A translocação pigmentar em cromatóforos ovarianos do camarão de água doce Macrobrachium olfersi (Crustacea, Decapoda): do receptor aos motores moleculares (2010)
- Authors:
- Autor USP: MILOGRANA, SARAH RIBEIRO - FFCLRP
- Unidade: FFCLRP
- Sigla do Departamento: 592
- Subjects: CRUSTÁCEOS; DECAPODA; CROMATÓFOROS
- Language: Português
- Abstract: Para estudar os mecanismos celulares que levam à mudança de cor cromomotora em crustáceos investigamos os cromatóforos ovarianos vermelhos do camarão de água doce Macrobrachium olfersi A natureza do receptor do hormônio agregador de pigmento vermelho (RPCH) localizado na membrana plasmática é desconhecida. Muitos eventos das cascatas de sinalização induzidas por ‘Ca POT. 2+’ e GMPc, assim como os tipos de motores moleculares por elas ativados, são ainda obscuros. Avaliamos, farmacologicamente, pela perfusão in vitro dos cromatossomos com pigmentos inicialmente dispersos, possíveis funções do receptor acoplado à proteína G (GPCR), de receptores de glutamato não NMDA (rGlu), da óxido nítrico sintase (NOS), da proteína cinase G (PKG), da cinase (MLCK) e da fosfatase (MLCP) da cadeia leve da miosina, da protéina cinase Rho (ROCK) e da miosina II não-muscular no mecanismo que induz a translocação pigmentar. Também investigamos a presença de microfilamentos de actina, microtúbulos, miosinas, cinesina e dineína, por microscopia de fluorescência. A inibição do GPCR com GDP-‘beta’-S (10 ‘mü’M) não tem efeito significativo, mas com AntPG (5 ‘mü’M) a agregação induzida por RPCH é inibida em ≈50%, e tem velocidade máxima de 13,3 ± 2,1 ‘mü’m/min (= RPCH-controle, 16,7 ± 1,6 ‘mü’m/min, P=0,85), seguida de dispersão espontânea. A inibição de rGlu com CNQX (50 ‘mü’M) causa sutil hiperdispersão e inibe ≈25% da agregação induzida por RPCH, com velocidade máxima de 16 ± 1,5 ‘mü’m/min (= RPCH-controle, P=0,95). A estimulação de rGlu com AMPA (30 ‘mü’M) causa forte hiperdispersão (≈115%) e não afeta a agregação em relação ao RPCH-controle (velocidade máxima de 16,3 ± 1,8 ‘mü’m/min, P=0,86). Com a inibição da NOS por LNAME (5 mM), a agregação induzida por RPCH dura 14 min e chega aos 43,5 ± 10% de dispersão, comvelocidade máxima de 11,1 ± 1,3 ‘mü’m/min (= RPCH-controle, P-0,38). Com a PKG inibida por rp-sGMPc-trietilamina (3 ‘mü’M), a agregação induzida por RPCH chega aos 36,2 ± 5,6% de dispersão em 12 min, com velocidade máxima de 16,9 ± 1,8 ‘mü’m/min (= RPCH-controle, P=0,626), seguida de dispersão espontânea. A inibição da MLCP com cantaridina (10 ‘mü’M) acelera a fase rápida da agregação induzida pelo RPCH (25,1 ± 2,6 ‘mü’m/min, P= 0,017) e inibe sutilmente sua fase final (9,2 ± 5,1% após 30 min). A inibição da MLCK com ML-7 (10 ‘mü”M) não afeta significativamente a agregação induzida pelo RPCH, que atinge 8,7 ± 3,14% de dispersão com velocidade máxima de 14,1 ± 1,6 ‘mü’m/min (= RPCH-controle, P= 0,277). As inibições da ROCK com Y-27632 a 3 ‘mü’M e H-1152 a 50 nM afetam a agregação pigmentar induzida por RPCH em 15,4 ± 4,8% e 32,8 ± 14,3%, e as velocidades máximas são similares ao RPCH-controle, de 18 ± 3,5 ‘mü’m/min (P-0,86) e 13,9 ± 2,3 ‘mü’m/min (P=0,9), respectivamente. Com H-1152 ocorre dispersão espontânea; e com ambos os compostos a dispersão durante a lavagem do RPCH é acelerada. A inibição da miosina II não-muscular com blebistatina reduz a resposta ao RPCH, havendo agregação até os 47 ± 6,2% em 16 min, com velocidade máxima de 9,1 ± 1,5 ‘mü’m/min, (= RPCH-controle, P= 0,007), seguida de dispersão espontânea; a dispersão com a lavagem do RPCH ocorre normalmente. Por microscopia de fluorescência foram identificados microtúbulos, presentes nas extensões celulares com o pigmento agregado; microfilamentos de actina, aparentemente formandos trilhos aos grânulos pigmentares; miosina II não-muscular, em associação ao citoesqueleto; miosina esquelética e muscular, cinesina e dineína, em associação aos grânulos pigmentares. Evidenciamos que o receptor do RPCH pode ser do tipo GPCR. Os receptorespGlu não parecem ter papel na transdução de sinal deste neuropeptídeo. A NOS, a PKG, a MLCP e a ROCK têm papéis importante na agregação pigmentar, mas a MLCK aparentemente não. Sugerimos que o RPCH se ampla a um receptor associado à proteína ‘G IND. 0’ na membrana plasmática, e concomitantemente à elevação da concentração intracelular de ‘Ca POT. 2+’, desencadeia a ativação da NOS, que produz NO, estimulando da GC-S a liberar GMPc. Este segundo mensageiro ativa a PKG, que fosforila um sítio de ativação da miosina. O movimento da miosina é impulsionado por ciclos de fosforilação/defosforilação em um sítio regulatório de suas cadeias leves, catalizados pela MLCP e pela ROCK. Um dos tipos de miosina ativada pela PKG pode ser a miosina II não-muscular, que parece efetuar principalmente a fase lenta da agregação pigmentar. Outras miosinas e a dineína possivelmente também participam da agregação, enquanto que a cinesina parece ter papel na dispersão pigmentar
- Imprenta:
- Publisher place: Ribeirão Preto
- Date published: 2010
- Data da defesa: 19.11.2010
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ABNT
MILOGRANA, Sarah Ribeiro. A translocação pigmentar em cromatóforos ovarianos do camarão de água doce Macrobrachium olfersi (Crustacea, Decapoda): do receptor aos motores moleculares. 2010. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2010. . Acesso em: 10 jan. 2026. -
APA
Milograna, S. R. (2010). A translocação pigmentar em cromatóforos ovarianos do camarão de água doce Macrobrachium olfersi (Crustacea, Decapoda): do receptor aos motores moleculares (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. -
NLM
Milograna SR. A translocação pigmentar em cromatóforos ovarianos do camarão de água doce Macrobrachium olfersi (Crustacea, Decapoda): do receptor aos motores moleculares. 2010 ;[citado 2026 jan. 10 ] -
Vancouver
Milograna SR. A translocação pigmentar em cromatóforos ovarianos do camarão de água doce Macrobrachium olfersi (Crustacea, Decapoda): do receptor aos motores moleculares. 2010 ;[citado 2026 jan. 10 ]
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