avaliação da qualidade da anticoagulação oral dos pacientes acompanhados ambulatorialmente em um hospital terciário. 2012 ;
    • Vancouver

      Viana JM, Schmidt A. Avaliação da qualidade da anticoagulação oral dos pacientes acompanhados ambulatorialmente em um hospital terciário. 2012 ;


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